domingo, 20 de dezembro de 2009

Corrompida pelo brega, Alcione recomenda cantor de sambrega


Alcione faz parte daqueles nomes de inegável talento que, no entanto, acabam sucumbindo a certas roubadas. Não se nega a contribuição dessa maranhense radicada no Rio de Janeiro ao samba, como não se nega sua voz possante e seu carisma.

No entanto, não temos que apoiar a fase brega da cantora, quando ela, cooptada pelo esquema mercantilista de Sullivan & Massadas, passou a gravar sambas-canções pasteurizados, que fizeram a escola de uma geração de pseudo-sambistas que tornou-se conhecida como "pagode mauricinho" ou sambrega.

Agora, parte dessa geração é tratada como se fosse "sambista de verdade" sem que seu talento medíocre tivesse um salto qualitativo sequer razoável. É o caso de Alexandre Pires e Péricles, vocalista do Exaltasamba (um dos ícones do sambrega que hoje tenta parecer sambista de verdade; assim como o Bon Jovi, lá nos EUA, tenta parecer roqueiro de verdade - uma imitação barata que tenta imitar no máximo a original).

Ambos, infelizmente, acabaram apadrinhados por Alcione, que gravou um sucesso do Só Pra Contrariar, antiga banda de Alexandre Pires (hoje tendo à frente o irmão dele, Fernando Pires), e, numa reportagem de hoje do Segundo Caderno de O Globo, sobre os cantores brasileiros, recomendou o Péricles como "novo grande cantor brasileiro".

Numa época em que o lobby da música brega e neo-brega (esta juntando elementos da MPB pasteurizada dos anos 80) tenta aliciar a MPB na marra, como uma verdadeira tradução do clientelismo político na música brasileira, não podemos sucumbir à fúria de reacionários que acusam nossa rejeição ao brega-popularesco de "preconceito". Pelo contrário, esses reacionários é que são preconceituosos, porque eles mesmos têm medo de saber o que realmente esses cantores, sejam sambregas, breganejos, axezeiros, funqueiros etc, estão cantando. Falam bem de Exaltasamba, Zezé Di Camargo & Luciano, Banda Calypso, Chiclete Com Banana, Odair José e DJ Marlboro, mas quando estão em casa morrem de medo de ouvi-los sobriamente. Com o medo maior de reconhecer a ruindade gritante de suas músicas.

Para esses reacionários, não tem altos e baixos para Alcione nem para Roupa Nova ou Roberto Carlos. Pior, também não veem defeitos em Alexandre Pires, Ivete Sangalo, Zezé Di Camargo & Luciano, DJ Marlboro, entre outros ídolos popularescos. Eles vivem na ilusão da idolatria absoluta, que cega seus olhos e envenena seu coração.

E, quando a menor crítica construtiva se faz a um nome como Zezé Di Camargo & Luciano, esses reacionários partem para a fúria, e, nervosos, disparam mensagens grotescas contra nós, xingando, fazendo ironias, desaforos, na maior arrogância. Coitados aqueles que reagem assim, porque pelo temperamento violento acabam por contribuir para o fracasso ainda maior de seus ídolos.

Quanto a Alcione, é melhor não levar a sério a recomendação a Péricles que, como o outro apadrinhado por ela, Alexandre Pires, pega carona em tributos à MPB para disfarçar sua mediocridade e tentar justificar o sucesso comercial com algo mais "convincente". Porque é a Alcione manipulada por Michael Sullivan & Paulo Massadas que está falando, não a Alcione que cantou "Não Deixe o Samba Morrer". Pois a Alcione que apoia o sambrega está mais para alguém que deixa o samba morrer nas mãos de falsos sambistas.

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