domingo, 27 de dezembro de 2009

MENSAGENS SUBLIMINARES II - SAMBREGA (Ingênuo Raggi Parte 3)


Tivemos a primeira parte, depois a segunda, e agora temos a terceira parte de nossas mensagens subliminares do reacionário Eugênio Raggi, um mineiro que se acha "juiz maior" da cultura brasileira.

AF: símbolos desse populismo televisivo e radiofônico que contou com o apoio mais do que explícito dos mais reacionários políticos de direita, como Fernando Collor, Renan Calheiros, Antônio Carlos Magalhães, etc..

EUGÊNIO RAGGI: Essa linhagem reacionária comanda o Brasil há 500 anos. São os mesmo
que abrigaram, no costado da mídia então estatal, gente como Radamés, Noel, Orlando Silva, Assis Valente, Ary Barroso, Carmen, Emilinha, Marlene, Ataulfo Alves...Pesquise um pouco e vá ver como essa gente (talentosíssima, diga-se) valeu-se de um projeto de cultura de Estado.
Vá ver como Chico, Jobim, Caetano, Pixinguinha (teve até uma novela daGlobo com o nome de sua música) emplacavm seus grandes sucessos nas novelas globais. Leia o levantamento feito por Paulo César Araújo sobre as trilhas das novelas globais e veja o quanto os medalhões da MPB foram beneficiados por este padrão global, apoiado por toda essa gente...Collor, ACM, Sarney...Todos donos de retransmissoras da Globo, que nos anos 60, 70 e 80, no horário nobre, executavam "Luiza"(Jobim), "Carinhoso"(Pixinguinha) ou "Alegria, Alegria" (Caetano).

Para não dizer que isso mudou recentemente, veja quais músicas abrem as 4 principais telenovelas da Globo atualmente: "Desejo Proibido", das 18:00, tem "Desenredo" (Dori e Paulo César Pinheiro) como tema de abertura. "Beleza Pura", às 19:00, tem a canção homônima de Gilberto Gil como tema. "Duas Caras" tem Gonzaguinha pra começar. "Queridos Amigos" tem Milton Nascimento.

Tua teoria conspiratória é uma farsa.

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Coitada da grande mídia, que eu finjo odiar mas adoro (eu vejo Domingão do Faustão, vejo SBT, mandei até e-mail para o 'Vrum'), que quer destruir a rica cultura brasileira que faz o povo usufruir dos mesmos valores que nós, a elite sofisticada que vive em Belo Horizonte mas brinca de viver em Ipanema, outrora apreciamos.

Como a gente consumiu Bossa Nova, marchinhas, sambas, serestas etc, comemos muito desse banquete cultural e agora queremos defecar. E você vem associar meus queridos ídolos bregas e pós-bregas a ACM, Sarney e Collor?

Adoro meus ídolos bregas e adoro Collor, ACM e Sarney, mas você vai deixar vasar tudo isso para estragar a festa? Vai vasar uma coisa dessas, para provocar a demissão de quem investe muito dinheiro no sucesso desses ídolos? Vai confundir a mente do povo, quando eu e minha elite já estávamos felizes com o conformismo popular com tudo que está aí?

Tua "teoria conspiratória" é uma "farsa", ou seja, não é nada conspiratória, e por isso eu tenho pavor de sua tese. Eu quis chamar esse pessoal da cultura popular de reacionário só para provocar, mas o reacionário mesmo sou eu.


AF: Isso sem falar que o sucesso "espontâneo" dessa "verdadeira música popular" se deveu, e muito, pela decisiva farra de concessões de rádio e TV de ACM e Sarney para políticos e empresários aliados aos dois, nos anos 80.

EUGÊNIO RAGGI: Para manipular o povo com músicas ruins e impostas, né? Só falta agora
o megafone com a Internacional Socialista ao fundo pra denunciar pro mundo inteiro esse descalabro.

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Para manipular o povo com músicas ruins e impostas, né? Você não sabe que eu sou direitista, reacionário, e o meu anti-comunismo (saudade das passeatas Deus e Liberdade) só falta comparar Waldick Soriano a Deus para comprovar minha tese possuidora da verdade absoluta.

AF: Se não fosse essa falcatrua toda, ao invés de termos Alexandre Pires e Belo como grandes ídolos, teríamos Wilson Simoninha e Pedro Luís.

EUGÊNIO RAGGI: Se não fosse a democracia, conquistada com muito suor, sangue e lágrimas por essa gente, não teríamos essa diversidade cultural, onde cada um ouve o que quer. Mas gente obtusa feito você acha que o sucesso de belo e Alexandre Pires é um produto de mídia.

Nada disso, meu caro. "É o povo quem comanda o show e assina a direção", não é mesmo Jorge?

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Se não fosse a Revolução de 1964, que restaurou a democracia de nossa gente, conquistada pelas relações entre um povo submisso e trabalhador (gerando a riqueza que minha elite usufrui), não teríamos esse pop comercial brasileiro, onde cada um ouve o que rola no rádio. Mas gente com senso crítico afiado como você acha que o sucesso de Belo e Alexandre Pires é um produto de mídia. Na verdade, é, a Globo não deixa mentir, mas você tinha que espalhar isso, seu covarde?

Pois então, seu pensamento não vale, meu caro. É a mídia que comanda o show, o povo só assina a direção com uma rúbrica qualquer, não é mesmo Jorge Bornhausen?

AF: Ao invés de termos Ivete Sangalo ou Cláudia Leitte, teríamos, por exemplo, Roberta Sá como nossa diva maior.

EUGÊNIO RAGGI: Roberta Sá é aquela mesma que foi lançada ao público de massa pelo"Fama", aquele programeco da "Globo"? Aquela empresa dos Marinho, dos Sarney, dos Magalhães, dos Collor?

Você é patético.

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Roberta Sá não é uma cantora alternativa que entrou num reality show para devolver as melodias perdidas da memória do povo? E olha que eu, pedante e reacionário, quis associar a Roberta Sá à máquina da Globo, quando sabemos que aquela empresa dos Marinho, dos Sarney, dos Magalhães, dos Collor (todos meus mestres) na verdade promovem mesmo é o sucesso de Ivete Sangalo e Cláudia Leitte.

Você me horroriza com seu senso crítico que estraga o equilíbrio do "sistema".

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