quarta-feira, 11 de novembro de 2009

HÁ UM ANO, DEIXEI SALVADOR


Há um ano , no dia 10 de novembro de 2008, deixei de morar em Salvador, capital da Bahia. Foi um dia especial, porque depois de 18 anos, eu voltaria a viver em Niterói, cidade de criação.

Salvador é uma cidade linda e tem sua história notável, como primeira capital do país. Mas, infelizmente, a cidade sucumbiu, desde o século XVII, ao provincianismo que foi agravado por movimentos coronelistas que dominaram a Bahia, dos antigos latifundiários até o falecido senador Antônio Carlos Magalhães. Isso fez Salvador mergulhar num atraso estarrecedor, criando uma aristocracia burra e viciada e um povo submisso e emburrecido pela miséria e pela instrução quase nula, o que fez a cidade ser desagradável para eu viver.

Foi uma pena. Tentei me adaptar a Salvador, cidade da família do meu pai, e não deu. Quando meus pais decidiram voltar para Niterói, fiquei entusiasmado. Nos preparamos para a mudança em 2008, embora desde 2007 eu tinha feito vários passeios de despedida em Salvador.

Arrumamos as embalagens para a mudança, que foi por caminhão, enquanto eu e minha família nos hospedamos na casa de uma tia minha até ela nos levar para o Aeroporto, pegar um avião para o Rio de Janeiro, mas com escala em São Paulo. Foi emocionante o último dia em Salvador porque havia esperança de mudança de vida, não aguentávamos mais tanto provincianismo que impedia até eu de ter emprego. Ou eu trabalhava em empresa em falência (emprego inseguro), ou trabalhava em empresa em implantação (também emprego inseguro). E, como jornalista, só poderia trabalhar em rádio corrupta.

Por isso mesmo, foi bom ter saído de Salvador. A cidade, de tão provinciana, foi passada para trás por duas mega-potências do Nordeste, Recife e Fortaleza. Muita gente não gosta de ouvir isso, acha que Salvador continua sendo a "capital do mundo", mas a realidade é esta mesmo. Não sou eu que falo isso, é a aristocracia política, cultural e midiática que faz para a capital baiana permanecer neste lodo que a prejudica.

Niterói, apesar de ser uma cidade pequena, tem a vantagem de ser vizinha ao Rio de Janeiro, o que influi na sua estrutura urbana. É uma cidade com infraestrutura boa, e pelo fato de eu ter me criado nesta cidade e ter nela vivido durante anos, estou acostumado com esta vida. A cidade tem problemas, mas nada que a faça mergulhar num bairrismo viciado, preguiçoso e míope. A aristocracia niteroiense pelo menos não é burra nem esnobe. E aqui tem mais variedade de comércio, só o bairro de Icaraí parece uma cidade à parte, pelo menos tenta competir com Copacabana, senão de igual com igual, pelo menos de uma forma digna, mesmo com o bairro carioca em vantagem.


Eu voltei a me acostumar com a rotina de Niterói. Muita coisa mudou de 1990, quando saí de Niterói, e 2008, quando voltei. Ironicamente, moro no mesmo condomínio de onde saí em 1990. E muitas coisas boas tive, como em vários passeios no Rio, indo até para o Centro Cultural Banco do Brasil. Aqui no Grande Rio a vida é mais movimentada. Em Salvador, infelizmente, eu me sentia deslocado.

Por isso mesmo foi bom sair de Salvador, não por detestar a cidade, que é muito bonita. Coloquei a foto da Rua Cassilandro Barbuda, no Costa Azul, onde ficava minha última residência na capital baiana (segundo prédio, do lado esquerdo da rua), no alto deste texto, por lembrança triste mas carinhosa. A foto é extraída do portal Skyscrapercity. Já as outras fotos, que mostram a Rua Dr. Mário Viana, no final de linha de Santa Rosa, em Niterói, eu tirei perto de casa.

Me sinto meio um filho pródigo que se aventurou noutra cidade e voltou à anterior cheio de esperanças.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Aquela foto mostra o prédio da Rua Cassilandro Barbuda onde nasceu o Preserve o Rádio AM, que repercute bem desde o início, quando foi citado até em entrevista de Heródoto Barbeiro para a revista Imprensa.

Salvador não quis acolher a inteligência dos irmãos Pereira. A cidade perdeu os dois. Merecidamente.