quinta-feira, 12 de novembro de 2009

EM 2002, MÍDIA PASSOU A DEFENDER O BREGA-POPULARESCO


GRUPO DE SAMBREGA KATINGUELÊ, UM DOS NOMES DA SAFRA DE 1990-1993, JUNTO COM SÓ PRA CONTRARIAR, NEGRITUDE JR., SOWETO E EXALTASAMBA.

Hoje em dia, vemos um grande patrulhamento dos defensores da Música de Cabresto Brasileira, junto a qualquer apelação dos ídolos popularescos em continuar na mídia, seja gravando com orquestra sinfônica, seja se infiltrando em redutos da MPB autêntica, seja aliciando intelectuais ou planejando até mesmo filmes, documentários ou biografias dramatizadas, sobre eles próprios.

Essas atitudes todas são fruto do sentimento desesperado de temer ver no limbo toda a música comercial e artisticamente duvidosa feita no Brasil nas últimas décadas. Todas as tendências bregas e neo-bregas, sejam aquelas patrocinadas pelo poder latifundiário entre 1958 e 1973 e as tendências "modernas" que vieram a seguir, principalmente nos anos 90, NÃO representam a verdadeira cultura popular, mas, em contrapartida, resultaram no enriquecimento dos empresários e patrocinadores envolvidos, de tal forma que a reação dos intelectuais ao universo musical popularesco tornou-se preocupante para essas elites.

Por isso, em 2002, sem que o brega-popularesco saia das paradas de sucesso das FMs mais ouvidas e do alto cartaz da TV aberta e das revistas de fofocas, foi lançada uma "nova retórica" para criar uma "imagem positiva" dos ídolos popularescos, que nos anos 90 já se infiltraram em tributos tendenciosos envolvendo artistas de MPB.

O "funk carioca", o breganejo, o sambrega, o porno-pagode baiano, o forró-brega ou mesmo o "brega de raiz" e a axé-music (que reclama suposta herança do Tropicalismo) passaram a se autoproclamar "injustiçados", "vítimas de preconceito", "vítimas de inveja", como se nunca tiveram feito sucesso na vida.

É mais ou menos como se um déspota, ameaçado de perder o poder absolutista que exerce, dissesse que é um "representante do povo que sofre discriminação social" e negasse o poder extremamente exercido, até mesmo negando que está no poder.

Toda uma campanha foi feita, incluindo antropólogos, historiadores e sociólogos que passaram a fazer apologia aos ritmos popularescos, atribuindo a eles uma suposta inteligência e até rotulando-os de "verdadeira música popular" apenas porque lota vaquejadas, micaretas, "bailes funk" e outros eventos.

Foi criado até mesmo um "marketing da rejeição", na busca desesperada de inverter o fracasso natural da mediocridade musical popularesca, transformando seus ídolos em "heróis" de todo modo.

Toda sorte de exploração biográfica, de alusões ao perfil supostamente "polêmico" desses ídolos (de Waldick Soriano ao MC Créu) e até mesmo da "colaboração" de internautas para espinafrar quem fale mal até das coisas mínimas desses ídolos, é feita para manter o império popularesco no país, que já começa a ameaçar a sobrevida da autêntica cultura popular brasileira.

"SERTANEJO UNIVERSITÁRIO": DEFENSORES TEMEM FRACASSO FINANCEIRO

Mas, por trás dessa "verdadeira cultura popular", há a questão do enriquecimento de seus empresários. Por isso é que um blog como o meu incomoda certos defensores do "sertanejo universitário", porque eles são ídolos emergentes e, ao encontrarem pelo caminho alguém falando mal dos ídolos do gênero (que prosseguem com a diluição da música caipira brasileira traçada por Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano, mas com a linguagem "pop" dos emos), isso pode ameaçar os interesses de enriquecimento através do sucesso estrondoso.

Até porque esses defensores do "sertanejo universitário", disfarçados de internautas comuns, são apenas divulgadores, produtores, assessores e secretários desses ídolos popularescos, ou de agências de famosos e demais veículos da mídia, que aproveitam a garantia de anonimato virtual para omitirem a profissão em suas mensagens em defesa desses ídolos.

Isso é um exemplo de quanto é desesperada a reação dos defensores do brega-popularesco. Todo o dinheiro faturado em vendas de discos, todo o cartaz da grande mídia, tudo indo por água abaixo depois de desmascarada a mediocridade musical. Isso é que enfurece eles.

São essas pessoas que defendem a Música de Cabresto Brasileira que realmente são INVEJOSOS, RESSENTIDOS, PRECONCEITUOSOS. E mais: são REACIONÁRIOS, CONSERVADORES E IMPERIALISTAS. Até agora não sei porque os latifundiários não mandaram seus jagunços armados de espingarda para invadir a MPB FM para impor o breganejo na programação da rádio. É porque a localização da emissora, no bairro carioca do Botafogo, dificulta o êxito de ações deste tipo. Por isso nem a "turma da merenda" invadiu a emissora para obrigá-la a tocar o "maravilhoso funk carioca".

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