terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Toma Lá, Dá Cá chega ao fim


Amanhá será exibido o último episódio do seriado Toma Lá, Dá Cá, da Rede Globo de Televisão.

Lançada diante da estranha suspensão do seriado A Diarista, em 2007, o seriado escrito por Miguel Fallabella, um dos atores do elenco, de Maria Carmen Barbosa (filha do compositor Haroldo Barbosa) e outros redatores, foi bem intencionado, mas era fraco, embora legalzinho de se ver.

As histórias não eram ruins, mas a ação era pouca, diante de tanto tempo em que os personagens perdem tempo contando causos, o que fazia o seriado ser por vezes chato, embora tenha também alguns bons momentos, como o grande Ítalo Rossi fazendo o Ladir e o falecido Miguel Magno, em seu hilário talento de interpretar papéis femininos, no papel de Drª Percy.

O seriado se destaca também por personagens que satirizam certos tipos sociais. Vemos a empregada Bozena (interpretada por Alessandra Maestrini, atriz mais bonita do que sugere a personagem), a contar histórias do povo de sua terra natal, Pato Branco, no interior paranaense. Ladir é a sátira do machista em geral, que na sua masculinidade exagerada se esquece de que pode se tornar um homossexual.

Mas há também outros personagens:

1. Copélia (vivida por Arlete Salles), satiriza a vida clubber e a libertinagem festiva dos jovens de hoje, indicando a mensagem subliminar de que essa obsessão por noitadas e pelo entretenimento vulgar e por vezes pornográfico desses jovens é uma coisa antiquada e ultrapassada, já que no seriado esse "ideal de vida" é representado por uma personagem idosa.

2. Adônis (vivido por Daniel Torres) é um adolescente altamente questionador, cético em relação ao mundo, intelectualizado e atormentado. Não fosse o estereótipo humorístico de um seriado comercial, Adônis teria sido um existencialista.

3. Isadora Dassoin (vivido pela deliciosa Fernanda Souza) é a "Solineusa" (espécie de pré-Norminha que Dira Paes fez em A Diarista) do seriado, no sentido da burrice e da personalidade vulgar. Só que Isadora, dada a falar palavras erradas ou ideias estúpidas, é também desonesta e corrupta, e frequentemente sai pelas ruas junto com Copélia.

As críticas sociais, através desses personagens, é um mérito do seriado. Toma Lá, Dá Cá tem sua razão de ser, mas o seriado termina com seu potencial criativo esgotado. Resta agora o projeto de um filme, mas certamente o seriado se encerra completando toda sua munição temática e criativa. E A Diarista promete voltar no ano que vem.

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