domingo, 27 de dezembro de 2009

Criminosos passionais: tragédia anunciada?


"HEY JOE", SUCESSO DA BANDA JIMI HENDRIX EXPERIENCE (FOTO), É UM RECADO A UM CRIMINOSO PASSIONAL. TOCADA DE TRÁS PARA FRENTE, A FRASE "HEY JOE" SE TRANSFORMA EM "YOU'RE DEAD".

Ser criminoso passional, no Brasil, é moleza. Sob pretextos supostamente moralistas, em prol da "legítima honra masculina", transforma-se as própria mulher em cadáver, por motivos muito tolos ou fúteis. Depois, o algoz se comporta que nem um carneirinho quando é preso, faz toda uma choradeira de crocodilo nos tribunais e se livra da cadeia numa boa, como se nada tivesse acontecido. Pode circular em qualquer lugar, até sair do país, mas deve evitar lugares onde familiares e amigos da vítima residem ou frequentam, para evitar incidentes desagradáveis. São beneficiários de uma impunidade que tornou-se rotina em todo o país.

Mas o que a turma das mensagens subliminares parece refletir é com relação a certos episódios que podem sugerir um futuro sombrio (ou melhor, nenhum futuro) para essa facção inútil da humanidade, de homens que, sabendo do erro, cometeram crimes cruéis contra pessoas inocentes, e saíram impunes e gozam futilmente dessa impunidade (apesar deles dizerem que sofrem muito).

Três fatores, um relacionado à música, outro à geografia e outro aos nomes próprios pode fazer a machistada sanguinária se arrepiar, diante do sentido subliminar que envolve tais fatores. O que faz sentido, se verificarmos que o machismo vingativo e medieval de certos homens não encontra respaldo na sociedade evoluída de hoje, e não é a impunidade deles em países como o Brasil que os fará transformarem em gentlemen privilegiados do Terceiro Milenio.

Comecemos pelo primeiro deles, relacionado aos nomes próprios, e depois vamos para os seguintes:

1) Dois criminosos passionais da geração sênior, Doca Street e Pimenta Neves, são na verdade xarás de dois cantores brasileiros já falecidos, respectivamente Raul Seixas e Antônio Marcos. Doca, aliás, tem uma ironia sombria: o prenome Raul de um homem que matou a ex-pantera Ângela Diniz (como ela foi conhecida, a "Pantera de Minas"). Pois a primeira banda de Raul Seixas foi RAULZITO E OS PANTERAS. Uma música desse grupo, "Você Ainda Pode Sonhar", versão de "Lucy In The Sky With Diamonds", dos Beatles, Raul Seixas parece cantar suavemente feito um anjo, pouco depois de trinta segundos da música tocada de trás para frente (e que, no sentido normal, corresponde aos últimos versos antes do refrão final): "Vem-te, Doca, comigo, sua astronave passa". O próprio Raul Seixas, na letra de SOS, de 1975, havia pedido para o "moço" do disco voador (ou astronave) levar o próprio cantor para "onde você (o "moço", ou melhor, o extraterrestre) for".

2) O mais famoso crime passional ocorrido no país nas últimas décadas, o de Doca Street contra a socialite Ângela Diniz, ocorreu no então distrito de Cabo Frio, Armação dos Búzios. Buzios, como o distrito também é conhecido, se avizinhava com o distrito de Casimiro de Abreu, Barra de São João.

Sabemos que José Marques Casimiro de Abreu (1837-1860) foi um dos maiores poetas do movimento ultraromântico brasileiro. E os poetas ultraromânticos eram meio que nerds, no sentido de que viviam uma vida pacata, eram joviais, solitários e tristes. É o perfil extremamente oposto do de Doca Street, que simbolizava o machista vitorioso, garanhão, que não aceita derrotas nem desilusões.

Com a transformação tanto de Búzios quanto de Barra de São João em municípios, nos anos 90, a vizinhança de ambos não terminou. E, por ironia, o corpo de Casimiro de Abreu está enterrado não na cidade deste nome, mas em Barra de São João, que fica a meia-hora de Búzios.

O crime contra Ângela Diniz ocorreu em 28 de dezembro, uma semana antes do aniversário de nascimento do poeta ultraromântico, em 04 de janeiro. No artigo em sua homenagem, Otto Lara Rezende, mineiro como Ângela e falecido em outro 28 de dezembro, em 1992, mesmo dia que outra jovem assassinada, Daniella Perez, foi morta (não por seu marido, que era aliás gente muito boa, mas por um outro ator que dizia admirá-la), evocou aspectos típicos da poesia de Casimiro, como a saudade dos tempos de infância. Está no capítulo "O voo interrompido", do livro O Príncipe e o Sabiá, coletânea de crônicas.

3) HEY JOE - A música "Hey Joe", cuja letra é destinada a um criminoso passional que fugiu para o México, é dotada de muitos aspectos sombrios. Seu compositor, o cantor Billy Roberts, ficou inválido por conta de um grave acidente de carro.

Mas a trágica ironia por conta da música está por conta da banda que tornou a canção famosa, The Jimi Hendrix Experience. Hoje, todos os seus integrantes - o guitarrista Jimi Hendrix, o baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell - e o produtor e empresário da banda, o também músico Chaz Chandler (que integrou os Animals), estão mortos.

Numa mensagem subliminar tipo "virundum", uma passagem de "Hey Joe", "Yes I did, I shor her" ("Sim, matei ela") parece dizer "E essa vida chata?", sugerindo a situação de Joe, depois do crime cometido.

Invertendo a faixa como se tocasse de trás para frente (no vinil seria tocá-lo no sentido anti-horário), por volta de 1 minuto e 15 segundos da música, Jimi Hendrix parece cantar "What've done for you? What you'd for death on your own?" (traduzindo: "O que você fez consigo mesmo? Porque buscou a morte para si mesmo?"). O próprio título da música, "Hey Joe", tocado de trás para frente, diz "You're Dead" ("Você está morto").

Não bastasse isso, o último verso da versão de "Hey Joe" pelo grupo O Rappa, ainda que adotasse um tema diferente do original, diz claramente: "Também morre quem atira".

Uma outra música da época do sucesso do Jimi Hendrix Experience, o derradeiro sucesso do soulman Otis Redding, se intitulou "Dock of The Bay" ("Doca da Baía"), daquele mesmo ano de 1967 em que Otis morreu. Em 1994, o similar baiano de Doca Street (ou seja, o "Doca da Bahia"), o empresário Otto Willy Jordan (que havia matado sua esposa em 1989), morreu em um desastre aéreo, a mesma causa da morte de Otis Redding.

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Não teria sido melhor que os criminosos passionais tivessem sido presos em regime fechado?

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