domingo, 19 de abril de 2009

NATALIE PORTMAN NOS FAZ SORRIR


Lindíssima, talentosa, formosa, sexy, graciosa, simpática, inteligente. Natalie é a mulher de todos os sonhos de um homem de bem.

MÍDIA GORDA MANIPULA O POVO COM "FUNK CARIOCA"


Cuidado. Se você for daqueles que pensa que o "funk carioca" é a "genuína expressão cultural da população sem-mídia das favelas", pode tirar o cavalinho da chuva. Usando a gíria carioca, podemos definir todo esse papo "social" do "funk" como caô e seu universo "artístico" como um legítimo 171 (corrupto).

A mídia gorda, ou melhor, a mídia obesa, ou, sendo mais claro, a mídia mais popozuda, usa o "funk carioca" para seduzir e enganar o povo e até a intelectualidade. Tem associação disso, projeto para "patrimônio" ali, e tanto aparato "sério" que disfarça a ruindade musical deste ritmo lamentável. Tomem cuidado: a mídia gorda patrocina, com gosto, o "pancadão" em todas as vertentes. A mesmíssima mídia gorda que ataca MST e chama a ditadura militar de "ditabranda".

O "pancadão" tem 25 anos de jabaculê nas rádios e o pessoal ainda pensa que isso é folclore de verdade? Fala sério!!

PERGUNTA PARA RECENSEADOR


Quantos homens estão presentes nesta sala de estar?

Resposta: Dois homens. Neste típico aposento, nota-se uma decoração típica de uma casa onde mora, provavelmente, uma mulher de 32 anos presumíveis e cuja profissão varia entre arquiteta, engenheira, advogada, publicitária e micro-empresária. Sendo neste perfil, ela deve certamente ter um marido e um filho varão em idade escolar.

A TRAJETÓRIA DO VIOLONISTA BADEN POWELL




A TRAJETÓRIA DO VIOLONISTA BADEN POWELL

Alexandre Figueiredo - O Kylocyclo zine - número um, outubro / novembro de 2000.

A juventude tem um grande ímpeto de tocar violão. Nas escolas de segundo grau, sobretudo, são comuns os jovens que, na hora do recreio ou em horários de aula vagos, se reúnem com os colegas em roda para cantarem sucessos que ouvem no rádio ou nos discos. Logicamente, o amadorismo mostra na maioria dos casos músicos medíocres que são eficazes talvez numa base de violão, mas não podem ser considerados violonistas.

Com o estímulo aos talentos rudimentares da música, herança tanto do punk rock inglês como do popularesco pós-Tropicália, muitos jovens hoje não compreendem a trajetória de um dos mais talentosos violonistas da música brasileira, Baden Powell, falecido na manhã de 26 de setembro último por infecção generalizada, consequência de uma pneumonia bacteriana. Juntamente com Tom Jobim e João Gilberto, Baden era um dos instrumentistas de maior repercussão mundo afora, por seu talento peculiar de formação erudita, sem no entanto renegar o popular (aqui se fala popular, como uma arte espontaneamente popular, e não o popularesco, este uma música popular diluída e “trabalhada” por executivos do meio artístico e fonográfico).

Baden Powell de Aquino nasceu em 03 de agosto de 1937, no interior do Rio de Janeiro. O nome foi escolhido em homenagem ao fundador do escotismo. Tão cedo Baden começou a aprender violão, aos oito anos de idade iniciou suas aulas com Jaime Florence que, entusiasmado com o talento promissor do pupilo, resolveu levá-lo para tocar na Rádio Nacional, emissora de maior sucesso no Brasil dos anos 40. Ele se apresentou até no programa de Ary Barroso, o célebre autor de “Aquarela do Brasil”. O então calouro mirim da Rádio Nacional se tornava um artista promissor, ganhando a amizade e o respeito de Pixinguinha, Donga (o primeiro compositor de samba a ter uma canção registrada em disco, “Pelo telefone”), Garoto (autor da instrumental “Gente humilde”, que vários anos após a morte deste ganhou letra de Vinícius de Morais e Chico Buarque).

Foi em 1952 que Baden, adolescente, iniciou sua carreira de músico profissional. Acompanhou vários artistas da época, da chanchada de Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo (esta uma grande estrela dos filmes da Atlântida), ao samba de Cyro Monteiro. Baden foi um dos precursores da Bossa Nova, apoiado pelos amigos Billy Blanco e Vinícius de Morais, este um poeta que havia sido diplomata de profissão e que seria bossanovista por paixão. Baden Powell acompanhou até mesmo as primeiras gravações do então pouco conhecido Roberto Carlos, no ano de 1959.

Em 1966 Baden e Vinícius gravam o LP Os Afro-Sambas de Baden e Vinícius, influenciado fortemente pelo candomblé e cuja música “O canto de Osanha” foi gravado no ano seguinte por Maysa. A dupla fez mais de 50 canções. Em entrevista feita em 1998, Baden, convertido para uma seita evangélica no ano anterior, renegou o álbum – considerado um dos grandes clássicos da MPB – , a exemplo do católico Roberto Carlos que hoje renega um de seus maiores sucessos, “Quero que você me aqueça neste inverno” cujo refrão cita o trecho “e que tudo vá para o inferno”.

Com o estouro da Bossa Nova nos EUA nos anos 60, e mais tarde na Europa e Japão, o talento de Baden se projetava no exterior, embora sua repercussão no Brasil era insignificante. No entanto, ele fez sucesso através de cantoras como Elis Regina, que gravou “Quaquaraquaquá” e “Aviso aos Navegantes”, com letra do sambista Paulo César Pinheiro, que foi marido de Clara Nunes.

Baden também musicou letras de Ruy Guerra, o moçambicano naturalizado brasileiro, cineasta do Cinema Novo que atualmente divulga o filme “Estorvo” (baseado no livro homônimo de Chico Buarque) e que em 1964 realizou o filme “Os Fuzis”. Mas outro parceiro de Baden seria mais inusitado: Geraldo Vandré, compositor que se tornou famoso por sua canção de protesto “Pra não dizer que não falei de flores”. Baden teve muitos outros parceiros (recentemente um de seus filhos se tornava violonista como o pai), com os quais trabalhou seu estilo de fazer melodias, uma combinação de jazz, música afro-brasileira, música clássica e música popular brasileira.

Apesar do talento peculiar e da poderosa bagagem musical que desenvolveu, Baden era uma figura simples, não afeita ao estrelismo. Era discreto, mas se dedicava de forma excepcional ao violão, com seus solos e melodias. Era mais conhecido no exterior do que no Brasil, e certa vez buscou exílio voluntário na França. O desbunde tropicalista que em seus maus fluídos resultou no popularesco a partir dos anos 70 estimulou os talentos amadorescos e postiços em detrimento de músicos como Baden Powell, que se tornou cada vez mais esquecido em seu próprio país.

No final dos anos 90, Baden foi contratado pela gravadora Trama, um dos melhores exemplos de dedicação à memória da Música Popular Brasileira. O selo tem como um dos donos o músico João Marcelo Bôscoli, filho de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli, e tem o apoio do meio irmão Pedro Mariano (filho de Elis e César Camargo Mariano), dos filhos de Wilson Simonal, Simoninha e Max de Castro, de Jair Rodrigues, Jairzinho de Oliveira e Luciana Mello, jovens que compõem o movimento “Artistas Reunidos”, de renovação e resgate da Música Popular Brasileira, algo que era impensável há 15 anos atrás, quando o esnobismo dos paga-paus tentava impor que jovem só gostava de rock e que a MPB se perderia na curtição dos velhos. E hoje o rock brasileiro anda numa crise mal-disfarçada com uma sucessão de clones de Charlie Brown Jr. e Raimundos sendo vendida como a “nova força” do rock nacional. Mas a MPB começa a reagir, mostrando ir bem além do establishment caetânico conivente ao axé e pagode que contaminam o mercado.

Baden Powell gravou dois discos para a Trama, quando adoeceu este ano. Foi internado na clínica Sorocaba, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, em agosto. Estava em estado grave. Uma apresentação dele no ATL Hall, no Via Parque Shopping, também no Rio, já estava sendo anunciada até nos jornais e teve de ser cancelada. Houve uma pequena melhora, mas depois piorou e faleceu em setembro, deixando uma lacuna na música brasileira. Resta o consolo dos mais de 50 discos que gravou, entre compactos, discos de 78 rotações e LPs, além dos dois álbuns que ainda virão, um deles em novembro próximo. Baden Powell se torna hoje um nome que merece ser urgentemente estudado nas escolas de música do Brasil e do mundo.


OBS.: Atualmente, os dois filhos de Baden Powell, o violonista Louis Marcel e o pianista Philippe Baden Powell seguem carreira musical seguindo as boas lições do pai.