terça-feira, 17 de março de 2009

Feital Transportes (1986-2009)















Belo desenho, linhas importantes, mas uma empresa muito mal administrada. Tinha que falir mesmo.

A Feital Transportes surgiu como empresa de fretamento, em 1986 e, acreditem, naquela época ela chegou a comprar carros Ciferal Padron Alvorada 86 novos. Em 1992, ganhou concessão para explorar linhas da Baixada Fluminense (sua sede original foi Itaguaí), e pouco depois já servia linhas cariocas. Desfez anos depois da frota da Baixada, mas até 2009 ela circulou em linhas cariocas, embora tenha entrado em processo de falência no final de 2008.

As linhas que a Feital serviu na sua agonia foram:

367 Realengo / Praça XV (via Av. Rodrigues Alves)
756 Senador Camará / Alvorada (via Sulacap)
859 Base Naval de Santa Cruz / Marechal Hermes
875 Sepetiba / Cascadura.

Como se vê, linhas de responsa. Mas a empresa foi mal administrada, não renovava sua frota e nem cuidava dos carros que podia ter. Resultado: a empresa acabou. Simplesmente.

O direitista enrustido - poucos realmente entenderam a coisa


Os "líderes de opinião" espalharam na Internet um texto inspirado em artigo da Carta Capital falando sobre o direitista enrustido. Baseado no texto "Direita, Eu", de Leandro Fortes (jornalista da Carta Capital), o texto parece relativamente parado no tempo, porque tudo que se fala do tal "direitista" parece remeter aos tempos do governo FHC.

Em resumo, o texto parece classificar de "direitista enrustido" os colunistas da revista Veja, como se eles não assumissem o perfil direitista ou como se o perfil direitista deles fosse mais sutil.

Grande engano.

O perfil desses direitistas - como André Petry, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e o falecido Tales Alvarenga, alvos do referido texto - é até dos mais explícitos. Os "líderes de opinião" foram para a boate da hora tomar uma rodada de cerveja, sem perceber o equívoco que criaram.

Vamos ao dicionário Houaiss, um dos mais sérios do país. Sobre o termo "enrustido", ele diz: "escondido", "que não se expõe", "que não assume".

Lendo os textos de Diogo Mainardi, André Petry e cia., sabemos muito bem que eles se assumem mesmo de "direita". E o clube dos direitistas explícitos está cada vez mais animado, com a adesão explícita da turma da Folha de São Paulo, que chamou a ditadura militar de "ditabranda".

O clube também ganhou a adesão da turma da CBN, rede de rádio que só é "esquerdista" na imaginação dos bitolados leitores de colunas de rádio na Internet e pelos próprios colunistas chapa-branca do rádio ("chapa-branca" ainda é com hífen? ô reforma ortográfica complicada...).

Pior é que não se trata da facção "global" (de Rede Globo) da CBN, como Míriam Leitão, Arnaldo Jabor e outros, mas da facção "independente", sobretudo influenciada pela TV Cultura (onde o âncora da CBN, Heródoto Barbeiro, também trabalha). Sim, Heródoto, Roberto Nonato, Milton Jung e outros, sobretudo Carlos Alberto Sardenberg, todos seguindo a cartilha do "bom liberalismo". Sardenberg escreveu até no seu livro Neoliberal, não - Liberal (Ed. Globo, 2008) que sente falta de uma "boa direita". A própria conduta da CBN já caminha para a direita, conforme várias denúncias de textos de Carta Capital e Caros Amigos.

No entanto, a direita enrustida não está com eles. A direita enrustida está na mídia mais "boazinha", que promete não atacar Karl Marx e Che Guevara nas reportagens, faz relativos elogios ao governo Lula e transforma as editorias culturais em reduto da intelectualidade de esquerda.

Talvez por essa parte branda da mídia de direita presentear a intelectualidade de esquerda com uma editoria quase toda para ela faz com que os "líderes de opinião" (que estabelecem um aparente meio-termo ideológico entre a Veja e a Caros Amigos) se calassem diante dos verdadeiros direitistas enrustidos.

Um exemplo de direitista enrustido é o empresário e dublê de radiojornalista baiano Mário Kertèsz, da Rádio Metrópole, de Salvador (Bahia). É tão direitista quanto Diogo Mainardi, mas ele, que como ex-prefeito da capital baiana roubou Deus e o Diabo, é capaz de enganar a esquerda local, que quase se rendeu totalmente a ele. Ingênua, a intelectualidade de esquerda baiana nem se deu conta que foi tapeada pelo direitista enrustido Kertèsz, e muito menos percebeu que o empresário-radialista caminha cada vez mais para a direita, reatando recentemente com os herdeiros do carlismo, parando de fingir que gosta do PT e atacando a esquerda toda, até o PSTU. E, mesmo assim, a esquerda baiana se comporta como esposa violentada ou como marido corno-manso: "vai, vai, me trucida, me trai, me apunhala que eu gosto".

Outro exemplo foi a revista Isto É, tão festejada pelos "líderes de opinião" por eventuais reportagens investigativas que parecem comprometer a reputação de alguns figurões abusivamente corruptos. Pois a revista andou fazendo uma campanha subliminar para colocar Fernando Collor no Senado, e como o ex-presidente não só andava esquecido como tinha seus fãs-clubes em comunidades do Orkut e em blogs chapa-brancas, a campanha funcionou, reforçada até pela tropa de choque da "direita" do Orkut. Resultado: em 2006, Collor voltou a Brasília, e se não pelo Executivo, está agora no Legislativo, o que é pior ainda. E Collor entrou na vaga da esquerdista Heloísa Helena, que deixou o Senado, e Isto É, tida como "centro-esquerda", concretizou aquilo que para a redação de Veja é ainda um grande sonho.