quarta-feira, 29 de abril de 2009

UM CONTO DE FICÇÃO

Numa boate de São Paulo, um empresário de seus 45 anos entra com seu sócio para curtirem uma happy hour depois de uma cansativa jornada de negócios.

Ainda casado, o empresário quarentão enfrenta uma crise de relacionamento com sua esposa, uma belíssima jornalista de 39 anos, com quem tem um filho de 12 anos. As diferenças de personalidade tornam-se irreconciliáveis.

- Toda vez que a gente combina para sair, não nos acertamos. Se eu quero viajar para o Guarujá, ela quer ir para Petrópolis. Se eu quero viajar para Nova York, ela quer as praias do Rio de Janeiro. Além disso, eu, tão ocupado com negócios, tenho que entender de artes plásticas, teatro e música mais do que eu tenho condições de entender. Puxa, mal posso ler um livro de Administração e tenho que estar a par da Bossa Nova, que eu não gosto?... - diz o empresário quarentão.

- Pois é, meu caro Rubens. - disse Rodolfo, o outro empresário sócio. - Ela é muito linda e inteligente, a mulher dos sonhos. Vocês dois são pessoas importantes, mas chega um ponto em que você, homem de negócios, não consegue acompanhar nem ficar feliz com o ritmo de vida da esposa. A única coisa comum entre vocês é o fato de terem atingido o sucesso pessoal. Mas a rotina de vocês acaba criando divergências.

- Pois é. Eu tenho, com você, uma empresa. Veja, Rodolfo, eu fico viajando, telefonando para contatos no exterior, fazendo consultoria, mexendo com o quadro do pessoal, e no lazer mal dá para fazer alguma coisa, fico com a mente marcada no trabalho. E ela, aparecendo sozinha em eventos profissionais, porque eu não posso acompanhá-la sempre. Do jeito que ela aparece sozinha nas fotos, ela parece solteira!!

Em uma mesa próxima, aparece uma ex-dançarina de pagode, de 30 anos, que toma um refrigerante tipo Aquarius com uma amiga. As duas conversam banalidades, coisa que não interessa narrar aqui. Mas uma coincidência acontece, quando a amiga da dançarina sai do seu assento para ir ao banheiro, enquanto Rodolfo deixa Rubens para telefonar para sua mulher.

O empresário e a dançarina suspiram, não necessariamente ao mesmo tempo. Ele se dirige então à mesa onde a dançarina está situada. O empresário não sabe que ela foi dançarina de um conhecido grupo de pagode, até porque a moça não vestia, na ocasião, aqueles trajes grotescos de cores aberrantes.

- A senhorita está sozinha^- pergunta ele.

- Estou. Vê se tem algum jornalista por perto.

Rubens observa o ambiente em volta. Não parece haver jornalista algum.

- Não tem jornalista olhando, não.

- Que sorte. Já inventaram dez namorados para mim. Não que eu não esteja procurando um, mas é cada coisa. Você, pelo jeito que veste, é empresário, não é? Pelo jeito está bonitão com este terno preto (risos).

- Mal saí do trabalho. E você, o que faz?

- Bom, fui dançarina de um grupo de pagode, o Pagodelícia, que fez muito sucesso há dez anos. Tento ser atriz, modelo, apresentadora de tevê, fiz umas reportagenzinhas (risos).

- Hummm. Você não tem uma vida profissional muito agitada?

- Não. Nem tenho um programa de tevê semanal (risos). Mas me adapto ao ritmo de vida de um homem. Basta ele ser compreensivo comigo.

- Hummm. Quero fazer umas perguntas.

- Pode fazer. Seu nome?

- Rubens Prado, empresário do setor financeiro. E o seu?

- Joseane Rocha, formada em Publicidade, ex-dançarina e hoje atriz e modelo.

- Ótimo. Qual é o primeiro lugar que vem à sua cabeça quando o assunto é viagem para o exterior?

- Roma. Gosto dos seus prédios, do seu luxo, dos seus monumentos.

- Que coincidência. É o lugar que eu mais quero viajar quando penso no exterior. Qual o tipo de pintura que você gosta?

- Bom, eu gosto daquelas pinturas bonitas e antigas, sei lá. Acho que é Monet, Renoir, algo que seja como eles.

- Ah, pintura impressionista. Minha mulher já me falou disso.

- Ah, você é casado? - diz Joseane, com tom de leve decepção.

- Calma, calma. Sou, mas vivo uma séria crise conjugal. Por isso decidi falar com você. Me vem a idéia de me separar de minha mulher.

- Sério? - disse Joseane, com discreta alegria. - Você é bonito e elegante, não é igual aos homens que costumava atrair. Você, sabe, cantores de pagode, jogadores de futebol, ídolos de axé, atores cômicos de TV. Achava que teria que ficar com aqueles chatos universitários com óculos de aros grossos que ficam sobrando. Eles são daquele tipo intelectual, sabe. Muito complicados.

- Minha esposa é desse tipo, embora tenha pinta de modelo francesa. Muito complicada. Eu sou um homem de negócios, e quero viver uma vida sossegada, e não para ir a praias cariocas ou para ir a exposições de arte e cultura. Quero acampar, pescar com meu filho, ouvir música clássica ou canções românticas. Meu estilo é clássico, aprendi porque sou ligado muito a meu pai, que me colocou desde cedo para a profissão de empresário. Se bem que a empresa que eu tenho não é da família de meu pai, é um negócio que eu e meu amigo Rodolfo montamos.

Falando nisso, Rodolfo chega e vê Rubens falando com a dançarina. Rodolfo falou:

- Rubens, então você já começou uma paquera?

- Ah, Joseane, este é o meu amigo Rodolfo, meu sócio. - disse Rubens.

- Prazer, sou Rodolfo.

- Joseane, com todo o prazer.

Esta, por sua vez, em dez segundos viu a amiga se aproximar.

- Uau, você arrumou um cara novo? Ele é muito bonito, embora um pouco grisalho.

- Não tem problema, não. Ele é sincero e gentil. Melhor do que pegar os mesmos caras de sempre ou pegar meninos quatro-olhos que só sabem falar coisas difíceis.

E assim, os quatro se levantam e se despedem, com seus cordiais cumprimentos de despedida, comuns em duplas que se conhecem numa noitada.

Passados seis dias, é anunciado o divórcio da bela jornalista, que ficou com a guarda do filho. Rubens tomou a iniciativa, alegando diferenças irreconciliáveis. Descasado, ele tornou-se namorado de Joseane, que até se cansou do papel de "solteiríssima" que as revistas de celebridades alardeavam, a despeito dos muitos supostos namorados atribuídos a ela. Mas a relação entre Rubens e Joseane se confirmou e ambos, descobrindo maiores afinidades, se casaram um ano após terem se conhecido.

CRISE DO RADIALISMO ROCK


Há uns três anos as duas "rádios rock" mais badaladas do país, Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, e 89 FM, de São Paulo, abandonaram os estilos que as duas aparentemente assumiram há anos. Mas, apesar do pretensiosismo "roqueiro" e do fato de seus produtores compensarem a falta de rebeldia (afinal, eles também eram "mídia gorda", "gordíssima") com um temperamentalismo que se irritava até com alfinete caindo no chão, as duas rádios estavam muito, mas muitíssimo longe de representar sequer o padrão de uma rádio de rock razoável.

As duas rádios, aliás, abandonaram o rock porque, além do perfil não condizer com a realidade do público de rock autêntico - os produtores das duas rádios e seus adeptos em geral julgavam a "cultura rock" através de seus umbigos - , sendo na prática clones grunge das rádios de poperó (Jovem Pan 2, Energia 97), elas também estavam perdendo feio na batalha com a Internet, que mostrava um gigantesco leque de músicas e músicos de rock que as rádios "roqueiras" do Brasil se recusavam a tocar (isso apesar desses mesmos músicos, quando vêem ao Brasil, receberem o patrocínio pretensioso dessas mesmas rádios).

Há muito o que dizer da crise do radialismo rock, e aqui as coisas serão ditas em partes, no decorrer desse blog.

ÚNICA RÁDIO DE ROCK DO PAÍS É GAÚCHA

No Brasil, há atualmente apenas uma rádio de rock autêntico, a Unisinos FM, de Porto Alegre, única capital do país onde o rock é cultura jovem dominante. Aparentemente a Kiss FM, de São Paulo, é outra "rádio rock", mas sua orientação inicial - que lembrava uma 97 Rock mais light - , foi trocada por uma pálida reprodução do perfil da 89 FM, o que tira os méritos do rótulo, até porque na Kiss as músicas de rock tocadas são cortadas antes do final e recebem a irritante falação em cima dos locutores, que intervém sobre a introdução e o final das músicas.

A última esperança, recentemente, do renascimento do radialismo rock, a Venenosa FM, foi por água abaixo porque o dono da Universidade Salgado de Oliveira, a UNIVERSO, a substituiu pela horrenda Mania FM, de brega-popularesco. A Venenosa havia tido a façanha de entrar em cidades que nunca tinham uma rádio de rock como Uberlândia e Goiânia.

Depois da Rádio Cidade e 89, a Pop Rock FM, a "89 FM Gaúcha", passa também a ter uma orientação do rock autêntico, como as atuais Oi e 89. Essa nova forma de radialismo pop, cujo carro-chefe é a rede Oi FM, derruba de vez a era Transamérica / Jovem Pan 2 das duas redes que, envolvidas com conchavos com "cartolas", passaram a soar, em certos horários, como clones mofadas de rádio AM, afungentando boa parte do público que não compartilha dos delírios dos Fanáticos Modulados que exibem seus egos nas colunas de rádio como Rádio Base e Tudo Rádio.

O novo tipo de radialismo pop é capaz de tocar Strokes e Los Hermanos junto a Christina Aguilera e Lady Gaga, ou então juntar Franz Ferdinand com 50 Cent no mesmo cardápio musical. É um tipo de rádio pop mais moderno, menos restritivo por ser adaptado à Internet. E muito mais sincero do que o pretensiosismo das "rádios rock" dos anos 90, que queriam ser pop mas se sentiam ofendidas quando eram assim chamadas.

MULHERES DE CLASSE ADOTAM CAMISA ABOTOADA PARA DENTRO DA CALÇA


Vemos aqui a Michelle Loreto e a Leila Schuster, duas moças classudas e belíssimas, com a camisa abotoada para dentro da calça, contribuindo para o fim do monopólio dos "tops" que, de tão banalizado, faz muita mulher fora de forma ou então as boazudas vulgares mostrarem a barriga sem necessidade.

Qual ex-dançarina de pagode vai usar camisa abotoada para dentro da calça? Qual mulher fruta? Qual mulher-coitada, que sonha com o Fábio Jr. mas cisma com sósias do John Lydon ou do Morrissey? Qual delas, se até quando se fantasiam de vaqueiras, nem se dão ao luxo de comprar camisas abotoadas grandes para colocar para dentro das calças? Qual delas, se até nos dias de frio põem seus tops de nylon que elas ficam abaixando a toda hora para proteger a barriga sempre à mostra?

Sem falar que camisa abotoada muito curta que as mulheres comuns usam dá má impressão, fica soando apelação barata, falsa sensualidade.

SE O BANQUEIRO DANIEL DANTAS FICASSE POR DENTRO DA "CULTURA BRASILEIRA"...


...ele daria preferência a ritmos tão "íntegros" quanto ele, como o "funk".