domingo, 6 de dezembro de 2009

Padronização visual dos ônibus é PIOR do que se imagina


Eduardo Paes acabou fazendo um de seus piores erros como governante, e em parte arranhou sua imagem pública e não sabe. Pois, apostando na padronização visual dos ônibus cariocas, numa cidade cuja realidade não comporta este projeto, Paes estará causando mais problemas do que se pode imaginar, mesmo numa perspectiva mais cética.

RISCO DE PEGAR ÔNIBUS ERRADO GARANTE ENTRADA DE AÇÃO POPULAR CONTRA O PROJETO DE EDUARDO PAES

Imagine o grande número de cidadãos que pegará ônibus errados, coisa que nenhuma campanha informativa, cheia de panfletos, guias na Internet etc, conseguirá resolver. Esse pessoal não tem tempo para ficar memorizando cor de trajeto ou tipo de ônibus, que empresa serve tal trajeto ou não, e ficará muito confuso com tais "novidades".

Isso sem falar de pessoas mais velhas, de analfabetos, de pessoas muito pobres, de estudantes e deficientes, é uma GRANDE MULTIDÃO A SER LESADA pela uniformização visual dos ônibus. Só isso já permite que se mova uma ação popular contra o projeto de Eduardo Paes, com o claro objetivo de derrubar a lei. Saiba mais aqui.

Outras desvantagens são a incapacidade de identificar a empresa de ônibus, a falta de autonomia operacional das empresas e o controle mais político do que administrativo do governo municipal. Na teoria, tudo é maravilhoso, qualquer erro pode ser resolvido de forma milagrosa. Mas, na prática, esse projeto se mostrou complicado, não funcional e apenas paliativo, com êxitos provisórios pequenos, que não justificam a prevalência desse modelo de transporte coletivo.

O que Dudu Paes fez é digno de um FEBEAPÁ. Até o André Neves, busólogo que está por trás do Clube do Ônibus Legal, classificou o ato como uma IMBECILIDADE.

O que Eduardo Paes não sabe é que o desgaste do padrão "curitibano" nos ônibus brasileiros torna-se realidade logo em duas das primeiras capitais que implantaram o embuste, como Curitiba e São Paulo. Sua relativa eficácia não consegue compensar os sérios defeitos, e o que se vê vai desde o aumento dos automóveis nas ruas e os ônibus lotados, até mesmo a desvalorização dos ônibus dessas cidades, que só aparecem em páginas busólogas mais a título de informação. E os passageiros pegando ônibus errados constantemente, só que poucos botam a boca no trombone da imprensa.


SISTEMA DE ÔNIBUS DE SÃO PAULO EM 1977: MAIOR DIVERSIDADE VISUAL E UMA FUNCIONALIDADE QUE O PADRÃO "FUTURISTA" DE HOJE NÃO CONSEGUE EXERCER

O transporte coletivo de São Paulo está tão decadente que houve até casos de corrupção e crimes de morte envolvendo empresas de ônibus, e seu desastroso serviço consegue até mesmo unir o jornal conservador O Estado de São Paulo e o periódico esquerdista Brasil de Fato numa mesma causa, a de desmitificar o transporte coletivo paulista, bonitinho de se ver (né Jair Barreiros?) e muito pouco funcional. E olha que a mídia não mostra todos os problemas existentes no transporte coletivo, há muita coisa pior que nem sai na imprensa.

Maquiar o problema do transporte coletivo aumentando o controle político da prefeitura não resolve. Só transforma o sistema de ônibus num mecanismo "chinês", mesclando rígido controle político com investimentos da iniciativa privada.

TRABALHO SERÁ DESFEITO, CEDO OU TARDE - O que se sabe é que o projeto da uniformização visual dos ônibus cariocas, se caso for implantado, será um dia desfeito. O fracasso será retumbante, porque as classes trabalhadoras, de tanto se confundirem ao pegar ônibus e forçadas a pagar mais passagem por causa disso, vão botar por água abaixo todo o êxito do projeto do prefeito do Rio Eduardo Paes.

Além disso, as próprias autoridades estrangeiras acharão estranho o projeto. A diversidade de cores das empresas de ônibus do Estado do Rio de Janeiro, por sua originalidade, beleza e funcionalidade - do contrário que o Jair Barreiros do site Ônibus & Cia. disse, a diversidade visual não é só questão de ônibus bonitos, mas de ônibus também identificáveis - , é algo que não se viu em qualquer outra parte do mundo e já despertou a atenção de muitos estrangeiros por essa verdadeira combinação do útil com o agradável.

Acabando com a diversidade visual, Eduardo Paes só agradará o grupinho de políticos, tecnocratas, empresários e busólogos chapa-brancas que apoia este embuste que irá, sem a menor dúvida, confundir e irritar profundamente a maior parte dos usuários.

É bom deixar claro para certos busólogos e empresários que defendem coisas como uniformização visual, pool nos ônibus e outras bobagens que uma ideia deve prevalecer quando as vantagens superam as desvantagens, e não porque as poucas vantagens são do agrado dessa minoria barulhenta e ligada a certos grupos de poder. Se insistir em prevalecer suas ideias duvidosas, mesmo depois que elas se revelaram ineficazes, esse pessoal acabará formando um movimento de busologia golpista, onde os interesses de alguns privilegiados prevalecem mesmo em choque com a maior parte da população.

Uma coisa é certa. Pedimos para os empresários de ônibus do Rio de Janeiro juntarem um fundo para que, quando o processo de uniformização visual fracassar (talvez antes de todas as frotas serem repintadas), comprem tintas para recuperar a antiga diversidade visual.

2 comentários:

Lucas Rocha disse...

A foto de 1977, tirada no centro de São Paulo, parece ser dos anos 50 (quando o fusca e a Kombi, dois veículos da montadora alemã Volkswagen, eram incipientes no Brasil da Era JK)... Mas ela deve ter um Chevette no fundo.

marcos.nascimento9898 disse...

A foto do centro de SP realmente é da década de 70 e meu pai lembra nitidamente das cores e diversidade visual das 75 empresas da época que de repente tiveram que se reorganizar (formando monopólios com a "benção" do prefeito da época) e passaram a adotar cores de acordo com a região (embora na época quase não foi percebido pela população de então pois os ônibus continuavam coloridos e com cores variadas, pois somente a cor da parte inferior era obrigatória, ou seja,dependendo da região e área ela deveria ser marrom, laranja, verde clara, verde escura, azul clara, vermelha, azul escura etc... A cor da parte SUPERIOR da carroceria era livre, ou seja, poderia ser usada ao gosto da empresa. Mas no caso do Rio, a nova padronização a ser implantada oficialmente a partir de Outubro de 2010 é completamente sem estilo, sem charme, sem nada! É simplesmente um ônibus pintado na cor branca e mais NADA !!! até o tamanho do prefixo lateral do ônibus diminuiu bastante de tamanho impedindo uma boa fiscalização da população e o nome da empresa passa a ser pintado bem pequeno dando lugar ao inútil letreiro em tamanho maior CIDADE DO RIO DE JANEIRO (imitando portanto S.Paulo). O Curioso é que tecnocratas da SPTRANS (uma paraestatal de transporte urbano em SP) estão TRABALHANDO dentro da SMTR e eles odeiam o Rio, assim como o Exmo.Prefeito Dudu Paes! Ou será que ele não odeia o Rio? Alguém tem alguma dúvida ?
marcos.nascimento98@yahoo.com.br

Não sou carioca e nem fluminense, morei alguns anos no Rio, mas aprendi a amar a cidade que está ficando cada vez + maUravilhosa ! Moro em SC no Sul do Brasil e estou PERPLEXO pela tamanha falta de visão de um Prefeito eleito pela maioria do Povo que como sempre continua sofrendo e penando por governantes mais preocupados com coisas mais sérias e não com as cores dos ônibus...