segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MÍDIA RUIM II - SITES DE FOFOCAS


É preciso deixar muito claro que não se deve confundir a mídia de fofocas com a mídia específica de colunismo social. A primeira mostra quase que exclusivamente celebridades da televisão, a segunda mostra, além destas, empresários, profissionais liberais, socialites e ricos em geral.

Aqui mostramos os sites de fofocas, que é uma forma virtual das revistas de fofocas, que depois serão analisadas.

Esta mídia é o paraíso astral da futilidade virtual, das notas tolas sobre ex-BBB, das banalidades até mesmo dos famosos, algo como uma versão trash do que acontece na mídia estrangeira. A mídia fofoqueira britânica, por exemplo, é bem grosseira, mas não chega à cafonice patética da similar brasileira, apesar desta ser politicamente correta.

Dos principais sites de fofocas, o Terra Diversão é o mais contido. É claro, mostra boazudas mostrando o corpo em qualquer situação (é só isso que essas nulidades sabem fazer), às vezes exalta algum ídolo popularesco, mas seu conteúdo é mais cauteloso, às vezes aparecem notas até sobre o cantor Morrissey, por exemplo.

Em seguida, aparece o Babado, que é mais específico nos famosos da televisão. Já é um pouco mais brega, mas não cai na esculhambação. Depois entra o Fuxico, que aí já pesa um pouco mais para a cafonice, cai um pouco no nível. Houve uma época que não faltavam notas sobre qualquer bobagem envolvendo a dançarina da Gang do Samba (genérico do É O Tchan), Rosiane Pinheiro.

Há também o Portal Ego, das Organizações Globo, que, por incrível que pareça, mergulha na futilidade feito criança louca para brincar na piscina. O site endeusa ídolos popularescos e enche a bola das nulidades que fizeram parte do Big Brother Brasil. Certa vez, noticiou o reencontro de uma ex-BBB com outra colega do riélite como se fosse um grandioso reencontro de pessoas que não se viam há décadas. Além disso, o Ego também procurou resgatar a imagem de ídolos bregas, reforçando a falsa imagem de injustiçados dos mesmos.

Mas, entre estes sites, o campeão de breguice é o Futrico, que no momento está inacessível porque foi invadido por vírus. Mas, quando este site era acessível, o que se via era bajulação atrás de bajulação aos ídolos popularescos. Era como se não somente a ridícula Banda Calypso, na ótica do Futrico, merecesse o Nobel da Paz, mas também o Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó e até o MC Créu. Até os funqueiros são tratados como deuses. E as boazudas bregas, como se fossem as Deusas do Olimpo.

Essas sites são também responsáveis pelo prolongamento artificial da gíria "balada", que já deveria ter caído em desuso. Eles também condicionam o comportamento fútil dos jovens no endeusamento vazio dos famosos, a ponto de não tolerarem críticas a estes. A cantora de axé-music tal está se superexpondo demais? Não pode dar um pio contra isso. E pouco importa se ídolos de sambrega foram para um festival de MPB. Para seus fãs, eles "conquistaram seu espaço". Recentemente, a horda reacionária está cantando de galo pelos "sertanejos universitários" e seus "mestres", a dupla Zezé Di Camargo & Luciano.

O comportamento estimulado por estes sites também causa problemas ao associar as noitadas em boates como um ideal de vida para os jovens. Fica a impressão de que a superioridade humana está na curtição obsessiva em noitadas - as tais "baladas" - , no culto à fama, ao sucesso e ao enriquecimento, e o ódio a qualquer crítica, mesmo construtiva, contra os ídolos que simbolizam esse universo de fama, sucesso e riqueza.

Por isso mesmo, esses sites, embora representem "tudo de bom" para a "galera irada", representam tudo de ruim na mídia brasileira. Apesar das relativas ressalvas a Terra Diversão.

Um comentário:

Leonardo Ivo disse...

E o pior que a maioria dos leitores são mulheres, enquanto que os de futebol são óbviametne homens, porém são futeis do mesmo jeito. O primeiro contribui cada vez mais para fazer da imagem da mulher como objeto, ser inferior e futil. Inclui-se ai também os sites de horoscopo. Os de futebol deixa os homens alienados e colocar os ideiais dos times como ideiais de vida de seus torcedores. Tudo isso para alienar e inferiorizar o povo, em particlar a mulher.