sábado, 4 de abril de 2009

MÁRCIO MOREIRA ALVES

Faleceu o jornalista Márcio Moreira Alves.

Embora ligado à imprensa de centro-direita, era um dos poucos que não colocava o status de jornalista acima do serviço pela ética. Apesar de conservador moderado, ele foi corajoso em 1968 ao provocar os militares através de um discurso no Congresso Nacional em que Marcito, como era chamado pelos amigos, pediu para a sociedade brasileira boicotar as comemorações do Sete de Setembro.

A princípio, a ditadura pediu ao Congresso Nacional para punir o deputado jornalista, mas a solidariedade dos parlamentares irritou os generais, que reagiram lançando o Ato Institucional Cinco, o AI-5, no final de 1968. Márcio foi para o exílio.

Ele era do jornal Correio da Manhã, jornal carioca que a princípio defendeu o Golpe de 1964, para logo depois se opor energicamente a ele. Márcio iniciou a vida política em 1966, mas teve que interrompê-la por imposição da ditadura, que cassou seus direitos políticos, e só retomou em 1979, com a anistia.

Em seu livro 1968 mudou o mundo (Ed. Nova Fronteira, 1993), que eu li com prazer duas vezes, Moreira Alves não só fala de sua experiência pessoal, mas fala dos acontecimentos gerais de 1968. Tem uma visão autocrítica de seu ato, reconhecendo o exagero, mas entendendo o contexto em que vivia, que era de manifestações tensas, agressivas, vide o movimento estudantil, que entrava em confronto com a polícia desde o ano anterior, devido à revolta contra o acordo do MEC com a entidade norte-americana USAID, que ameaçavam transformar o ensino brasileiro num programa meramente tecnocrático.

Márcio Moreira Alves começou sua carreira política pelo MDB da Guanabara e, após a anistia, seguiu carreira no PMDB. Deixou a vida política em 1990, quando decidiu se voltar ao jornalismo, até ontem, quando um acidente vascular cerebral o matou, aos 72 anos incompletos (nasceu em 1936).

SE UM PLAYBOY HOMENAGEIA O CHITÃOZINHO & XORORÓ

Ele certamente se lembraria do pretensiosismo hipócrita dos breganejos em não apenas "macaquear" a música caipira, como também parasitar o Clube da Esquina, grande movimento de música mineira dos anos 70, regravando seu repertório em tributos oportunistas ou encomendados, ou então imitando (mal) a postura dos mineiros.

Mas, certamente, na música pseudo-caipira - herdeira explícita da música brega da linha Waldick Soriano - , não há artistas do porte de Milton Nascimento ou letristas como o Fernando Brant. O que existe no breganejo são duplas piegas, estereotipadas e com vozes estridentes, e cuja carreira dura anos por causa do apoio seguro da mídia mais do que gorda.