sábado, 7 de novembro de 2009

JABÁ SOCIAL CLUBE


Não é de hoje que existem temores de que uma das poucas rádios de MPB do país esteja se rendendo aos poucos à breguice reinante nas demais rádios brasileiras.

Sabíamos que Alexandre Pires e Péricles, do Exaltasamba, dois cantores de neo-brega, ligados ao ridículo sambrega que fez muito sucesso nas rádios popularescas do começo dos anos 90, apareceram na festa do programa Samba Social Clube, da rádio MPB FM, para puxar o saco dos sambistas. Mas não imaginava-se que eles gravariam participações no evento. E participaram. Isso é para nos fazer arrancar os cabelos.

Existem poucas rádios de MPB no Brasil, pouquíssimas. Fora isso, há inserções de MPB em rádios alternativas, educativas e de pop adulto. Muito pouco, diante da avalanche popularesca da maioria das rádios, e da obsessão dos ídolos popularescos em não ficarem apenas nos seus já imensos espaços na grande mídia, mas também em invadir espaços criados justamente para fugir da mesmice que esses mesmos ídolos representam.

Por isso é estarrecedor a MPB FM tocar Odair José, Benito di Paula e Vanusa, enquanto deixa que Alexandre Pires e Péricles do Exalta participarem de tributo. Lembra aqueles especiais caça-níqueis da Rede Globo, em que artistas de MPB se misturavam com ídolos popularescos. Recentemente, o especial Casa do Samba, do canal pago Multishow, também apostou na mistura de alhos com bugalhos.

Hoje Alexandre Pires e Exaltasamba parecem, à primeira vista mais apressada, nomes do "samba de verdade" (embora, numa observação mais cuidada, se conclua que isso não passa de puro marketing), mas eles se consagraram fazendo um sambrega dos mais constrangedores. Geralmente imitando Lionel Richie ou fazendo músicas do mesmo estilo meloso-irritante de Sullivan & Massadas. Hoje Alexandre Pires faz uma música brega que mistura Alejandro Sanz com Bobby Brown, enquanto o Exaltasamba faz um sambrega politicamente correto que copia, por pastiche, os clichês popularizados por Zeca Pagodinho.

A atitude do Samba Social Clube se compara com um evento comemorativo do punk rock que incluiu dois artistas de emo. Por sorte (ou pelo azar do pedantismo?), Alexandre Pires e Péricles não gravaram músicas próprias, mas, respectivamente, uma canção de Marquinhos Satã e outra de Nei Lopes, dois sambistas autênticos. Mas a mediocridade musical de Pires e Péricles, mesmo domada pelos arranjadores do evento, torna-se evidente. Num país que teve Agostinho dos Santos e Wilson Simonal, um Alexandre Pires não passa de uma pálida caricatura. Da mesma forma que um país que teve o Bando dos Tangarás, os Oito Batutas, os Originais do Samba e ainda tem o Fundo de Quintal, um Exaltasamba não é mais do que uma piada sem graça.

A MPB FM não precisa do brega-popularesco. Ela surgiu como um diferencial, surgiu para sair da mesmice popularesca, e não para servir-se a essa mesmice, até porque o jabaculê brega-popularesco pode render dinheiro e cartaz na mídia para a MPB FM, mas a longo prazo o preço da baixa credibilidade poderá ser alto.

Alexandre Pires e Exaltasamba já são tocados constantemente em outras rádios. E a gente ainda tem que aguentar uma patética Nativa FM irradiando no antigo espaço da Antena Um.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...
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