terça-feira, 17 de novembro de 2009

MENSAGENS SUBLIMINARES II - SAMBREGA (Ingênuo Raggi Parte 2)


Continuando as "pérolas" apresentadas pelo pedante e reacionário Eugênio Raggi, questionando minha análise sobre o popularesco. Detalhe: para sabermos o nível de "sabedoria" em que o sr. Raggi se encontra, ele chamou o grupo ianque New Kids On The Block de "inglês".

AF: Primeiro, isso é uma visão elitista, que ganha facilmente o apoio
dos veículos da grande mídia, que é associar a idéia de "cultura
popular" ao grosseiro, ao pitoresco, ao aberrante.

EUGÊNIO RAGGI: O grosseiro (Jackson do Pandeiro em vários momentos por exemplo), o
pitoresco (Teixeirinha, Vicente Celestino, Germano Mathias, Bando da
Lua) e o aberrante (Cauby Peixoto, Carmen Miranda) já fazem parte da
nossa cultura musical há décadas. É apenas uma vertente, que deve ser
preservada. O cantor Daniel, que você citou anteriormente, nada tem de
grosseiro, pitoresco ou aberrante. É, portanto, diferente desse
exemplo. O que não quer dizer que ele faça uma música de excelente
qualidade. A grande mídia associa a cultura popular a esses elementos
(grosseiro, pitoresco, aberrante) porque isso é legítimo. Mas a
cultura popular não é só isso. A "grande mídia" também divulga
artistas completamente avessos a esses valores. Artistas que você deve
odiar também. Argumento furado. Você faz melhor que isso.

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Eu sou classe média alta e sou etnocêntrico. Não vejo diferença entre Jackson do Pandeiro e É O Tchan, Germano Mathias e Tiririca, por isso julgo a cultura popular com meus olhos burgueses. Não entendo de roça e acho Daniel bastante sofisticado. Também não entendo de Villa-Lobos, não entendo de nada, nem de "grande mídia", só de minha profissão. Mas como sou pedante, reacionário e arrogante, só escrevo para criar polêmicas e conflitos. Você faz melhor do que eu, eu é que não gosto do que você faz.

AF: A história de nossa cultura comprova, em dados concretos, que a
cultura popular nunca esteve associada ao grotesco.

EUGÊNIO RAGGI: Realmente. Carmen Miranda, Teixeirinha, Genival Lacerda, Cauby...Nada
de grotesco. Então tá....Mas é como em outras culturas do 3º mundo, em
que a "grande mídia" oprime o povo e manipula os paladares musicais.
Gente pobre culturalmente como os franceses que são manipulados pela
"mass media" que lhes impoe Christophe, os suecos com o ABBA, os
alemães com Jerry Bauen, os australianos com o Air Suply, espanhóis
com Julio Iglesias, ingleses com New Kids on The Block e italianos com
Ornella Vanoni. É isso que dá não educar o povo direito. A "mass
media" vai lá e manipula o gosto desse gado, dessa massa ignara. Pobre
povo do 3º mundo...

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Você tira do conforto do meu apartamento para falar esse negócio de grotesco. Então tá. Não entendo nada de nada, mas sou metido a entender de tudo, por isso tanto faz para mim ser grotesco ou não, não vejo diferença entre Carmen Miranda e Valesca Popozuda, Teixeirinha e MC Leozinho. E como sou muito burro acho que os New Kids On The Block vêm da Inglaterra. Isso é que dá eu querer julgar as coisas. A "mass media" vai lá e manipula o gosto desse gado, dessa massa ignara. Mas pobre de mim, um idiota metido a se achar acima do bem e do mal na cultura brasileira...

AF: O sambe de roda que os escravos faziam tinha inteligência,
espontaneidade, arte, dignidade, mesmo quando fazia brincadeiras
maliciosas. Já o "pagodão" pós-Tchan, que tenta se vincular à falsa
idéia de um "novo samba de roda", é milimetricamente calculado pelos
seus empresários.

EUGÊNIO RAGGI: É evidente que analistas de pirro feito você não levariam em conta
nenhum tipo de contexto. A liberação sexual e a mudança dos costumes
também mudam o jeito de dizer as coisas. O que você chama hoje de
"brincadeiras maliciosas" era visto como pornografia pura e mau gosto
naqueles tempos.

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): É evidente que analistas feito você não gostam de nenhum contexto oficial. Eu é que sou o "tal", porque o julgamento do presente, do passado e do futuro sou eu que faço, o passado não é como realmente foi, mas é como eu acho que foi. Se a sociedade está mais ou menos pudica, sou eu que me acho capaz de me julgar. Sou arrogante, e daí?

AF: Muito dessa música brega-popularesca que está aí, associada à
"verdadeira cultura popular" de que falam Hermano Vianna, Paulo César
Araújo, Milton Moura (UFBA), Regina Casé, Patrícia Pillar e outros
entre ingênuos ou oportunistas, na verdade pouco têm a ver com a
verdadeira cultura popular.
Sejam os bregas "de raiz" tipo Waldick Soriano e Odair José, sejam os
grotescos explícitos tipo Banda Calypso e Tati Quebra-Barraco, sejam
os pedantes pseudo-MPB e altamente canastrões tipo Chitãozinho &
Xororó, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano e Grupo Revelação,
todos eles não passam de pupilos dos executivos da grande mídia

EUGÊNIO RAGGI: Não entendi. Qual é o fenômeno de massificação que está por trás de
Odair José, do Waldick? Grandes grupos empresariais? Mega Business?
Não. Tenho certeza que você não acredita nisso. Mas, para não se
prender exclusivamente ao seu modelo de cultura preconceituoso e
excludente você insiste em eleger o capital como grande inimigo. Como
se por trás de toda breguice, toda cafonice, tudo aquilo que é
barango, brejeiro, simplório, primitivo, estivesse o "monstro mercado"
e seus tentáculos. Seu discurso é um subproduto da Guerra Fria.
Ingênuo e adolescente. Soa como uma militância forjada. Aliás, você
adota um visual à moda Luciana Genro, com madeixas desgrenhadas ou o
oleoso-pentecostal à maneira HH?

EUGÊNIO RAGGI (Subliminar): Não entendi. Aliás não entendo de porra nenhuma. Só acredito em grandes grupos empresariais que se instalam na Av. Paulista, Jacarepaguá ou coisa parecida. Grandes grupos empresariais, em Salvador, Goiânia ou Belém? Para mim, Darly Alves é quase um líder do MST. Hildebrando Pascoal, coitaod, é um marxista. Desprezo o seu pensamento, porque vai contra meu juízo de valor. Sou etnocêntrico, e se o povo é "bundão", tem que ser mesmo, vai criticar o quê? E mais: sou direitista assumido, odeio esse seu jeito militante de questionar as coisas.

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