sábado, 11 de abril de 2009

LACEY CHABERT


Está vendo essa menina adorável do seriado "O Quinteto", que foi produzido nos anos 90?

Pois essa menina tornou-se uma mulheraça estonteante e deliciosa. Vejam:

CENTROS POPULARES DE CULTURA DA UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES (CPC-UNE)


Há uma injustiça em torno da reputação que os Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC - UNE) tiveram do chamado "senso comum". Levando ao exagero os erros e equívocos cometidos, certas pessoas classificam a experiência como um "bando de pequenos burgueses frustrados querendo ensinar a 'sua' visão de cultura popular ao povo brasileiro".

Numa época em que o brega-popularesco - que é, de fato, a "cultura popular" estereotipada pelas elites, pra piorar investida não pela elite universitária, mas pelos latifundiários, grandes empresários regionais e políticos de direita - se deixa valer de supostos "preconceitos" para manter sua hegemonia sob a tutela da mídia gorda, os verdadeiros idealistas é que são as verdadeiras vítimas de preconceito.

Os CPC's da UNE podem ter sido um projeto romântico, utópico, mas tinha seus propósitos sólidos. Sua influência maior são as análises e os projetos debatidos e pensados no seio do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), uma entidade independente que surgiu reunindo pensadores de esquerda e de direita, mas que depois virou uma entidade de direita até ser destituída pela ditadura militar.

Entre os fundadores do Centro Popular de Cultura (a sede, daí o termo inicialmente em singular), estavam:
- O poeta concretista Ferreira Gullar - que os leigos podem conhecer como o letrista da versão de uma música de Juan Luiz Guerra gravada por Fagner sob o título "Borbulhas de Amor";
- O dramaturgo e ator Oduvaldo Vianna Filho (pelo nome, filho de um célebre ator de teatro). Conhecido como Vianinha, o dramaturgo, que morreu jovem em 1974, foi mentor do seriado A Grande Família, da Rede Globo, chegando a escrever episódios para a primeira versão da série, nos anos 70;
- O líder estudantil Carlos Estevam Martins;
- O cineasta Carlos Dieges, ou Cacá Diegues, um dos integrantes do Cinema Novo;
- O professor de violão e músico de Bossa Nova Carlos Lyra, ou Carlinhos Lyra, que descobriu a música de protesto no final dos anos 50 e, mesmo sem largar a BN, rompeu com o purismo amoroso de Ronaldo Bôscoli, um dos letristas do gênero.

Os CPC's tiveram adesão de várias pessoas e tinham uma visão idealista de resgatar a cultura popular de raiz, ao mesmo tempo em que incentivava ao povo a adotar uma postura política engajada. Como os membros que organizavam os centros tinham uma formação de universitários de classe média, era natural que ocorressem erros. Mas o grande triunfo dos CPC's foram a coragem de fazer alguma coisa, talvez se dessem tempo a essa iniciativa, os acertos futuros e sólidos pudessem vir. Mas não houve tempo: três anos após sua criação, o CPC encerrou suas atividades porque a UNE foi cassada pela ditadura militar. Para piorar as coisas, o Comando de Caça aos Comunistas incendiou a sede da UNE, em 1964. A UNE se limitou à atuação clandestina, depois do AI-2 que cassou a entidade.

ECOS DOS CPC'S

Com a redemocratização, os CPC's não voltaram. À inicial reeducação musical do povo brasileiro, a direita empurrou a música brega para o consumo coletivo. A música brega, que inicialmente usava a matéria-prima obsoleta de ritmos estrangeiros (quando eles estavam fora de moda), em paralelo ao uso de tecnologia obsoleta nos projetos "desenvolvimentistas" da ditadura militar, passou a desenvolver uma falsa brasilidade conforme exigiam os projetos regionais populistas, como os do baiano Antônio Carlos Magalhães, o verdadeiro pai da axé-music.

Com isso, o povo ganhou a falsa reputação de gostar de música medíocre. A atitude paternalista da intelectualidade burguesa, que era apenas um falso pretexto no caso dos CPC's da UNE, tornou-se uma realidade concreta do brega-popularesco, em que ídolos como Waldick Soriano, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano e MC Leozinho são tratados com o maior chamego.

Com isso, apagou-se a idéia de que o povo gostava de música de qualidade. Em outros tempos, a favela ouvia gente muito boa como Cartola, Pixinguinha, Luís Gonzaga, João do Vale. Elza Soares, lançada no final dos anos 50 e gravando primeiro LP em 1960, tem muita informação musical. Coisa que os brega-popularescos de hoje não têm, apesar de conhecerem as diversas tendências musicais à distância, como leigos.

O que fez o povo pobre gostar de brega-popularesco foram as rádios controladas por empresários, políticos e fazendeiros que representavam o poder coronelista e que apoiaram a ditadura militar. Desviaram do povo a influência cepecista que pouco antes atuava em excursões ao longo do país com peças de teatro, apresentações musicais, exibição de filmes e venda de discos, revistas e outros artigos, a preços acessíveis.

O LEGADO CEPECISTA HOJE: ONG'S QUE EDUCAM O POVO POBRE

Felizmente, algumas organizações não-governamentais acabam por fazer, à sua maneira, a reeducação cultural do povo pobre, para evitar que ele seja manipulado pela criminalidade ou pelo poderio dos "coronéis" que dominam a zona rural e os subúrbios e fazem o tráfico de influência até em cidades como São Paulo.

São poucas essas ONG's e certamente não financiadas por ícones popularescos - lamentavelmente, por um acesso de presunção, a Banda Calypso tentou se inscrever para o Nobel da Paz, como se "grife de sucesso" fosse justificativa para premiar uma ação filantrópica - , porque os ícones popularescos certamente vão ensinar tudo errado para a criançada.

As ONG's mais sérias, que pouco se preocupam em aparecer no Criança Esperança (se divulgar, ótimo, mas se não, é tocar pra frente mesmo assim) ou ganhar o Nobel da Paz, se preocupam com os verdadeiros ganhos sociais. No âmbito musical, se ensinam música clássica e música popular autêntica, de raiz, com muita coisa se perdido da memória popular. Ensinam também coisas como Jacob do Bandolim, Baden-Powell, Ernesto Nazareth, ensinam de chorinho à moda-de-viola autêntica (não confundir com as "releituras" de Bee Gees que se vendem como "sertanejo"), da Bossa Nova ao mangue-beat.

Certamente os alunos dessas escolas de música ouvem o brega-popularesco de nomes como Exaltasamba, Zezé Di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Banda Calypso e todo o "funk carioca". Mas com o aprendizado, essas crianças, no decorrer do tempo, vão fazer comparações e ver que o brega-popularesco que o rádio toca não é tão bom assim quanto se diz, e que a música popular autêntica fará a diferença. Como sempre faz diferença, numa análise atenta e, de fato, sem preconceitos.