domingo, 26 de abril de 2009

MICHELLE LORETO FAZ O NOSSO SOL RAIAR


A estonteante jornalista que anuncia as previsões do tempo no Bom Dia Brasil (Rede Globo), pernambucana radicada em São Paulo e descendente de gaúchos, tem um corpão maravilhoso, uma voz graciosa, um jeito meigo e um rosto marcante. Uma das mais belas do telejornalismo brasileiro.

BANDEIRANTES É MÍDIA GORDA NO RÁDIO PAULISTANO


Para quem ainda acha que o Grupo Bandeirantes de Comunicação (TV Bandeirantes, Rádio Bandeirantes, Band News FM) não faz parte da mídia gorda, mas da mídia "fofinha, quase enxuta", vale aqui uma informação.

O Grupo Bandeirantes participa, mesmo indiretamente, de um quarto do rádio FM paulistano, incluindo parcerias com a família Camargo (Nativa FM, 89 FM, Alpha), com a Sul América Seguros (Sul América Trânsito FM) e arrendamento de horários na Brasil 2000 FM. Além disso, tem a clone em FM da Rádio Bandeirantes AM, tem a Band FM (rádio de brega-popularesco) e também a Band News FM.

É um apetite guloso, típico da mídia obesa. Mas os "líderes de opinião" que reinam na blogosfera vip ainda teimam em ver o Grupo Bandeirantes como uma mídia nanica com mais dinheiro.

A INGENUIDADE DE KATE LYRA


Ela é bonita, inteligente, admirável. Norte-americana naturalizada brasileira, ela foi até comediante, marcada pelo bordão "Brasileiro é tão bonzinho". Foi casada com o cantor e compositor Carlinhos Lyra e os dois são pais da bela cantora Kay Lyra.

Mas como nem todo mundo é perfeito, Kate afirmou, certa vez, que as funkeiras são "feministas". Ela não é a única a fazer esse discurso, mas embarcou nesse "etnocentrismo do bem" que, sob a influência da mídia gorda, tenta mascarar a mediocridade musical dominante com uma falsa imagem de "inteligência intuitiva".

As funkeiras - tal qual as similares que curtem o pagodão de Psirico, Guig Guetto, Parangolé e similares em Salvador, Bahia, tidas como "emancipadas" pelo antropólogo Roberto Albergaria - não podem sequer de longe serem consideradas feministas, e isso não é uma questão de preconceito.

Ser feminista não significa uma mulher falar mal de homens ou ir e voltar sozinha dos agitos noturnos. Além disso, essas jovens que curtem brega-popularesco são tão grosseiras quanto os machistas. Isso não é preconceito contra pobre. E há grosseiras de classe média, também, vide as jovens patricinhas que aparecem no Orkut colocando o "funk carioca" e outras barbaridades no seu gosto musical.

O feminismo se baseia na verdadeira consciência da mulher sobre sua realidade. É muito mais do que rejeitar a opressão masculina, é lutar também pela reafirmação feminina, pela decência, pela dignidade. As "feministas" do "funk" e do pagodão não querem dignidade, afinal desde quando balançar o popozao é dignidade? E, para elas, tanto faz namorarem caras grosseirões, porque há uma verdadeira competição de gritos na hora das brigas conjugais. Por outro lado, se essas moças grosseiras "paqueram" nerds, elas estão geralmente à procura de trouxas para fazerem tudo que elas mandam, e elas imaginam que os nerds iriam pagar pau para ter glúteos enormes nos seus colos. Ou seja, essas mulheres são puramente machistas. O que elas fazem é machismo de saias. E os nerds, jovens "tolos" por fora e inteligentíssimos por dentro, nunca dariam mole para mulheres vulgares e grosseiras assim.

MÍDIA DE ESQUERDA AINDA NÃO ENTENDE O PROBLEMA DA MPB


A mídia considerada de esquerda, como Carta Capital e Caros Amigos, ainda não entende a questão que se relaciona com a crise da Música Popular Brasileira.

Os recentes textos sobre Música Popular Brasileira apenas se limitam a atribuir à crise a uma aparente elitização da música brasileira, algo que eu defino como a síndrome da Academia Brasileira de Letras. Em outras palavras, a MPB periga se tornar a ABL musical, restrita apenas aos grandes mestres.

Só que a mídia esquerdista até agora não conseguiu ver o outro lado, que é o império da mediocridade musical que representa o brega-popularesco, até porque a intelectualidade dominante, seja de direita ou de esquerda, é, em sua maioria, de formação de classe média. Por isso que os mesmos que defendem Waldick Soriano, Zezé Di Camargo, Exaltasamba, DJ Marlboro e Banda Calypso contribuem muito mais para a elitização da MPB do que para a verdadeira valorização da cultura popular brasileira.

Quem observa bem as coisas sabe muito bem que o brega-popularesco de waldicks, zezés, marlboros, ivetes, chitões, créus, tchans, leozinhos, belos, xanddys, sandys, brunos, marrones, mulheres-frutas, calcinhas, aviões, asas, chicletes etc., etc. e etc., NÃO representa a verdadeira cultura popular brasileira.

O brega-popularesco é a chamada Música de Cabresto Brasileira. Por trás desses ídolos "naturalmente populares", existem latifundiários, empresários, políticos de direita, investindo horrores, fazendo até lavagem financeira para manter seus ídolos em evidência. Se um Alexandre Pires entra em decadência, milhões são jogados na mídia para anabolizar o marketing e manter o cantor em evidência, novamente. Se o Calcinha Preta tem que fazer sucesso em Florianópolis, é mais dinheiro ainda. O mesmíssimo recurso da política de cabresto de cem anos atrás, quando se investia horrores para os candidatos dos "coronéis" vencerem sempre qualquer parada eleitoral.

Por isso soa muito estranho que a Carta Capital tenha colocado Zezé Di Camargo & Luciano na foto de última página. Protegidos da mídia gorda - em especial, a Rede Globo, que co-produziu um filme sobre a dupla - , os breganejos simbolizam os interesses dos empresários de agro-negócio e os latifundiários de gerações mais recentes, "filhos" das políticas agro-pecuárias do "milagre brasileiro" (1969-1974), que gerou uma elite de grandes proprietários de terras que, nos anos 90, patrocinou toda a dita "música sertaneja" e toda a chamada "oxente-music".

Espera-se um pouco de semancol ao Pedro Alexandre Sanches, jornalista que Carta Capital "importou" da Folha de São Paulo, e que ele não caia na tentação de aplaudir nomes como Waldick Soriano e derivados, porque mal sabe ele que o "grande prestígio" que o cantor de "Eu não sou cachorro, não" se deu com muito apoio de latifundiários donos de rádios. E que não é surpresa alguma Waldick ter sido censurado, porque numa ditadura em que os generais não se entendiam e os censores tinham um grau variável de frescura, Waldick pode ter sido censurado por qualquer motivo, menos por ameaçar a ditadura, que aliás gostava muito do cantor, tinha aquele mesmo olhar do João Figueiredo e um jeitão de chefe do SNI.

Também soa estranho que a Caros Amigos tenha no seu quadro de colaboradores um funkeiro como o MC Leonardo, que, apesar da postura de pretenso militante, é também outro protegido da mídia gorda, sobretudo a mais popozuda delas, a Rede Globo. TODO o "funk carioca", sem exceção (não se fala, aqui, do funk autêntico de Tim Maia e afins, que é outríssima coisa), tem as bênçãos da Rede Globo e da Folha de São Paulo, e mesmo o aparente mau-humor de Veja e seu método Justo Veríssimo de ver os movimentos populares não é mais do que um outro apoio aos funkeiros, porque para os fascistas de Veja é melhor que os pobres curtam MC Créu e MC Serginho do que curtir Jackson do Pandeiro, Cartola e João do Vale.

A coisa é tão grave que o discurso que MC Leonardo faz ao seu "funk" (ele é responsável, ao lado do irmão MC Júnior, do tal "Rap das Armas" que virou tema do filme Tropa de Elite, co-produzido pela Globo - que de "rap" não tem coisa alguma) é RIGOROSAMENTE O MESMO que a Folha de São Paulo, no caderno Ilustrada, fez ao gênero, anos atrás. É RIGOROSAMENTE O MESMO discurso que o jornal O Globo fez, no Segundo Caderno.

O discurso de MC Leonardo rima muito bem com mídia gorda e, se a "filosofia" dele se afina muito bem com a visão da Folha de São Paulo sobre o "funk", fica pouco eficaz combater a mídia gorda e suas "ditabrandas", se os mesmos combatentes aplaudem a suposta "música popular" que essa mesma mídia dominante patrocina até de forma escancarada.

É por isso mesmo que, nos bastidores da grande mídia, o pessoal dá gargalhadas porque os mesmos que combatem seus editoriais políticos são os mesmos que consentem no que seus braços "culturais" impõem para o povo consumir. E que a própria direita política, do general Castello Branco ao sociólogo Fernando Henrique Cardoso, apoiou decisivamente todos os ídolos bregas e neo-bregas.