domingo, 31 de maio de 2009

SEPARADAS AO NASCER


KRISTIN CAVALLARI, atriz do seriado norte-americano The Hills, e FLÁVIA FREIRE, jornalista de meteorologia da Rede Globo de Televisão.

HOJE É DIA DE TENTARMOS SALVAR A ANTENA 1!!


A última esperança de salvar a Antena 1 FM e evitar a entrada da Nativa FM é hoje, 31 de maio, na Rua Cândido Gaffrée, na Urca, Rio de Janeiro (RJ). Tragam sua família, vamos fazer o maior barulho no sossegado bairro da Urca. Tudo para evitar que o latifúndio eletrônico da Nativa FM manche a reputação desse simpático bairro carioca.

O protesto, no entanto, é só o começo. Aqui neste blog a Nativa FM vai levar chumbo grosso. E não adianta as ouvintes da Nativa me chamarem de "meu amorzinho" porque não gosto de brega-popularesco e nem namoro garotas fãs da Música de Cabresto Brasileira.

QUAL SERÁ A PRÓXIMA MÍDIA REACIONÁRIA?


Folha de São Paulo "vejou", elogiando a dupla funkeira MC Tucano e MC Democratas e falando em "ditabranda militar". A CBN "vejou", elogiando o neoliberalismo norte-americano, em detrimento até do liberalismo europeu, e andou fazendo mil pequenos serviços em prol da grã-direita brasileira, até bem mais do que o periódico da Editora Abril.

Agora, qual será o próximo veículo da mídia fofinha a se tornar reacionário? Qual deles?

Alguns candidatos ao próximo surto vejista:

GRUPO BANDEIRANTES - Embora a intelectualidade de "centro-esquerda" endeuse o complexo midiático da Bandeirantes (TV e rádio), ela aprontou das suas. Em 18 de abril de 2008, o Jornal da Band veiculou um editorial contra o Movimento dos Sem-Terra, algo que a Caros Amigos não enxergou quando tentou publicar anúncios da Rede Band News FM. A própria Band News, quando foi implantada em Curitiba, em 2005, em primeira hora correu para entrevistar o político conservador Álvaro Dias, do PSDB. No plano musical, a Bandeirantes apoia o mesmo breganejo (Zezé di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone etc.) e o mesmo sambrega (Exaltasamba, Alexandre Pires etc.) que a "vênus" da mídia gorda, as Organizações Globo.

REDE BRASIL SUL - Ela é mídia reacionária em caráter regional (leia-se a minha querida região Sul de onde nasci, há 38 anos), mas um desavisado redator de um site sobre rádio, em matéria provavelmente paga, tentou exaltar a clone em FM da Rádio Gaúcha AM como se ela fizesse sucesso antes da hora, aquela velha mania dos defensoras da Aemização das FMs de dizerem que uma nova programação já é sucesso antes de entrar no ar. Provavelmente esse redator pensava que a RBS, dona da Rádio Gaúcha, pudesse ser apelidada de "Rede Bolivariana Socialista", mas a RBS é famosa por ter apoiado entusiasmadamente a governadora gaúcha Yeda Crusius, uma bela mulher mas tão reacionária que nem o marido aguentou mais, e recentemente ela apareceu em denúncias de corrupção.

RÁDIO METRÓPOLE - A emissora de Salvador (BA) e seu derivado, o Jornal da Metrópole, tem a façanha de ter seduzido a esquerda baiana até os neurônios, para depois deixá-la sem as calças na mão, traída até a medula. Ninguém se lembrou que Mário Kertèsz é uma das figuras de alta periculosidade da direita baiana, e houve quem pensasse que ele virou esquerdista de vez. Golpeado, esse cidadão, iludido com a pseudo-militância da Rádio Metrópole, ainda não consegue aceitar que o Jornal da Bahia recebeu o golpe mortal nas mãos de MK (que o transformou em tablóide popularesco), que estava ligado a Antônio Carlos Magalhães quando tornou-se interventor do jornal (ainda vou bater nesta tecla, na próxima edição de "Ingenuidades", sobre os fundadores do JBa). Para dar um aperitivo ao sabor direitista da dupla Jornal/Rádio Metrópole, em várias edições de 2008 o jornal elogiou ACM Neto (chamou-o até de "pegador") e atacou Lula, Jacques Wagner, PSTU e só faltava atacar o MST, se este atreviesse a realizar passeatas na Av. Tancredo Neves, no atual centro financeiro da capital baiana.

REDE TRANSAMÉRICA - A decadente rede de FMs outrora "jovens", que em alguns momentos mais parece uma bolorenta "rádio AM em FM" das mais chapa-brancas dos tempos do AI-5, sai incólume do contestatório público porque aparentemente adota uma postura "apolítica". Mas é só liberar os profissionais da rede para assumirem alguma postura ideológica que a Transamérica (propriedade de um banqueiro que faz conchavos com dirigentes esportivos) mostra sua carranca direitista que certamente assustaria até Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi.

REDE JOVEM PAN - O mesmo texto sobre a REDE TRANSAMÉRICA.

OS "LÍDERES DE OPINIÃO"


Já falei da espécie "exótica" chamada "líder de opinião", que sobretudo transforma a blogosfera num debate morno, com uma consciência crítica, se não tetraplégica, bastante paralítica.

Mas o que são os "líderes de opinião"? São os grandes jornalistas que ocupam a mídia gorda?

Não. Os "líderes de opinião" são, por incrível que pareça, pessoas que variam entre os jornalistas da mídia gordinha - segunda divisão da mídia gorda na qual se enquadram veículos que não compartilham do reacionarismo explícito de Globo, Veja e similares - , alguns intelectuais ditos de "centro-esquerda" com senso crítico mais apático e gente de classe média, seja a baixa ou a alta, que viram dublês de articulistas em blogs que mal conseguem disfarçar a chapa branca com uma tinta vermelha-guache a simular "sincero esquerdismo".

São essas pessoas que criam blogs que são o contrário deste blog, O Kylocyclo, que é mídia independente de fato e de direito. O que significa que os "líderes de opinião" contam com algum pistolão - se não contam, eles capricham em evitar falar mal da mídia gordinha ou mídia fofa - , ou seus blogs são de alguma forma badalados, seja pelos sindicatos pelegos, sejam pela intelligentzia mais mainstream, sejam pelas elites universitárias ou pela imprensa regional. E, da noite para o dia, surgem com uma frequência relâmpago de mais de 500 visitantes logo no dia do lançamento.

Os "líderes de opinião" tentam imitar o comportamento dos professores universitários, os trejeitos dos líderes sindicais, a sabedoria dos intelectuais de Comunicação e seu discurso tenta expor uma pretensa sabedoria e uma suposta capacidade de entender a sociedade no seu todo.

Os "líderes de opinião" são consumidores compulsivos de "informação". Entenda-se "informação" aqui não no seu sentido real, que é a relação entre um dado e a sua definição, mas como produto jornalístico. O que influi na veiculação de um discurso que procura sair da "praia" dos cronistas e articulistas reacionários. Por isso o "líder de opinião", neste sentido, se situa, no plano ideológico, entre a centro-direita fisiológica e a esquerda pelega. No que se refere aos partidos políticos, seu apoio varia entre a ala "humanista" do PMDB, os moderados do PSDB, a ala pelega do PT e a ala proto-pelega do PSOL, além das múmias populista-fisiológicas do PDT e PTB.

Sua qualidade de textos e análise crítica mostra o quanto o nosso "líder de opinião" é submisso à mídia fofa. Ele se gaba de criticas "ferozmente" a mídia gorda, noticiando, em primeira mão, alguma batalha judicial entre um pobre cidadão e um articulista tirânico da mídia mais obesa, por exemplo. Mas as críticas sempre são amenas e, em bloco, afinal, se é para criticar algum desmando da TV Bandeirantes, ele prefere citá-la em bloco, junto à Globo, SBT e Record, num discurso que é feito para conquistar a platéia das TVs educativas ou da midia comunitária.

Dependendo da ocasião, o "líder de opinião" trabalha um discurso que tanto pode reproduzir a linha editorial da Isto É e TV Bandeirantes como pode macaquear - sem um pingo de criatividade nem de espontaneidade - a abordagem crítica da Carta Capital e Caros Amigos.

Certa vez, os "líderes de opinião" foram avisados pelos seus amigos que a Folha de São Paulo, periódico endeusado pelos primeiros, passou a engrossar mais sua postura conservadora, atacando o governo Lula e dando apoio entusiasmado para a dupla breganeja PSDB/DEM no governo paulista/paulistano. E aí, o que fez cada "líder de opinião", diante do risco de constrangimento público por ter apoiado a ex-vedete da mídia fofa?

Simples. Felizmente (para eles), a blogosfera não era moda quando eles babavam diante das divagações neoliberais de Gilberto Dimenstein, Otávio Frias Filho & cia., num tempo em que sua classe via esquerdismo até no mau-humor direitista da Rede CBN. Por isso, as pedradas, se haviam, poderiam ser rebatidas por réplicas ao mesmo tempo chorosas e raivosas, do tipo "você não entendeu bem o que eu escrevi, nunca disse que a Folha era bolchevista, você é que é um ranzinza desinformado das coisas!".

Então, eles, diante da chance de terem pecado sem se sujeitarem ao mais grave julgamento social, eles agora atacam a Folha de São Paulo, sobretudo depois daquele episódio da "ditabranda". Pronto, os "líderes de opinião" acertaram o ponteiro com a chamada "esquerda festiva" ou com os "esquerdistas ilustrados" (termo de Juremir Machado da Silva).

O grande defeito dos "líderes de opinião" é a pouca ousadia crítica. Eles geralmente dão um passo para a frente, mas dão dois ou três para trás. Falam mal da mídia gorda mas parecem estar gratos com tudo o que elas oferecem, fora, é claro, o reacionarismo "eldorado dos carajás" da editoria política.

Por isso existem aberrações sérias em seus textos. Falam mal da mídia gorda, usando e abusando do vocabulário dos colunistas de Caros Amigos. Mas pedem a bênção de um veículo de mídia obesa regional, tipo a Rádio Metrópole, de Salvador (Bahia), feito um beato a um padre. Falam mal das manipulações ideológicas da Rede Globo, mas acham bonito haver o "funk carioca", que eles imaginam ser um "movimento dos sem-mídia" de tanto que falam que o ritmo é (supostamente) ligado às periferias, mas que é uma das armações das Organizações Globo tão vergonhosa quanto Fernando Collor.

O "líder de opinião" também não quer saber de problemas mais graves, e geralmente se comporta como um carneirinho diante de decisões vindas de cima. Não ataca, em seus textos, o Movimento dos Sem-Terra, que ele é obrigado a respeitar para não levar chumbo da esquerda festiva, mas também não dá um pio contra as artimanhas do poder latifundiário, a não ser que sejam envolvidos em crimes contra gente prestigiada, como ocorrem nos redutos de pistolagem do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Outro exemplo de seu desprezo aos problemas graves. Os ônibus de Salvador (Bahia) seguem uma trajetória caótica, com ônibus brancos, falta de distribuição de empresas por região de bairros e bancos duros na maioria dos carros. Ele reclama disso? Não reclama. Ele baixa a cabeça até para a pronúncia maluca do sindicato patronal SETPS ("setépis").

O "líder de opinião", além disso, escreve mais pelo fato de que sua opinião não vale pelas idéias apresentadas, mas por quem veicula tais idéias. É um "poder de opinião" que reacionários de plantão como Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho sonhariam ter mas não possuem. Mas o "líder de opinião", precavido, desmente que é um "líder de opinião", que é só um "trabalhador do saber", um "formador de opinião como todo cidadão", e ele normalmente atribui como "líderes de opinião" justamente os reacionários da imprensa, que podem até ter arrastado, há 45 anos atrás, uma marcha tipo Deus e Liberdade, mas hoje não são referência sequer para o cidadão médio de centro-direita, mais afeito a um Joelmir Betting e Heródoto Barbeiro.

O "líder de opinião" acaba sendo uma pedra no sapato da opinião (realmente) pública. Botar algodão na meia não vai aliviar o incômodo dessa pedra, que impede que o senso crítico coletivo ande com toda sua desenvoltura. O "líder de opinião" é escravo da brincadeira de "libera e esconde" da mídia fofa, que tanto pode esclarecer algumas coisas, quanto pode acobertar outras, num eterno jogo de agradar a centro-direita mais flexível e a centro-esquerda mais fisiológica.

Além disso, na verdadeira democracia, a verdadeira opinião pública não precisa de líderes. Precisa, sim, de gente realmente esclarecida que mostre luz onde há trevas. E isso os "líderes de opinião" não fazem. Dependendo da situação, as trevas podem representar uma sombra bem gostosa para os "líderes de opinião" descansarem, acariciados pelos segundos escalões do poder, que rumam ao primeiro escalão.