quarta-feira, 25 de março de 2009

PÉROLAS DO FUNK - II


É incrível, mas tem gente que ainda acredita que o "funk carioca" é um movimento cultural, que não tem o apoio da mídia e outras bobagens.

Vamos relembrar a declaração de uma conhecida atriz global - vamos poupar o seu nome - à revista Quem Acontece quando, aparentemente, saiu "entusiasmada" de onde estava sentada para dançar ao "pancadão" do empresário Fernando Mattos da Mata, conhecido como DJ Marlboro.

Sabemos que o "funk", tal como a axé-music, tem um lobby imenso entre o universo das celebridades e existem dúvidas se atores e atrizes jovens e em ascensão realmente gostam das porcarias que dizem adorar. Mas, em todo caso, vai uma pérola da atriz sobre o "funk":

"É o grito de dor do pessoal da favela".

Tal declaração é no mínimo risível, se verificarmos bem como é realmente essa "maravilhosa música" que tanto falam. Pois o "funk" fala de tudo, menos da verdadeira dor da favela. E, antes que alguém me julgue de preconceituoso e desinformado, porque me avisariam da existência de um tal "funk de protesto", eu reajo afirmando que tais "protestos" são muito vagos, e dramas como o deslizamento de morros, a prepotência do crime organizado (verdadeiros regimes fascistas nos morros, que dos fascistas usam até suas técnicas populistas) e outros problemas reais, praticamente inexistem nas "valiosas letras" do ritmo que relançou a "dança na boquinha da garrafa" num contexto "propriamente carioca".

Ultimamente, a citada atriz está em outra, e prevê-se que, daqui a dez anos, quando perguntarem a ela o que ela acha do "funk carioca", ela, séria e constrangida, deverá dizer: "por favor, não quero mais falar sobre isso".

A INGENUIDADE DA REDAÇÃO DO PASQUIM


Outra ingenuidade envolvendo a música brega proveio da redação do histórico semanário O Pasquim. O periódico tem suas inegáveis virtudes, mas ninguém dali era santo e alguns articulistas eram até dotados de uma formação machista.

Uma das ingenuidades foi creditar o sucesso do ídolo cafona Waldick Soriano como se fosse um "cantor popular de verdade", tentando creditar o grotesco como se fosse "vanguarda".

Nos úlitmos anos, e principalmente depois da morte de Waldick, a mídia gorda tentava vendê-lo como se fosse "vanguarda", e um poderoso lobby de historiadores, celebridades, jornalistas e artistas tentou defender a obra de Waldick Soriano, na vã e inútil tentativa de colocá-lo lado a lado com Antônio Carlos Jobim.



Quando publicou um texto sobre Waldick Soriano, em 1972, o Pasquim tentou creditar seu sucesso à "humilde" iniciativa dos serviços de alto-falantes da cidade de Caetité (Bahia), como se isso fosse mídia pequena, até mais nanica do que foi o Pasquim.

Só que, em cidades do interior, até os serviços de alto-falantes são financiados por comerciantes relativamente ricos para a região, certamente mais pobres do que um "bacanão" engravatado de São Paulo capital, mas ricos o suficiente para deterem o poder na cidade onde se situam. Mas há muitos que, ingenuamente, pensam que se trata de mídia microscópica, financiada por trabalhadores rurais ou, quando muito, apoiadas por marxistas, leninistas, trotskistas, guevaristas, zapatistas, chavistas, Ligas Camponesas, MST e o escambau.

Não é porque Waldick faleceu que não podemos menosprezar sua mediocridade musical. Como cantor, foi muito caricato. Queria soar operístico sem ter voz para tal, fazia pseudo-boleros tão fracos e ruins de doer e as letras eram de um sentimentalismo piegas que faria os ultra-românticos do século XIX (bodes expiatórios de toda a temática brega brasileira) torcerem o nariz. Pouco depois da morte dele, uma livraria de Salvador, a Saraiva (Salvador Shopping), tocou um DVD do Waldick e, com todo o respeito com o que ele sofreu antes da carreira musical, seu repertório é simplesmente um lixo.

Mas, infelizmente, no Brasil politicamente correto em que vivemos, essa avaliação minha sobre a música do Waldick soa como um julgamento fascista e preconceituoso. É triste, porque eu teria que louvar toda a mediocridade e todo o lixo que se produz no Brasil, em nome de palavras bonitas como "inclusão social", "fim dos preconceitos", "voz dos excluídos" etc.. E olha que, quando eu ando pelas ruas, o que eu mais ouço é música brega, dos pioneiros como Waldick a neo-bregas como Zezé Di Camargo, Alexandre Pires, Belo e Ivete Sangalo. Preconceituoso é que não sou mesmo, porque a ruindade musical eu tive a chance de comprovar com meus ouvidos e mentes.