terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Curitibanização" dos ônibus mostra incoerência com o contexto atual


A "curitibanização" do sistema de ônibus em qualquer cidade do país revela uma grande incoerência em relação ao contexto atual da sociedade.

Por isso mesmo até prevejo que esse modelo de sistema de ônibus vai decair mais tempo ou menos tempo, só sendo aproveitadas algumas poucas vantagens. Com a máxima segurança, a padronização visual, por trajeto ou tipo de ônibus, está FORA dos aspectos aproveitáveis do sistema. Não é preciso ser doutor em engenharia para prever isso, aliás é aconselhável até não ser doutor em engenharia, mas veterano em vivência pessoal e prática como passageiro de ônibus.

Pois esse modelo "curitibano", que já aponta decadência tanto em Curitiba como em São Paulo - que só prevalece porque os ônibus, mesmo pouco funcionais, são bonitos - , cidades que fazem justamente o principal marketing desse modelo de sistema, mostra total incoerência com o contexto de sociedade em que vivemos.

Numa época em que se fala em enxugar e evitar a sobrecarga da estrutura do Estado brasileiro - seja nas esferas federal, estadual e municipal - , num país que atualmente quase não possui bancos estatais (aliás só tem a CAIXA - Caixa Econômica Federal - , porque o Banco do Brasil é de economia mista) e que assistiu a uma multiplicação de universidades particulares que rompeu com a antiga supremacia do ensino superior público, falar numa "Empresa Municipal de Transportes", dentro desse padrão "curitibano", é totalmente sem sentido.

ESTATAL "MASTODÔNTICA"

Pois, apesar dessa "empresa" se autodefinir como "mera fiscalizadora" do transporte coletivo, na prática se torna uma estatal de transportes. Politicamente, é uma estatal até bem mais "mastodôntica" do que as antigas empresas estatais que concorriam com as empresas particulares nas capitais brasileiras.

Pois é uma empresa estatal, vinculada à Secretaria de Transportes de um município, dotada de poderes para controlar as linhas de ônibus que, apesar de serem concessões públicas, não precisa ter essa estrutura "chinesa" da mão-de-ferro municipal. Dizem que os empresários de ônibus têm poder de decisão, e que o interesse é do passageiro, mas quanto ao primeiro isso é relativo, e quanto ao segundo, isso na prática não existe. Porque são decisões praticamente vindas "de cima" e somente quem é desinformado das coisas apoia tais decisões, porque na sua ignorância acaba tomando como "sua" as causas de engenheiros (tecnocratas), políticos e empresários. E fica defendendo com mãos-de-ferro essas causas em páginas de discussão na Internet.

A "Empresa Municipal de Transportes", qual nome ela tenha, controla as linhas de ônibus e decide até nas renovações de frotas. As empresas de ônibus particulares apenas participam no processo econômico e técnico, mas em compensação terão maior pressão nas prefeituras e, deixando de controlar as linhas de ônibus de forma autônoma, poderão por outro lado ter mais influência na pressão eleitoral.

A própria padronização visual não é mais do que uma propaganda dessa empresa estatal, que na prática operará em regime de economia mista, mas dentro de um padrão que denomino de "chinês", por causa do rigor político aliado aos investimentos da iniciativa privada.

Por isso mesmo isso torna-se incoerente, e vai fracassar, seja no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e outras cidades. Pois Florianópolis já acabou com a padronização visual faz tempo, as empresas aos poucos vão recuperando a personalidade visual e operacional.

Sei que não tenho o prestígio e o status dos tecnocratas do transporte coletivo, e minhas previsões serão vistas como "delírios". Mas eu tenho intuição e observação, e os fatos futuros comprovarão que minhas análises estarão certas.

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