quarta-feira, 27 de maio de 2009

POLUIÇÃO SONORA EM SALVADOR


Em dezembro de 2008, um frentista de um posto de gasolina foi morto por um rapaz que ouvia um som em alto volume, numa determinada área de Salvador (Bahia). O valentão não gostou de ser advertido pela poluição sonora e meteu bala no cidadão.

Certamente o valentão da ocasião, que cometeu um crime, deveria estar ouvindo algum grupo iniciante de "pagodão", porque a mídia gorda baiana não divulgaria uma nota dessas se o rapaz ouvisse grupos "prestigiados" como Psirico e o medalhão da axé-music Chiclete Com Banana, que muitos poluidores sonoros tanto tocam.

Também a nota não seria a mesma se o cara estivesse ouvindo alguma transmissão esportiva, dessas FMs sem identidade que, não tendo o que fazer, viram caricaturas ou arremedos (se verossímeis) de rádio AM, como fazem as emissoras mais "171" da capital baiana, como a Rádio Metrópole, a Itapoan FM e até a afiliada da Rede Transamérica em Salvador. Se fosse este caso, certamente a nota que seria divulgada pela mídia gorda e até pela gordinha da Bahia - principalmente se for na Revista Metrópole - seria mais ou menos esta:

"Cidadão agiu em legítima defesa, impossibilitado de usufruir seu direito de cidadania e entretenimento. Provocado por um frentista agressivo e insensível, que parecia sonhar com o espaço sideral desprovido de som e movimento, o pobre cidadão, impedido de apreciar a paixão nacional do futebol, foi obrigado a reagir baleando mortalmente o frentista, que não dava a menor chance de diálogo. Para evitar mal-entendidos, o cidadão torcedor e cumpridor de seus deveres foi obrigado a fugir".

Nota ridícula seria esta, não?

ÔNIBUS BRANCOS DE SALVADOR NÃO DÃO SOSSEGO AO CIDADÃO


Vamos bater na tecla de repudiarmos a irresponsabilidade dos empresários de ônibus de Salvador em manter ônibus brancões (com algumas honrosas exceções da Vitral, Joevanza e BTU, já que existem boatos de que a Boa Viagem e a Praia Grande podem aderir ao "branquinho básico"). Aqui está uma foto no Iguatemi, mas do lado próximo ao Pernambués, com um ônibus da Modelo tentando enrolar os passageiros com sua "identidade visual" não muito diferente da São Cristóvão e Transol, que também tem este modelo da CAIO Apache S22.

Tudo para obrigar os passageiros que pegam ônibus errados a pagar mais caro com outra passagem ou, pelo menos, obrigá-los a chegar mais tarde em casa ou no trabalho.

A INGENUIDADE DE ÁLVARO PEREIRA JR.


O colunista do caderno Folhateen, da Folha de São Paulo, e também repórter e editor do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, Álvaro Pereira Jr., foi dado a criar muita polêmica na coluna do citado caderno teen, chamada "Escuta Aqui".

Pois Álvaro foi dado a cometer, em 1995, uma das mais constrangedoras e risíveis manifestações de ingenuidade, engrossando a lista dos casos ingênuos que assolam o país e que mostram que o permanente FEBEAPÁ, que sobreviveu à morte do Sérgio Porto, continua com toda a força.

Álvaro, sabe-se, criticou muito o cantor Caetano Veloso, falando da existência de um establishment caetânico cujas caraterísticas Ricardo Alexandre (na época jornalista de O Estado de São Paulo e cuja carreira também se associou à Bizz) escreveu no livro Dias de Luta e Cláudio Júlio Tognolli, outro jornalista, apelidou de "máfia do dendê".

Segundo esses jornalistas, a MPB sucumbiu à mesmice que transformou seu antes impactuante cenário dos anos 60/70, no decorrer dos tempos, em um movimento acomodado artisticamente e dotado de um clima de compadrismos que mistura Academia Brasileira de Letras com colunismo social. E essa mesmice, segundo eles, se deu sobretudo com a supermacia de Caetano Veloso no cenário da MPB.

Só que Álvaro Pereira Jr. investiu numa tese absurda, delirante e completamente fora da realidade: a de que a axé-music não tem a menor relação com o establishment caetânico. Segundo Álvaro, a axé-music era dotada de "despretensiosismo musical" em detrimento ao pretensiosismo que, para ele, eram simbolizados por Caetano Veloso e os Titãs, suas vítimas prediletas.

Álvaro chegou a tal ponto que chegou a atribuir, erroneamente, o movimento mangue beat de Recife (Pernambuco) como um sub-produto do establishment caetânico, enquanto a milionária axé-music, que é o verdadeiro sub-produto, ele não reconhecia nesta condição. Como Chico Science, nos seus últimos meses de vida, deve ter refletido muito sobre os ataques que recebia do badalado jornalista da Folha / Rede Globo...

Aparentemente, Álvaro, famoso também por conhecer bandas de rock obscuras - que, para a gente aqui, nem sempre são necessariamente boas - , apoiava abertamente o medonho grupo baiano É O Tchan, incluído na lista da "música despretensiosa" que só ele acreditava dessa forma.

Só que TODA a axé-music era apadrinhada pelo establishment caetânico com gosto, e de forma muito mais do que explícita. Pior: a axé-music surgiu APADRINHADA por Antônio Carlos Magalhães, político direitista que dominou a Bahia mas que conta com seus herdeiros e seguidores (alguns enrustidos) no poder político e midiático do Estado. E Caetano e companhia apoiaram ACM quando lhes convinha apoiar.

O É O Tchan, armação de fazer o Milli Vanilli parecer, ao menos, uma divertida comédia de ficção, está incluído no establishment caetânico a ponto de ser jogado, através de um mecanismo jabazeiro, num documentário sobre folclore brasileiro narrado pelo cúmplice de Caetano, o cantor e ex-ministro Gilberto Gil.

Álvaro Pereira Jr. não botou o É O Tchan no "Play" de sua avaliação semanal - ele colocava "Play" para coisas que ele aprovava, "Pause" para coisas que ele não odiava mas tinha algum pé atrás e "Eject" para coisas que ele reprovava - , porque aí seria baixar as calças e mostrar os glúetos (especialidade do grupo liderado pelo empresário Cal Adan) em praça pública. Se pondo Spice Girls e Sandy & Júnior deve ter gerado "pedradas", imagine o que seria com o É O Tchan. Até os colegas do Fantástico fariam piada: "Pô, Álvaro, você exagerou demais. Um cara como você, que ouve até Joy Division, curtindo 'bunda-music'?".

Álvaro também apoiava o sambrega. Elogiava grupos como Katinguelê, Negritude Jr., Karametade e Exaltasamba (que na época fazia um som muito mais tosco que o samba falsificado de hoje - eles têm o mesmo empresário do Grupo Revelação, que segue essa linha do "sambrega para turistas ingleses e técnicos do ISO 9000 verem").

Só que um integrante dos Titãs, grupo atacado por Álvaro, também gostava desses grupos. Foi justamente o guitarrista Marcelo Fromer, que, nos seus últimos meses de vida, havia lançado um livro sobre culinária e queria presentear esse livro para o Álvaro, talvez grato pelo gosto musical comum. Quem te viu, quem te vê.

Determinada cantora de axé-music faz aniversário


Como, a exemplo do pessoal do Toma Lá, Dá Cá, não se pode dizer o nome da dita cuja porque senão ela aparece, então vocês já devem saber de quem falo. Além disso, se eu citar o nome, cairá nos sites de busca e os fanáticos dessa cantora lotarão o espaço dos comentários só para me espinafrar e me fritar em rede mundial.

Infelizmente essa cantora teve até uma chance de entrar na MPB. Isso foi até 1992, 1993, quando não se vendeu para a axé-music, entrando numa viagem popularesca sem volta. Ela era uma semi-desconhecida que só a imprensa baiana conhecia muito bem. Mas hoje ela se agigantou demais, virou um mito, muito maior do que poderia ser, símbolo da megalomania máxima da axé-music que, hipócrita, barra o acesso a todos os outros estilos musicais (a não ser que tais estilos sejam cooptados pelo establishment axézeiro), mas quer entrar até em mercados que lhes são hostis, como no Sul do Brasil.

Ela tornou-se uma versão burra do Caetano Veloso, no sentido de querer se apropriar de tudo que for gênero musical, na esperança de associar tudo isso à sua imagem e promoção pessoal. Caetano, pelo menos, tem informação musical, faz músicas de qualidade e, em que pese o apoio a estilos popularescos, possui coerência e personalidade artística inegáveis. Já essa cantora, infelizmente, só tem o oportunismo, investindo em dueto com cantor de ópera, tributo de música breganeja, tributo de cantoras ao Clube da Esquina, participação em DVD de banda do Rock Brasil etc., etc., etc.. A onipresença dela é de torrar o saco.

Dizem que ela é rainha da MPB. Com uma trajetória chinfrim, alternando canções fajutas da mais enjoada axé-music com alguns covers de MPB, nem para boba da corte da Música Popular Brasileira ela está habilitada.

Por outro lado, temos cantoras bem melhores do que ela, como Marisa Monte, Maria Rita Mariano e Roberta Sá, fora uma geração de cantoras novas que mostram um talento muito, muito superior, que não precisa das arenas móveis dos trios elétricos para se promoverem. São cantoras cuja arte fala por si só, não precisam de Rede Globo para dizer que "elas são o máximo", não precisam do pistolão da mídia gorda para virarem (pretensas) unanimidades nacionais.