domingo, 22 de novembro de 2009

ROBERTO JUSTUS NÃO É DICK FARNEY


O publicitário, empresário e sugar daddy Roberto Justus avisou que vai cantar no especial de fim de ano do SBT.

Como nós não somos bobos - eu, por exemplo, nasci em 1971 mas não posso ficar indiferente ao que aconteceu nos anos 50-60 - , é bom deixar claro que Roberto Justus NÃO é Dick Farney, um dos grandes símbolos de voz grave e repertório sofisticado.

Primeiro porque Justus é apenas um crooner, que grava repertório já previamente gravado por outros, entre os standards de Hollywood e o pop romântico setentista - mas nada que anime os órfãos da Antena Um carioca, por exemplo - e não trabalha com um repertório próprio e inédito, ainda que composto por outrem.


PASMEM VOCÊS, NA OCASIÃO DESTA FOTO O EMPRESÁRIO ROBERTO JUSTUS NÃO ESTAVA A SERVIÇO. PIOR: A JOVEM ESPOSA TICIANE PINHEIRO É QUE FOI ACOMPANHAR O GUARDARROUPA SISUDO E ANTIQUADO DO MARIDO, QUE TEM A MESMA IDADE DOS SOBREVIVENTES DA BANDA INGLESA THE CLASH.

Segundo, porque essa "sofisticação" de Justus tem aquele cheiro mofado do granfinismo vazio e oco, aquela obsessão de ternos, black ties, rigidez na etiqueta e outras coisas que fazem até a revista Caras torcer o nariz de tanta sisudez. Não é por acaso que o oftalmologista aspirante a escritor Almir Ghiaroni sumiu das colunas sociais, já que estas hoje se voltam mais para mostrar Thiago Lacerda, Rodrigo Lombardi e outros de bermudão e tênis.

Justus continua na mídia e em Caras. Afinal é um sucesso no mundo da Administração. Mas dá para perceber que ele e Malcolm Montgomery - este um pouco mais flexível em relação ao padrão sisudo de sua geração, mas nada que o faça ter a natural jovialidade de um Evandro Mesquita - têm que se maneirar, entre a indisposição de assumirem a mesma juventude espiritual de Serginho Groisman e o constrangimento da perda de sentido relevante do padrão de elegância que essa geração de executivos, empresários e profissionais liberais born in the 50's havia aprendido há mais de 35 anos atrás, quando eles eram meros universitários.

A propósito, ainda vou falar noutra oportunidade sobre o cantor Dick Farney, mas adianto que ele era um cantor pré-Bossa Nova, admirado até por Cadão Volpato (do Fellini) e que mesmo com sua postura de cantor romântico entendia muito de jazz e era exímio pianista. Em 1990, em Salvador, eu ouvi um disco instrumental dele de jazz, lançado originalmente em 1962 e então relançado pela RGE, e adorei. Quando puder, vou comprar o disco.

Agora, sobre o clássico bossa-novista "Garota de Ipanema", que Justus dedicará a sogra Helô Pinheiro, ela já foi triturada antes por outro cantor pseudo-sofisticado, Alexandre Pires, em 2003, quando o ex-Só Pra Contrariar se apresentava para imigrantes hispânicos com a presença do então presidente dos EUA George W. Bush. Pelo jeito o ápice da "excelente" carreira estrangeira do cantor de sambrega.

Um comentário:

Marcelo Pereira disse...

Diga-se de passagem que ele parece mais velho que a própria sogra.

Pena que a Dercy Gonçalves morreu. Ia fazer um lindo par romântico com Justus.