segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Chacrinha foi melhor nos anos 50-60


FASE ABORDADA PELO DOCUMENTÁRIO 'ALÔ ALÔ TEREZINHA' É APENAS UMA SOMBRA DO QUE O CHACRINHA FOI EM SUA CARREIRA. A MELHOR FASE DO VELHO GUERREIRO FOI DURANTE AS DÉCADAS DE 50 E 60.

O documentário Alô Alô Terezinha, de Nelson Hoineff, embora seja dedicado a um grande comunicador que até o estudioso Muniz Sodré (ver A Comunicação do Grotesco, Petrópolis: Vozes, 1972) não considera grotesco, segue a tendência dos documentários que visam promover a cultura brega como um "novo" (?!) fenômeno de mídia. Isso porque o documentário se concentra numa fase não muito boa do apresentador, nos anos 70 e 80, que envolveu passagem pela Rede Globo e outras redes de televisão.

Chega a ser até um tanto hipócrita que imagens do programa Cassino do Chacrinha, que a Rede Globo transmitiu até a morte do apresentador, em 1988, apareçam em preto e branco, como se fossem mais antigas do que realmente são, de meados dos anos 80.

Nessa fase, o programa, apesar de ser apresentado por uma figura de carisma e talento inegáveis que foi o Abelardo Barbosa, não mostra o apresentador na sua melhor fase. Nos anos 80, Cassino do Chacrinha representava o comercialismo televisivo, o culto implícito ao grotesco que Chacrinha outrora parecia se opor. Por trás de tudo isso está o filho do apresentador, o empresário e também apresentador Leleco Barbosa, que então dirigiu o programa do pai e, segundo o jornalista Ricardo Alexandre, atuava como um verdadeiro chefe do esquema.

Quem leu Dias de Luta (São Paulo: Art Books, 2002), livro de Ricardo Alexandre, sabe, por exemplo, o constrangimento que a extinta banda Ira! passou nos bastidores do programa, num especial de Natal.

Chacrinha, que começou no rádio, nos anos 40, trabalhando na Rádio Clube de Pernambuco e na Rádio Fluminense AM, esta de Niterói, começou sua carreira televisiva em 1957.

O programa que Chacrinha lançou, misto de apresentação de calouros com divulgação de artistas de sucesso, foi bastante inovador na sua linguagem. A hilária roupa de Chacrinha - que, no começo da carreira televisiva, aparecia com cabelo curto e bigode fininho, quase à maneira do Zé Trindade - , com um grande adereço que ora imitava um relógio antigo, ora um disco de telefone, já era um detalhe à parte na linguagem inovadora.

A imagem cult de Chacrinha veio na década de 60, mais precisamente por volta de 1967. Era o prestígio alcançado ao longo desses primeiros dez anos de programa, e os músicos tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil passaram a fazer propaganda do apresentador e seu programa, tanto que em 1969 o hoje ex-ministro da Cultura do governo Lula citou o apresentador na música "Aquele Abraço".

As dançarinas dos programas do Chacrinha, nos anos 50-60, nada tinham de cafona. Tinham aquela beleza gostosa e aquela sensualidade suave das mulheres da época, e isso também foi um ingrediente a mais para tornar o programa atraente, além de divertido e criativo.

CAFONICE VEIO NA DÉCADA DE 70 - No entanto, com o endurecimento da ditadura militar, por outro lado a mídia tentou uma forma de "refrescar" o astral do povo pobre nesses anos de chumbo. A ascensão da cafonice cultural foi a arma certeira das elites da grande mídia para manter o povo submisso e conformado através de valores "culturais" onde o pitoresco, o grotesco, o piegas e o ridículo sejam evocados.

Isso dominou praticamente todos os programas de auditório, que se tornaram principais pólos de divulgação dos ídolos bregas (cuja falsa imagem cult se resulta de uma interpretação errada da adesão humorística de performáticos paulistas dos anos 70-80). Raul Gil, Sílvio Santos, Edson Bolinha Curi (que surgiu como substituto de Chacrinha e ganhou programa próprio), todos eles acabaram divulgando ídolos bregas, o que desmente o mito da discriminação da grande mídia que os defensores do brega-popularesco atribuem aos ídolos cafonas.

A ideologia cafona acabou tomando conta dos programas de Chacrinha depois de 1972 - quando foi lançado o livro de Muniz Sodré, A Comunicação do Grotesco, em que o autor definia o estilo do apresentador como uma crítica ao grotesco. O sucesso dos calouros reprovados pela buzina apertada pelo apresentador fez cada vez mais aumentar o grau de grotesco dos mesmos, e em contrapartida o estado de espírito brega tomou conta do universo da população pobre. A essas alturas Chacrinha passaria a viver dos louros do passado, apesar de surgir como referencial para as gerações mais jovens.

Até as dançarinas foram afetadas. A partir dos anos 70, as dançarinas do Chacrinha passaram a ser em maioria aquelas mulheres de beleza enjoada, típicas do universo popularesco. Sem muita ternura, sem muito charme. O símbolo delas foi uma das primeiras musas boazudas do país, Rita Cadillac (a essas alturas o Cadillac, antigo carrão da General Motors, ou era artigo de colecionador ou de ferro-velho), espécie de ancestral das mulheres-frutas e dançarinas de pagode.

Por isso mesmo, o documentário de Nelson Hoineff praticamente não mostra a melhor fase do Velho Guerreiro, se concentrando apenas naquela fase que, apesar de ter mais vestígios que a fase áurea (da qual se perderam quase todos os registros e parte dela era anterior à época do vídeoteipe), é considerada uma fase menor do apresentador. Mesmo com os bons momentos dos grupos Rock Nacional fazendo mímica (playback) no programa, na década de 80.

O documentário, a princípio, é bom para quem viveu esta época na infância dos anos 80. Mas, numa observação mais cautelosa, é uma fase que deveria ser apreciada não com nostalgia, mas com memória crítica. O universo brega abordado pelo documentário mostra o quanto a ideologia cafona é entediante, cansativa e enjoada.

Jornal denuncia corrupção na UNE


Os tempos são outros. No dia em que escrevi o texto sobre uma antiga atividade da União Nacional dos Estudantes no período 1961-1964, o Estadão publicou uma denúncia de corrupção na entidade que, hoje, não é a sombra do que era antes e havia se transformado, nos anos 90, de "fábrica de carteirinhas", com dirigentes arrogantes, esnobes e coisa e tal.

E tem até caso de empresa fantasma sediada em Salvador, que é coisa que O "jornalista" Mário Kertèsz da Rádio Metrópole FM (que talvez tenha a cara de pau de denunciar este caso) entende muito bem. Ele criou DUAS empresas fantasmas quando era prefeito da capital baiana para incrementar sua fortuna pessoal e isso foi a origem da "honesta" e "informativa" rádio de Salvador.


UNE É SUSPEITA DE FRAUDAR CONVÊNIOS COM MINISTÉRIO

LEANDRO COLON - Agencia Estado
BRASÍLIA - Aliada do governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fraudou convênios, forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos nos últimos dois anos. A entidade chegou a apresentar documentos de uma empresa de segurança fantasma, com sede na Bahia, para conseguir aprovar um patrocínio para o encontro nacional em Brasília.

Dados do Ministério da Cultura revelam que pelo menos nove convênios celebrados com a UNE, totalizando R$ 2,9 milhões, estão em situação irregular - a organização estudantil toma dinheiro público, mas não diz nem quanto gastou nem como gastou.

O jornal O Estado de S.Paulo analisou dois convênios com prazo de prestação de contas expirado no ministério: o Congresso Nacional da UNE, realizado em julho, em Brasília, e o projeto Sempre Jovem e Sexagenária, celebrado em 2008, que tinha como meta produzir - até 4 de junho - 10 mil livros e um documentário sobre a história estudantil secundarista. O presidente da entidade, Augusto Chagas, de 27 anos, promete devolver o dinheiro, se forem comprovadas irregularidades.

Apesar de o governo ter repassado R$ 826 mil para os projetos, a entidade, mesmo cobrada, não entrega extratos bancários e notas fiscais, nem cumpre a "execução dos objetivos", os livros e o documentário. Sobre os livros, uma cláusula do contrato diz que a UNE teria 60 dias para prestar contas, a partir de junho, ou restituir em 30 dias as verbas não usadas. Não fez nem uma coisa nem outra.

Empresa fantasma

A UNE forjou orçamentos para obter dinheiro para o encontro em Brasília. Em 16 de julho, o ministério liberou R$ 342 mil para o evento, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A entidade apresentou estimativa de gasto de R$ 70 mil com hospedagem, R$ 29 mil para segurança, R$ 26 mil em passagens aéreas, entre outros. O ministério cobrou três orçamentos.

Para explicar a despesa com segurança, a UNE entregou o orçamento de empresa fantasma, com sede em Salvador, a 1.400 quilômetros do evento. O outro orçamento também é de uma empresa baiana, que ocupa uma sala de 30 metros quadrados e não tem funcionários. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

domingo, 29 de novembro de 2009

CARLOS ESTEVAM MARTINS ANALISOU DEGRADAÇÃO CULTURAL EM TEXTO DE 1963


Montagem da peça A mais-valia vai acabar, Seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, no Teatro da Faculdade de Arquitetura do Rio de Janeiro, em 1960. As questões apresentadas na peça inspiraram a criação dos Centros Populares de Cultura da UNE, principalmente pela iniciativa de Vianninha e Carlos Estevam Martins, que trabalhava no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB).

Só pude saber do falecimento do cientista social Carlos Estevam Martins, que integrou o ISEB e os CPC's da UNE, hoje, ao consultar sobre ele na Internet. E, pasmem, no Wikipedia - que agora adota mecanismos de censura contra quem quer inocentemente atualizar informações - , Carlos Estevam ainda "não havia morrido". E não pude ver que link ou que e-mail do administrador para reclamar.

Eu me preparei para escrever sobre as ideias dele a respeito da cultura, que se encaixam muito bem no questionamento em torno da música brega-popularesca, que corresponde hoje aos padrões de "cultura alienada" apresentados pelo autor.

Carlos Estevam escreveu essas ideias num livro de 1963, A Questão da Cultura Popular, publicado pela editora carioca Tempo Brasileiro (que existe até hoje). Mas os trechos que vou reproduzir são as citações de Manoel Berlinck no livro O Centro Popular de Cultura da UNE, lançado em 1984 pela Editora Papirus, de Campinas.

Não é fácil comentar esta análise, uma vez que expressões citadas por Carlos Estevam, como "cultura alienada", são hoje ridicularizadas pelos defensores do brega-popularesco, da Música de Cabresto Brasileira, e eu mesmo pude ver isso em comentários sejam de gente famosa como Hermano Vianna, Paulo César Araújo e o baiano Milton Moura, como também de reacionários explícitos como o divulgador de breganejo Olavo Bruno e o professor mineiro Eugênio Raggi. Para eles, falar em "alienação cultural", "qualidade estética" etc soam completamente sem sentido. O que eles querem é "sucesso", "fama", "faturamento", o que garantir isso eles dão suporte "intelectual" para justificar.

Pois, apesar desse risco da ridicularização, eu coloco aqui as análises do ex-diretor dos CPC's da UNE, que atuava junto com gente como o também falecido Oduvaldo Vianna Filho (criador do seriado de TV A Grande Família), o poeta concretista Ferreira Gullar, o compositor bossa-novista e professor de violão Carlos Lyra, os cineastas Carlos Diegues e Arnaldo Jabor. Irei resumir o máximo as citações.

Carlos Estevam citava duas modalidades de "cultura alienada". Cita ele, sobre essa expressão: "(...) dada uma sociedade dividida em classes e dada a dominação de uma das classes sobre as demais, estão dadas as condições objetivas suficientes para o florescimento da cultura alienada. A classe no poder, claro está, pretende perpetuar indefinidamente sua invejável posição e para isso necessita estender sua dominação a todos os rincões da sociedade (Martins, C. E., citado em Berlinck: 1984).
Mesmo que a questão da sociedade de classes hoje tenha se tornado bem mais complexa, que nos impede de pensar na luta de classes tal qual pensavam-se os esquerdistas de 1961-1964, essa ideia se mostra bastante atual. Vide o próprio processo da cultura popularesca que, patrocinada pela grande mídia e pelo empresariado de atacado, varejo e do entretenimento - realidade arrogantemente negada pelos defensores do brega-popularesco - , quer não somente dominar os estratos populares da sociedade brasileira, como quer também atingir o público universitário, a intelectualidade, e por aí vai.

Carlos Estevam descreve então essas duas modalidades de cultura alienada: a "arte do povo" e "arte popular". Ele avisa, no entanto, que, mediante uma análise mais criteriosa, seja sob o ponto de vista cultural, seja sob o ponto de vista social, em nenhum modo esses termos merecem a denominação de arte nem de popular ou do povo. Essas denominações são dadas mais por citação do que as classes dominantes querem que seja "arte do povo" ou "arte popular".

Pois o conceito que Carlos Estevam escreve sobre "arte do povo", vemos definições que hoje correspondem às manifestações camp (grotesco explícito) da música brega-popularesca - "funk carioca", forró-brega, brega setentista, porno-pagode - , assim como "arte popular" para formas que eu considero pedantes desse mesmo universo brega-popularesco - axé-music, breganejo, sambrega, brega oitentista.

O que Carlos Estevam Martins descreve sobre "arte do povo", na análise de Manoel Berlinck:
A arte do povo é (...) predominantemente um produto das comunidades economicamente atrasadas e floresce de preferência no meio rural ou em áreas urbanas que ainda não atingiram as formas de vida que acompanham a industrialização. (...) Artistas e público vivem integrados no mesmo anonimato e o nível de elaboração artística é tão primário que o ato de criar não vai além de um simples ordenar os dados mais patentes da consciência popular atrasada.
(...)
Com efeito (...), a arte do povo é tão desprovida de qualidade artística e de pretensões culturais que nunca vai além de uma tentativa tosca e desajeitada de exprimir fatos triviais dados à sensibilidade mais embotada. É ingênua e retardatária e na realidade não tem outra função que a de satisfazer necessidades lúdicas e de ornamento.

Lendo estes parágrafos acima, difícil não pensar no brega original de Waldick Soriano e nas primeiras gerações cafonas surgidas até os anos 70, além de manifestações grotescas explícitas vindas do forró-brega (Calcinha Preta, Banda Calypso), "funk carioca" (o MC Créu não deixa mentir) e o porno-pagode (É O Tchan, Psirico e similares).

Quanto ao que ele define como "arte popular", as ideias são definidas assim, segundo Berlinck:
A arte popular, por sua vez, se distingue desta ("arte do povo") não só pelo seu público que é constituído pela população dos centros urbanos desenvolvidos como taqmbém devido ao aparecimento de uma divisão de trabalho que faz da massa a receptora improdutiva de obras que foram criadas por um grupo profissionalizado de especialistas. Os artistas se constituem assim num estrato social diferenciado de seu público, o qual se apresenta no mercado como mero consumidor de bens cuja elaboração e divulgação escapam ao seu controle.
(...)
A arte popular (...), mais apurada e apresentando um grau de elaboração técnica superior, não consegue, entretanto, atingir o nível de dignidade artística que a credenciasse como experiência legítima do campo da arte, pois a finalidade que a orienta é a de oferecer ao público um passatempo, uma ocupação inconsequente para o lazer, não se colocando para ela jamais o projeto de enfrentar os problemas fundamentais da existência.

Ainda sobre a "arte popular" - que surpreendentemente se encaixa com perfeição na definição das tendências popularescas como o brega oitentista (Sullivan & Massadas, Wando, Gilliard, José Augusto, Fábio Jr.), a axé-music (Chiclete Com Banana, Asa de Águia, I. S.), no breganejo (Chitãozinho & Xororó, Leonardo, Daniel) e no sambrega (Alexandre Pires, Belo, Exaltasamba, Grupo Revelação) - a interpretação de Berlinck do texto de Martins praticamente prevê a onda brega-popularesca a partir dos anos 80 e de forma ainda mais intensa nos anos 90. E isso partindo de ideias escritas em 1963:

Resultando do fenômeno geral de democratização da sociedade contemporânea, a arte popular é a produção em massa de obras convencionais cujo objetivo supremo consiste em distrair o espectador em vez de formá-lo, (de) entretê-lo e aturdi-lo em vez de despertá-lo para a reflexão e a consciência de si mesmo. A arte popular não pretende operar transformações substanciais em seu público: tudo se passa como a finalidade máxima dessa arte fosse a de conservar o povo imobilizado no estado em que o encontra.

Esse trecho mostrou um processo que se consolidou através de fatores surgidos pela redemocratização do Brasil, processo que, infelizmente, foi orquestrado pelas mesmas forças políticas civis que respaldaram, em 1964, o golpe militar. Aí, deu no que deu, Sarney e ACM dando rádios para gente corrupta e incompetente, e o brega-popularesco cresceu a níveis astronômicos que hoje ameaçam jogar para o esquecimento o folclore brasileiro e a MPB autêntica.

Indo mais adiante no texto, em que vemos a preocupação do fundador do CPC da UNE em defender uma arte relacionada com a produção social de conhecimento e com a expressão do espírito humano (coisas que o brega-popularesco não faz, apesar de às vezes dizer que faz), ele descreve a cultura alienada como um instrumento da classe dominante em manipular culturalmente as classes populares. Destado dois trechos alarmantes. O primeiro é este:

Quanto mais cresce e se desenvolve, mais a cultura alienada se perde na alucinação e se recusa a enfrentar e explicar o mundo concreto. Quanto mais profunda, mais especializada, mais cultural ela aparenta ser, aí mesmo é que mais se revela o seu verdadeiro ser anticultural e a sua impotência para realizar aquilo que o homem espera da cultura.

Com este trecho, podemos exemplificar a pseudo-militância do "funk carioca" e toda sua retórica engenhosa, que não passa de um repertório de argumentos alucinógenos sobre um ritmo musical chinfrim, expresso na baixaria gratuita, na qualidade artística gritantemente ruim, resultante num sistema de dominação por parte dos empresários-DJs, estes ligados às oligarquias que controlam os subúrbios e as zonas rurais no Estado do Rio de Janeiro. Mas também podemos ver esse caráter pseudo-cultural na falsa sofisticação musical de ídolos como Chitãozinho & Xororó e Alexandre Pires, que usam de toda pompa e de todo luxo para camuflar suas ruindades musicais assustadoras.

Outro trecho:

À medida que vai evoluindo, cada ramo da cultura alienada vai cada vez mais perdendo, à custa de uma progressiva especialização, o sentido do real como totalidade. O processo unitário do real cede lugar a um mundo estilhaçado em fragmentos isolados. O trágico para a cultura alienada é que, do seu ponto de vista subjetivo, essas parcelas do mundo aparecem incomunicáveis entre si e não envolvidas pela totalidade que a todas compreende e determina, ao passo que, objetivamente, essas partes nada têm de isoladas pois se articulam num tecido de conexões mútuas e interações incessantes que não só constituem um processo global único, como são por ele constituídas. Avançando ainda mais em seu pseudo-progresso cultural, os ramos em que se fragmentam a cultura alienada acabam por se desinteressar até mesmo dos aspectos ontológicos caraterísticos do seu próprio campo de ação.

Este trecho, meio complicado para se entender por parte dos mais jovens, pode ser explicado pela própria realidade do brega-popularesco que, num processo perverso de deturpação da realidade, reduz os valores populares a uma degradação que envolve o exagero e a corrupção dos instintos sexuais, a pieguice emocional exasperada, a morbidez até na forma de cantar (notem que nomes como Amado Batista e Waldick Soriano cantam muito, muito mal, para não dizer também do Alexandre Pires e Chitãozinho & Xororó), enquanto se há a resignação do sofrimento humano, a conformação com a pobreza, a substituição do protesto ativo de passeatas e ocupações pacíficas, como manifestação social popular, pelo simples remexer de glúteos e pelo riso patético dos "ídolos populares".

Nesta análise, a realidade perde a coerência, tudo se torna passível de falsas argumentações - como as arrogantes réplicas de Olavo Bruno e Eugênio Raggi - , num discurso que não tem medo de mentir nem de ofender, tudo para manter o status quo, manter tudo como está. As próprias contradições, na medida em que o brega-popularesco cresce, já não conseguem ser facilmente identificáveis, daí ser muito fácil vender os ídolos bregas e neo-bregas de anos atrás, que representavam o establishment mais explícito da grande mídia, como se fossem "injustiçados" e "discriminados" pela mesma mídia que os acolheu com os braços mais abertos.

Isso se torna grave, na medida em que a afirmação histórica do poder da mídia no interior do país ser facilmente desmentida pelos defensores do brega-popularesco, que só entendem a "grande mídia" como aquela sediada na Avenida Paulista ou na ponte eletrônica Jardim Botânico-Jacarepaguá no Rio de Janeiro. Mas a própria ação desses defensores também foi prevista por Estevam, quando analisou o esforço da cultura alienada em impor e firmar seu ponto de vista, além de estender a sua penetração social. O próprio "funk carioca" é exemplo típico disso.

Fica aqui meus votos de pesar pelo falecimento de Carlos Estevam Martins, e de que seu legado, ainda que seja debatido e discutido, pelo menos não seja jamais esquecido.

sábado, 28 de novembro de 2009

Ministro elogia ação contra civis no caso Perus; Maluf e Tuma são acusados


Civis apoiaram e até defenderam o golpe militar antes dos próprios militares. E há gente que, pasmem, acha que Paulo Maluf (espécie de Waldick Soriano da política brasileira) é uma figura de "esquerda". Fala sério.

da Folha de S.Paulo
da Agência Folha, em Campinas

O ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) comemorou ontem a primeira ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal de São Paulo contra civis que tiveram participação em fatos da repressão na ditadura militar (1964-85).

Em ação apresentada à Justiça, o Ministério Público Federal pediu que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), o senador Romeu Tuma (PTB-SP) e o diretor da Eletrobrás Miguel Colasuonno sejam condenados a pagar indenização e percam suas funções públicas ou aposentadorias. Eles são acusados de participar do funcionamento da estrutura que ocultou cadáveres de opositores da ditadura nos cemitérios de Perus e da Vila Formosa, em São Paulo, na década de 70.

Tuma foi responsável pelo Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) de 1967 a 1983. Ontem ele preferiu não se manifestar por não ter conhecimento dos documentos do processo. Maluf e Colasuonno foram prefeitos da capital, de 1969 a 1971 e de 1973 a 1975, respectivamente. Em nota, Maluf disse que é "uma acusação ridícula". Colasuonno informou que desconhece os fatos das acusações e, por isso, não poderia se manifestar.

Na Unicamp, Vannuchi declarou: "Eu saúdo a iniciativa porque ela reforça a consciência nacional de que o tema não está com ponto final. Lideranças civis e empresariais deram sustentação a esse regime, então não é justo que se faça um debate centralizado unicamente nas Forças Armadas".

"Quem estudar a história do regime verá que civis foram bater nas portas dos quartéis pedindo que os militares saíssem para depor João Goulart."

Segundo a denúncia, Maluf ordenou a construção do cemitério de Perus, com quadras marcadas para "terroristas". O projeto da prefeitura incluiu a construção de um crematório, ideia depois abandonada. Na gestão de Colasuonno, de acordo com documentos, o cemitério de Vila Formosa foi reurbanizado, quase impossibilitando a identificação dos locais onde estavam corpos dos militantes.

Tuma foi implicado porque, segundo os procuradores, sabia de mortes ocorridas sob a tutela de policiais do Dops, mas não as comunicou às famílias.

Outros dois nomes na ação são Fábio Pereira Bueno, diretor do Serviço Funerário Municipal entre 1970 e 1974, e o médico legista Harry Shibata, ex-chefe do necrotério do IML.

Os procuradores sugerem que as penas sejam diminuídas caso os réus contem em depoimento fatos que conhecem do período de repressão.

"É inequívoco que havia um esquema e que o cemitério de Perus era um centro de ocultação de cadáveres de militantes políticos", diz a procuradora da República Eugênia Fávero.

A Unicamp, que recebeu Vannuchi ontem, é um dos alvos da segunda ação do MPF. Nela, os procuradores pedem a responsabilização de funcionários e universidades porque houve descaso na identificação das ossadas localizadas em Perus e exumadas em 1990. As universidades implicadas são Unicamp, Universidade Federal de Minas Gerais e USP.

A Procuradoria pede, em liminar, a retomada do trabalho de identificação das ossadas. O órgão apresentou no passado ações, em andamento, que buscam responsabilizar militares por crimes da ditadura. Como se tratam de desaparecimento de pessoas, os procuradores entendem que se equivalem ao crime de sequestro -por não terem sido localizadas, esses crimes não seriam anistiáveis.

AC/DC AGITOU MULTIDÃO EM SÃO PAULO


Nem a chuva e a trovoada espantaram os fãs na espera do grupo AC/DC no Estádio do Morumbi. A apresentação do grupo, segundo informa a imprensa - claro, eu não pude ir ao show, por sérias restrições orçamentárias (ainda espero convocação da Infraero e a prova do IPHAN) - , foi impecável. Foi um verdadeiro clima de festa, desses que a axé-music não consegue ter.

Afinal, se trata de uma das mais conceituadas bandas de rock pesado, vinda da Austrália, e que conseguiu se manter firme mesmo depois do falecimento do vocalista original, Bon Scott, em 1980 (ele integrou a quina trágica do rock daquele ano, com Ian Curtis, John Bonham, Darby Crash e, sobretudo, John Lennon). O atual vocalista, Brian Johnson, tem tanto carisma quanto o anterior, e forma com o guitarrista Angus Young uma das mais populares duplas da história do rock.

O grupo mostrou para cerca de 65 mil espectadores uma grande retrospectiva de sua trajetória, incluindo músicas originalmente gravadas por Scott, mas sem menosprezar a fase atual, que teve também a recente música "Black Ice", título do recente disco de 2008 e da turnê que o grupo realiza atualmente, e da qual faz parte esta apresentação.

Quem gosta de rock pesado sabe que viu uma grande banda, discípula do Led Zeppelin, veterana em plena forma. E quem observa bem sabe que o AC/DC também tem um pouco de blues. E os ingressos até que foram baratos, R$ 5 reais até a apresentação, e R$ 10 durante a mesma.

A propósito, o que é Guns N' Roses?

Governador "democrata" do DF envolvido em corrupção


Isto não é novidade. O sr. Arruda é figurinha conhecida no histórico da corrupção nacional. Mas quiseram eleger ele governador do Distrito Federal, deu no que deu. Uma pequenina amostra da corrupção governamental:

Transcrições mostram Arruda negociando divisão de dinheiro no DF

Inquérito traz relatos de gravações feitas com escuta por ex-secretário.
'Você já pegou sua parte?', pergunta Arruda a secretário exonerado.

Fausto Carneiro e Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

Inquérito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) divulgado nesta sexta-feira (27) relata transcrições de gravações feitas com autorização judicial em que o ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal Durval Barbosa e o governador José Roberto Arruda (DEM) tratam da suposta divisão de dinheiro entre membros do primeiro escalão do governo. O vice-governador, Paulo Octávio, também é citado nas transcrições.

As gravações fazem parte de investigações da Polícia Federal, que realizou nesta sexta-feira (26) operação de busca e apreensão na residência oficial do governador, em gabinetes de deputados da Câmara Legislativa do DF e em empresas.

A Polícia Federal usou 150 agentes na operação. Foram apreendidos R$ 700 mil em dinheiro, além de US$ 30 mil e 5 mil euros durante as buscas realizadas em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

MAIS REACIONÁRIO DEFENDENDO O "FUNK"


Quando se quer hegemonia, investe em todo discurso. Posa-se de vítima, escreve-se um texto nervoso e mal escrito, tenta-se colocar argumentos verossímeis mas no fundo pouco convincentes.

Vendo esse fragmento do longo "manifesto" do reacionário DJ Flavinho, que também patrulha o blog Anti-Funk, sabe-se o quanto a prepotência funqueira não tolera críticas, tal como nas piores facções reacionárias. Volta e meia reacionários falam em "liberdade", "povo", "cidadania" e outras palavras bonitas para manter seu domínio.

Como DJ, Flavinho - que se define como O Poder do Som, mal disfarçando o jogo de poder que existe nos bastidores do "funk" - está sem dúvida alguma a serviço dos empresários de "funk", que lançam todo esse discurso de "manifestação da favela", "cultura de periferia" e outros clichês. Tudo para manter o faturamento astronômico desses empresários.

O texto é longo mas é cheio de clichês e acusações indevidas. Diz que não tenho lógica, acha que o "funk" só vai melhorar quando acabarem as desigualdades sociais - as mesmas que garantem esse mercado dos empresários de "funk" - , e outras baboseiras. Nem vou me ater no texto todo, aqui está um fragmento, na foto acima, para dar uma noção da mensagem desesperada do DJ.

O discurso de que o "funk" veio das favelas é falso. Se observarmos bem, em 1990 os empresários-DJs de "funk" começaram a recrutar gente para fazer papel de MC's nos "bailes". O processo todo se assemelha ao das armações do showbis. Além disso, a música "funk" é toda igual, do contrário que o DJ Flavinho diz. Tudo se resume a uma única batida e um vocal canhestro, parodiando cantigas de roda.

O próprio DJ Flavinho veio com a ideia de que o "funk" é ruim porque o povo é assim. Puro argumento elitista, que justifica a mediocridade musical pela miséria. Em outros tempos, a miséria não impedia que existissem artistas grandiosos como Ataulfo Alves, Cartola, João do Vale etc.

Se é para o "funk" existir, que exista. Mas que assuma ser um mero pop dançante comercial e fique nos seus "bailes". E pare de fazer esse discurso "militante" porque isso não vai beneficiar o "funk" em coisa alguma. Só vai dar em pretensiosismo grosso e chato. Façam os "bailes funk" quietos e fiquem na sua!!

Texto do Valor Econômico também critica transporte em Curitiba


Reproduzido do Blog do Favre/ Seção Curitiba

Cidade que foi modelo tem recorde de carros por habitante

VALOR – Marli Lima, de Curitiba

Cidade referência em mobilidade urbana, Curitiba terá um intenso debate sobre o tema na campanha municipal. A cidade inovou em soluções para o transporte público e exportou idéias para outros municípios brasileiros e até para o exterior. Mas, nos últimos meses, convive com engarrafamentos e reclamações tanto de usuários de ônibus como daqueles que transitam de automóvel. Obras ajudam a complicar o tráfego no centro e não dão a certeza de que a situação irá melhorar no futuro, quando estiverem concluídas. Por isso, os pré-candidatos ao cargo ocupado pelo tucano Beto Richa preparam suas propostas para que a capital do Paraná “descongestione”.

A implantação de linhas de metrô voltará a ser debatida ao lado de outras soluções. “Nos últimos quatro anos não foi feita uma única obra estrutural em Curitiba”, comenta o pré-candidato do PMDB e reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Augusto Moreira Júnior. Diz que o metrô é necessário, mas, se não houver dinheiro para fazê-lo, é preciso melhorar o transporte de superfície. “Era previsível o colapso e não foi feito o dever de casa”, afirma. Para o presidente do PMDB municipal, Doático Santos, faltam trincheiras (pequenos túneis) e viadutos.

Na visão do deputado estadual Osmar Bertoldi, pré-candidato pelo DEM, “é preciso trazer para o transporte de massa quem tem carro”. Segundo o democrata, viadutos e trincheiras só transferem o problema para a esquina seguinte. Conciliar moradia com trabalho próximo e dar preferência ao pedestre com calçadas e iluminação de qualidade, para que ele deixe o carro na garagem, são algumas de suas sugestões. Também cita rotas estruturais para bicicletas, a extensão de ciclovias a terminais de ônibus e a necessidade de pesquisar a origem e o destino das pessoas para oferecer a elas conforto e rapidez no sistema público.

A implantação do metrô será uma das bandeiras do pré-candidato do PSC, o deputado federal Ratinho Júnior. “Não se concebe o aumento das frotas convencionais de transporte coletivo, especialmente em um município de vanguarda como Curitiba, quando há alternativa mais avançada”, disse, recentemente, em discurso em Brasília.

A pré-candidata do PT, Gleisi Hoffmann, diz que faltou planejamento nos últimos anos e que a abertura e alargamento de ruas não resolverá o problema. “Nós nos deparamos com os mesmos problemas de outras metrópoles”, afirma. Para ela, o metrô é uma das soluções, mas por ser demorado, a administração precisa de imediato tornar atraente o transporte público.

O prefeito Beto Richa ainda não oficializou a candidatura à reeleição e, nos últimos dias, viu crescer o número de críticas ao trânsito e ao transporte. Seu braço direito na área de Urbanismo, o diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano, Augusto Canto Neto, defende que tanto o sistema viário como o transporte coletivo têm recebido o maior volume de investimentos na atual gestão. Segundo ele, de janeiro de 2007 até agora, dos R$ 250 milhões em obras, R$ 195 milhões foram destinadas a essas áreas.

“O planeta sofre com o excesso de carros nas ruas”, argumenta Canto Neto. Cita, entre as medidas adotadas recentemente para uma das mais motorizadas cidades do país, o estímulo ao uso consciente do carro, carona solidária, restrições a estacionamentos no centro e criação de binários (vias paralelas com tráfego em sentidos opostos).

Canto Neto promete outras melhorias, como o desalinhamento de estações que ficam em canaletas de ônibus, para permitir ultrapassagem. A intenção é fazer a velocidade média subir de 15 km/h para 24 km/h. Veículos batizados de “ligeirões” entrarão nessas vias para levar quem vai do centro aos bairros, sem paradas. O metrô também deverá sair do papel em 2009 e sua construção levará de seis a oito anos.

Segundo a prefeitura, o congelamento da tarifa de ônibus por três anos e o atual preço de R$ 1,90 ajudou a reduzir a queda de usuários. Em uma década, a redução foi de 18%, e nos últimos três anos 11% teriam sido recuperados. Após protestos e sugestões de ciclistas, também está em estudo um projeto que resultará na instalação de bicicletários com serviços de locação.


Minha resposta para o texto, publicada no citado blog:

Não seria melhor mudar algumas coisas, como extinguir a padronização visual – cuja identificação seria substituída por um sistema de numeração de linhas – e colocar bancos estofados nos ônibus? O modelo curitibano já começa a se desgastar, essa é a realidade.

Curitibano confirma desgaste do sistema de ônibus da cidade


Recebi uma resposta de um rapaz que vive em Curitiba, que atende pelo nome de Henriquen, cujo depoimento vale muito mais do que o otimismo fictício dos tecnocratas do transporte coletivo.

Só para lembrar ao Henriquen, o também curitibano Thiago Barboza Crespo, do site TB Crespo, é CONTRA a padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro.

Cara, eu vivo em Curitiba. E Curitiba NÃO TEM DE FATO O MELHOR SISTEMA DE TRANSPORTE DO MUNDO.
PAREM DE IMITAR CURITIBA! Vocês estão loucos?!

Sim, articulados vivem absurdamente lotados, são lentos e depreciam com o tempo. A frota precisa ser renovada, sem falar que a integração é imperfeita: os terminais vivem lotados - pouco espaço - além de serem, em grande maíoria, cubículos fechados em que tem uns anóides que insistem em fumar habitualmente...

Enfim, com 1,7 milhões de habitantes já é um caos, calcule com 10! Sério, a melhor saída é investir em metrôs e em integração mais eficientes. Além de linhas adequadamente eficientes - um programa de qualidade iria muito bem, reduzindo os atrasos acerca de ZERO, já seria uma grande ajuda.

Bem, ainda não é ponto, mas um grande amigo meu adoraria ver as pessoas andando de tirolezas... hauhauahuahauhauahuah

Mediocridade lapidada: "funk" carioca tem versão paulista


Ah, tudo é tão lindo. Tudo são flores, tudo é mel. O vômito tem cor verde ou amarela fosforescente, lembra os shortinhos das dançarinas do Tchan e das mulheres-frutas. As fezes são o novo caviar, deve avisar um etnógrafo chapa-branca. O fedor soltado pelo peido das calipígias agora é o novo perfume.

Pois agora o "funk carioca" tem sua resposta paulista, com letrinhas comportadas e às vezes uma inclinação para o "funk melody". E ganhou o apelido de "permitidão". Até o DJ Marlboro, cuja ob$e$$ão pela hegemonia do "funk" é tamanha que ele até fala muitas besteiras para defender o estilo, não deixou de ver algo positivo no "movimento paulista".

A reportagem foi publicada pela Folha de São Paulo, o mesmo jornal que lançou o termo "ditabranda" para amenizar a imagem depreciativa da ditadura militar.

O discurso "cultural" foi herdado da multi-demagogia carioca, tudo corretinho, certinho, asséptico. Como se o "funk", despojando-se de letras chulas, alusões a sexo e violência etc, fosse se tornar "maravilhoso". Isso não é verdade.

Mesmo com letrinhas corretinhas, o "funk" sempre se tornará uma idiotice, uma mediocridade. E nada garante que a postura "certinha" durará por um tempo. Porque, a qualquer momento, a título de "emancipação sexual" e "liberdade de expressão", voltam as letras chulas, pornográficas, violentas e por aí vai. Empurraram Tati Quebra-Barraco para as crianças, não é mesmo? Podem empurrar coisas piores.

Menina recebe ameaça de morte de colegas


Uma aluna da Escola Estadual Pacheco Prates, do bairro de Belém Velho, em Porto Alegre, recebeu ontem uma carta contendo um questionário feito por colegas em que uma das questões apresenta como opção matar a garota.

A mãe ficou chocada com o conteúdo da carta, enviada dias depois da menina ter levado um tapa de uma colega. Assustada, a menina se recusa a voltar à escola e pediu até para a mãe transferi-la para outro colégio. A menina, ao ser entrevistada, afirmou que nunca agrediu as colegas, o que agrava mais a situação dos agressores dela.

Este é o ponto em que chegamos, quando a responsabilidade de parte dos pais em educar os filhos é menosprezada. Estes pais parece que produzem filhos só para ter status na sociedade, mas não se preocupam em educá-los, transmitir valores sociais positivos. Isso acaba produzindo crianças agressivas que, no futuro, se tornarão adultos violentos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Brasil registra aumento no número de casamentos


Segundo o IBGE, o número de casamentos no Brasil aumentou 4,5% nos últimos 10 anos.

O número de divórcios e separações, no entanto, continuou variando entre 0,8 e 1,5%.

Além disso, as mortes violentas de mulheres jovens aumentaram 32,7% em todo o país.

Depois dizem que anda sobrando muita mulher sozinha no nosso país. Só pode ser coisa de bebum que, nas boates, fica vendo por vez três mulheres quando há apenas uma.

A mídia já começa a calar a boca diante desse mito das "mulheres sozinhas".

Que ótima lição para Nana Gouveia!...


Na edição de Caras desta semana, as atrizes Dani Valente e Bianca Rinaldi receberam um livro dedicado às obras do grande arquiteto Oscar Niemeyer, ainda ativo nos seus 102 anos.

Ver livros sobre artes é uma atividade bastante saudável e sem vulgaridade. Seria uma ótima lição para a atriz Nana Gouveia que, apesar dos seus 34 anos e de duas filhas adolescentes, só aparece nas suas atividades de boazuda, cujas "façanhas" - exibir vestido esvoaçante, deitar na praia, "sambar" na quadra de escola de samba, mostrar "cofrinho", não fossem suficientes as sessões no Paparazzo - já começam a cansar de enjôo até o mais entusiasmado tarado de plantão.

Ser jovial é uma coisa. Ser vulgar é outra. Nana se comportando como uma menininha calipígia no começo da puberdade soa muito patético.

Liam Gallagher anuncia que formará nova banda


Em entrevista recente, o cantor Liam Gallagher afirmou que a banda Oasis, na qual ele fazia parte e disputava liderança com o irmão e guitarrista Noel Gallagher, acabou definitivamente.

Liam declara também que ele e outros membros do Oasis podem seguir carreira através de um novo grupo, cujo nome ainda não foi divulgado.

Enquanto isso, Noel Gallagher, que era o principal compositor do grupo e atuava com segundo vocalista ("Don't Look Back in Anger", por exemplo, é cantada por ele), seguirá carreira solo.

Rua em Nova Jersey homenageia guitarrista de poser metal


Autoridades de Nova Jersey (EUA) decidiram rebatizar uma rua com o nome de Richie Sambora, o guitarrista da banda de poser metal Bon Jovi.

Tudo bem que Sambora investiu numa instituição para financiar tratamentos de câncer, com vários beneficiados, mas a iniciativa foi um exagero. Talvez se desse um prêmio para Sambora, em vez de uma rua com seu nome, fosse mais justo e coerente.

Agora, quanto à música, sabemos que o Bon Jovi não merece prêmio algum por causa de seu som meloso e cafona, e que nem as atuais rádios de rock autênticas - que no entanto às vezes se corrompem diante do suposto "revisionismo" empurrado pela força comercial das rádios bastardas - deveriam se lembrar dessa banda.

Decadência do padrão "curitibano" começa em São Paulo


Reportagem do jornal Brasil de Fato mostra o caos do transporte coletivo de São Paulo.

Ele tem todas as caraterísticas do "transporte coletivo de todos os sonhos":

- Sistema integrado;

- Consórcios de empresas;

- Pintura padronizada;

- Algumas linhas em "pool";

- Ônibus articulado;

- Frotas reduzidas compensadas (em tese) por corredores exclusivos.

O que é que faz essas caraterísticas, associadas a um sistema de transporte por ônibus tão "perfeito", causar tanto caos na maior cidade da América Latina?

Sinal de que o modelo "curitibano", que já está saturado em Curitiba - até agora não se evidenciaram os defeitos na capital paranaense, mas já cresce entre as pessoas a ideia de que Curitiba não tem o melhor sistema de ônibus do país - , começa a dar sinais de profundo desgaste e desastre em São Paulo.

Outra prova é que a administração municipal não consegue dar conta da hercúlea missão de administrar consórcios de linhas - na prática, um método misto de controle político mais iniciativa privada - , nem em ideias como o "pool", acabando com o mito de "super-autoridades" que os defensores desse modelo de transporte coletivo tanto afirmam, com pretensa sabedoria.

Essa reportagem de Brasil de Fato é um alerta para o projeto de transporte idealizado pelo prefeito carioca Eduardo Paes, que quer implantar o mesmo padrão de São Paulo no Rio de Janeiro, provavelmente inspirando iniciativas similares pelo resto do Estado.

Além de provocar um grande desastre no transporte coletivo, poderá causar frustração até mesmo nas autoridades estrangeiras que visitarem o Rio em 2014 e 2016.

Abra o olho, Dudu Paes!!!!

EMI relança discos de Wilson Simonal


Você acha o Alexandre Pires o máximo de requinte e talento musical? Já estava acreditando que o Belo é "boa gente"? "Redescobriu" Benito di Paula e Luís Ayrão como "gênios injustiçados" de nossa música?

Pois desista de tudo isso e, se tiver algum disco desses caras acima, pode vender no sebo de seu interesse.

A EMI relança todos os discos que o cantor Wilson Simonal gravou na companhia, que são 12 LPs e os diversos compactos que foram reunidos numa coletânea em CD duplo. O ícone da "pilantragem" (mas totalmente avesso à picaretagem) mostra nesses discos os motivos de seu grandioso sucesso, que ativou ao longo dos anos a ação de oportunistas, como os citados no primeiro parágrafo.

Por isso mesmo, quem quer o verdadeiro suíngue brasileiro, é melhor desligar a TV na hora do Faustão e comprar os discos desse nome da MPB autêntica, que tem até um seguidor vivo e ativo, Wilson Simoninha, também mandando brasa na música brasileira.

Rick & Renner agora deram pra mentir


A dupla breganeja Rick & Renner, figurinha fácil dos programas do Gugu Liberato, disse em entrevista que seu som "não é comercial".

Que mentira, que lorota boa.

Dá para perceber o desespero desta dupla com tal demagogia, já que a decadente dupla breganeja gravou até sambrega num disco acústico, além do fato de um dos dois ter namorado a Helen Ganzarolli, para "anabolizar" sua aparição na mídia.

Mas agora que o "império romano" da axé-music começa a ruir, funqueiros e breganejos agora têm que mentir para alcançar o tão desejado império mercadológico em todo o território nacional. Os funqueiros dizem que fazem "movimento cultural". Os breganejos dizem que "não fazem" música comercial. Então tá.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O FASCISMO "FUNK"


O "funk" tornou-se a camisa-de-força do povo pobre. O povo carioca virou refém do "funk" carioca. Até o samba virou refém dos funqueiros, que com seu lobby político e seu discurso engenhoso instalam sua ditadura, isto é, "ditabranda", para enganar até mesmo cientistas sociais e artistas.

O discurso "funk" é lindo, alegre, positivo, substancial. Mas a música que realmente significa o "funk" carioca nada tem a ver com essa retórica tão sedutora, desse "canto de sereia" que engana a todos que tenham alguma ingenuidade e fraqueza emocional.

Pois o "funk" não favorece em coisa alguma o povo pobre. Se favorecesse, teria resolvido até com certa agilidade o problema dos moradores da Baixada Fluminense, que perderam tudo nas chuvas. Pois esta é a sina do povo pobre, é o lado sombrio desse ideal do "orgulho de ser pobre", que só serve para promover o conformismo do povo pobre com o paliativo do paternalismo das autoridades.

A FARSA DO "ORGULHO DE SER POBRE"

Essa ideologia do "orgulho de ser pobre" foi até descrita pelo economista John Kenneth Galbraith no seu livro A cultura do Contentamento. As autoridades trabalham em propagar o mito do pobre "autosuficiente" para evitar tensões sociais. Cria-se um conformismo, uma ilusão de que o pobre nada mais precisa, que o que ele "precisa" já lhes é dado, e que basta apenas esses "bons selvagens" - como as elites veem o povo pobre - façam seu circo, explorando o máximo do grotesco, para toda a sociedade se sentir "feliz".

Essa "felicidade" do povo pobre é trabalhada até nas novelas da Rede Globo. Vejam as novelas das "oito", que mostram ricos problemáticos e angustiados contrastando com um núcleo pobre "feliz", "sem problemas", cômico e risonho. E o ufanismo esportivo comandado por Galvão Bueno na Globo, mas também seguido por Luciano do Valle e outros (alguém acha que a Bandeirantes, como um suposto mar-de-rosas da objetividade jornalística, não tem seus ataques de ufanismo?), também ilude os pobres com o espetáculo do "futebol feliz", do Brasil que "sempre vence" nas partidas de futebol.

Esse "orgulho" mostra o tom do discurso das elites para domesticar os pobres, em vez de lhes dar melhorias reais e efetivas. Pobre que rebola, dança na boquinha da garrafa ("coreografia" reciclada no "funk" como sendo "dança folclórica"), sorri feito um pangaré, esse sim é "feliz", "cumpre seu papel de cidadão". Mas pobres fazendo passeata, seja para pedir passarela sobre uma rodovia, seja para pedir um pedaço de terra, esses pobres são vistos como "marginais", "bandidos", "arruaceiros", "terroristas".

O FASCISMO "FUNK"

Do contrário que Bia Abramo afirma, perversa não é a rejeição que o "funk" do Rio de Janeiro sofre dos seus detratores. Perversa, isso sim, é a retórica em torno desse ritmo e todos os valores que isso significa.

Pois não se pode acreditar sequer no rótulo de "movimento cultural", obtido por vias políticas, e que não passa de mero apelo marqueteiro do "funk" para enriquecer seus empresários. Repete-se, tantas vezes for, que o discurso de defesa do "funk" contradiz sua realidade, porque o que se fala do "funk" é tudo lindo, tudo maravilhoso, tudo flores, mas é só por o CD no toca-discos ou ir a um "baile funk" para ver que essa retórica florida nada tem de verdadeira.

Falam que os que não gostam de "funk" são "preconceituosos", "invejosos", "moralistas" e outros adjetivos depreciativos. Falam como se o moralismo de hoje fosse totalmente igual ao de cem anos atrás. Não é. As comparações do "funk" com o samba e maxixe são totalmente sem fundamento. O samba e o maxixe não botaram o apelo sensual acima da música. O "funk" bota. Infelizmente, é preciso muito jogo de cintura para derrubar os argumentos contra nós, que rejeitamos o "funk" por conseguirmos enxergar tudo de negativo que há nesse ritmo.

Pois se trata de um movimento fascista, sim. O favelado, agora, só pode ser funqueiro. Virou camisa-de-força da periferia, que não pode mais se manifestar senão pela via do traseiro rebolativo, pela paródia de cantiga-de-roda sob uma reles batida eletrônica. O povo pobre não pode mais fazer música como Jackson do Pandeiro e Ataulfo Alves faziam, porque, pasmem todos, seria "ato de burguês".

Como é que em pleno Século XXI um ritmo totalmente troglodita, que é o "funk", quer se impor goela abaixo para toda a sociedade, pobre ou não, quer exigir o respeito que não pratica, porque o "funk" não respeita, é um par de glúteos peidando na nossa cara diante da TV.

O "funk" é o novo fascismo, num Brasil onde ter senso crítico é visto como ato anti-social. O "funk" quer prender o povo nas favelas, como a música brega original, de Waldick Soriano, quis prender o povo do interior no alcoolismo e na prostituição. O povo pobre busca dignidade, mas a música brega, a música neo-brega e o "funk" em particular, não deixa.

Tudo tem que passar pela vontade dos dirigentes e empresários funqueiros, pretensos representantes da classe pobre, gente velhaca, perversa, contra a qual é arriscado fazer reportagens investigativas. Todo o discurso de defesa tem que ser positivo, usando dos recursos mais avançados de narrativa, seja o new journalism que tempera as notícias com narrativa literária, seja a História das Mentalidades que narra o cotidiano dos anônimos.

Mas tudo é marketing no "funk". Tudo é como Goëbbels dizia: uma mentira veiculada mil vezes vira "verdade". O "funk" passou mais de quinze anos usando o jabaculê para dominar a mídia, e hoje diz que não faz e nem fez jabaculê. O "funk" promove verdadeiras armações, com ídolos de laboratório, totalmente risíveis, e diz que "não existe armação". O "funk" se autoproclama "tudo de bom" mas é só ver as notícias policiais para ver que a coisa é bem diferente.

Agora o "funk" se acha acima até mesmo de qualquer cultura fluminense. Ludibriou intelectuais e artistas, dominou eles feito os vilões de filmes de ficção científica, que se passam por "bonzinhos" e dominam suas vítimas. Quer prender o povo pobre na sua miséria, sob o pretexto de que "a favela é seu lugar". Como se as casas precariamente mal-construídas, residências improvisadas diante da exclusão do mercado imobiliário, fossem vistas como "arquitetura pós-moderna". Desde quando casa que é soterrada por um deslizamento de terra é "arquitetura pós-moderna"?

O favelado não está na favela porque quer. É porque ele não consegue comprar um apartamento. Assim como, no mundo brega, as prostitutas querem mudar de vida, estudarem na escola, virarem professoras. Mas o brega prende as prostitutas na prostituição. E prende os alcoolistas no alcoolismo. O brega e todos os seus derivados - inclusive o "funk" carioca - escravizam o povo, num fascismo tropical, comandado por empresários do entretenimento dos mais diversos, desde os do interior do país até os das grandes corporações de mídia do Sudeste. Se bem que existe grande mídia regional, também, existe uma grande mídia no interior que não é por não ser paulista que vai deixar de funcionar como grande mídia, no sentido do poder manipulador das massas.

O "funk" faz mal ao povo. O povo quer se livrar do "funk". Os pobres querem melhoria de vida, querem cidadania, escola, saúde, trabalho. Não querem balançar os glúteos. Há muita moça pobre que sente nojo ao ver as grotescas musas do "funk", horrendamente pornográficas, terrivelmente chulas. Isso não é cidadania. Isso não é movimento cultural. Isso é grosseria gratuita, que maltrata o povo pobre e quer domesticá-lo através do "batidão", para que assim as verdadeiras rebeliões sociais sejam silenciadas e tudo garanta a manutenção de privilégios de políticos, empresários e tecnocratas.

ACREDITE SE QUISER: ROBERTO JUSTUS TEM A MESMA IDADE DE KID VINIL


Acredite se quiser, mas Roberto Justus, que declara ter 54 anos, tem a mesmíssima idade do roqueiro e radialista Kid Vinil, que a certidão conhece como Antônio Carlos Senefonte.

Apesar da aparência de tio, Kid Vinil, grande conhecedor da história do rock e ele mesmo personagem da história do Rock Brasil como divulgador e músico, é também uma das figuras mais joviais do país.

Hoje Roberto Justus ganha os louros na mídia, mas nos anos 80, enquanto Kid Vinil fazia a sua história pessoal no Rock Brasil, o publicitário era ainda um yuppie com seus primeiros triunfos empresariais. Hoje, o apresentador de Um Contra Cem adota um visual maduro demais para sua idade, se percebermos que Justus é mais novo até do que Serginho Groisman.

DIRIGENTE FUNQUEIRO CONTINUA ESCREVENDO PARA MÍDIA ESQUERDISTA


Apesar do texto, da edição do mês passado de um conhecido periódico de esquerda brasileiro, soar como uma despedida, um conhecido dirigente funqueiro continua colaborando nessa revista.

Ele havia escrito um texto contestando uma entrevista em um programa da Rede Globo.

Embora, através de uma mensagem anônima, provavelmente escrita por alguém dessa associação dirigida pelo articulista, o anônimo missivista esteja mais preocupado em questionar meu esquerdismo do que em defender a esquerda em geral, dizendo até que preferia receber o apoio de um conservador "consciente", o dirigente funqueiro e articulista preferiu manter-se como colaborador dessa revista.

O "funk" nunca foi um movimento de esquerda e nem é, e sua ascensão se deu através da Era Collor e da mídia que apoiava o então presidente, em 1990. O dirigente funqueiro sabe muito bem disso e, se der oportunidade para ele apunhalar a esquerda pelas costas, ele faz sem remorso algum.

Mas ele precisa vender a imagem do "funk" como um "movimento revolucionário de esquerda", até para reforçar o verniz "socializante" do ritmo. Por isso ele continua na revista. Tem parlamentares esquerdistas lhe apoiando. Enquanto o "funk" não se torna um império tipo a axé-music - império que começa a ruir, estimulando a competição entre funqueiros e breganejos - , seus defensores têm que apelar para usar todos os rótulos associados a movimentos sociais de vanguarda ou aparente vanguarda do país. Por enquanto, não está "tudo dominado" em todo o Brasil. O "sertanejo universitário" ainda não deixa os "bailes funk" tomarem todo o território.

Cantora baiana vai descumprir licença-maternidade


A cantora baiana na qual não podemos dizer o nome - se já levamos pau por citarmos Zezé Di Camargo & Luciano, imagine se citarmos a amiguinha baiana deles - anunciou que vai voltar aos palcos em dezembro próximo.

Só que isso representa o descumprimento de sua licença-maternidade, que é de quatro meses.

Isso demonstra a obsessão pela fama, e o descuido da cantora de preservar sua imagem ou mesmo de cuidar da saúde, já que sua atividade de cantora de axé-music envolve muito gasto de energia física. Na gravidez, ela deveria ter descansado a partir do quinto mês, mas se arriscou ainda no oitavo mês e aí teve que parar.

Advertimos sobre o risco da fama extrema, da superexposição ou mesmo da imprudência em relação à saúde dos ídolos. Já advertimos sobre esse risco. E vimos as tragédias de Carmem Miranda, Elvis Presley, Marilyn Monroe, entre outros, vítimas das pressões do mundo da fama. No Brasil parece "tudo de bom", mas quando esses ídolos estavam no auge, também se pensava a mesma coisa.

Nem para se beneficiar, essa cantora baiana não economiza sua imagem pública. Se ela adiasse sua volta aos palcos para fevereiro, daria um ótimo marketing para ela, que voltaria logo no Carnaval.

Os axezeiros têm que tomar cuidado, porque a bruxa começa a botar seu bloco na rua. Um camarote desabou durante apresentação do Chicletão em São José dos Campos, com 50 feridos.

Isso é que dá usar metáforas catastróficas tipo "o palco vai tremer", "o chão vai ruir", "sair do chão", "furacão da Bahia" e outras. Dá nisso.

MÍDIA RUIM II - SITES DE FOFOCAS


É preciso deixar muito claro que não se deve confundir a mídia de fofocas com a mídia específica de colunismo social. A primeira mostra quase que exclusivamente celebridades da televisão, a segunda mostra, além destas, empresários, profissionais liberais, socialites e ricos em geral.

Aqui mostramos os sites de fofocas, que é uma forma virtual das revistas de fofocas, que depois serão analisadas.

Esta mídia é o paraíso astral da futilidade virtual, das notas tolas sobre ex-BBB, das banalidades até mesmo dos famosos, algo como uma versão trash do que acontece na mídia estrangeira. A mídia fofoqueira britânica, por exemplo, é bem grosseira, mas não chega à cafonice patética da similar brasileira, apesar desta ser politicamente correta.

Dos principais sites de fofocas, o Terra Diversão é o mais contido. É claro, mostra boazudas mostrando o corpo em qualquer situação (é só isso que essas nulidades sabem fazer), às vezes exalta algum ídolo popularesco, mas seu conteúdo é mais cauteloso, às vezes aparecem notas até sobre o cantor Morrissey, por exemplo.

Em seguida, aparece o Babado, que é mais específico nos famosos da televisão. Já é um pouco mais brega, mas não cai na esculhambação. Depois entra o Fuxico, que aí já pesa um pouco mais para a cafonice, cai um pouco no nível. Houve uma época que não faltavam notas sobre qualquer bobagem envolvendo a dançarina da Gang do Samba (genérico do É O Tchan), Rosiane Pinheiro.

Há também o Portal Ego, das Organizações Globo, que, por incrível que pareça, mergulha na futilidade feito criança louca para brincar na piscina. O site endeusa ídolos popularescos e enche a bola das nulidades que fizeram parte do Big Brother Brasil. Certa vez, noticiou o reencontro de uma ex-BBB com outra colega do riélite como se fosse um grandioso reencontro de pessoas que não se viam há décadas. Além disso, o Ego também procurou resgatar a imagem de ídolos bregas, reforçando a falsa imagem de injustiçados dos mesmos.

Mas, entre estes sites, o campeão de breguice é o Futrico, que no momento está inacessível porque foi invadido por vírus. Mas, quando este site era acessível, o que se via era bajulação atrás de bajulação aos ídolos popularescos. Era como se não somente a ridícula Banda Calypso, na ótica do Futrico, merecesse o Nobel da Paz, mas também o Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó e até o MC Créu. Até os funqueiros são tratados como deuses. E as boazudas bregas, como se fossem as Deusas do Olimpo.

Essas sites são também responsáveis pelo prolongamento artificial da gíria "balada", que já deveria ter caído em desuso. Eles também condicionam o comportamento fútil dos jovens no endeusamento vazio dos famosos, a ponto de não tolerarem críticas a estes. A cantora de axé-music tal está se superexpondo demais? Não pode dar um pio contra isso. E pouco importa se ídolos de sambrega foram para um festival de MPB. Para seus fãs, eles "conquistaram seu espaço". Recentemente, a horda reacionária está cantando de galo pelos "sertanejos universitários" e seus "mestres", a dupla Zezé Di Camargo & Luciano.

O comportamento estimulado por estes sites também causa problemas ao associar as noitadas em boates como um ideal de vida para os jovens. Fica a impressão de que a superioridade humana está na curtição obsessiva em noitadas - as tais "baladas" - , no culto à fama, ao sucesso e ao enriquecimento, e o ódio a qualquer crítica, mesmo construtiva, contra os ídolos que simbolizam esse universo de fama, sucesso e riqueza.

Por isso mesmo, esses sites, embora representem "tudo de bom" para a "galera irada", representam tudo de ruim na mídia brasileira. Apesar das relativas ressalvas a Terra Diversão.

domingo, 22 de novembro de 2009

Cristo Redentor, segundo a padronização visual de Eduardo Paes


Num seminário realizado no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes justifica seu projeto de padronização visual das obras de arte, vendo a platéia assustada com o novo Cristo Redentor.

- Sei que este projeto é muito polêmico, as reações foram esperadas por nós. Mas a ideia mesmo é destruir o atual Cristo e substituir por uma obra mais funcional e interativa, dentro dos padrões estudados pelos nossos melhores técnicos, do Rio de Janeiro e do Paraná. O novo Cristo Redentor está seguramente identificado, através do nome citado nesta nova obra, que parece uma plaqueta mas é uma obra de arte, e o nosso país é identificado por essas duas graciosas tarjinhas, uma verde e outra amarela.

- Senhor prefeito. - diz alguém da platéia. - Como é que fica a imagem do antigo Cristo, que tanto nos marcou durante várias gerações?

- Ora, meu caro, sr. (cita o nome do cidadão). - diz Eduardo Paes, sorrindo. - A imagem antiga do Cristo é detentora de uma iconografia extensa, incluindo fotos, imagens de cinema e vídeo etc. Essas imagens permanecem, na lembrança afetiva de quem gosta. Esse novo Cristo foi traçado diante estudos de demanda, segundo os mais cautelosos critérios técnicos, e nossos técnicos têm profunda experiência no assunto, têm doutorado e reputação ilibada.

- Mas essa padronização que o senhor bolou para as obras de arte não representa a morte da arte e o desaparecimento de tudo aquilo que foi bom, que marcou gerações, que expressa até hoje sua beleza? - pergunta um jornalista.

- Não acredito. - disse Paes, com ar seguro. - Essa padronização aliás é o que há de mais avançado na preservação da arte. Criamos padrões visuais que orientam o espectador quanto à época e o movimento de tal obra. Isso é funcional. E o aspecto interativo é a maior graça dessa grande novidade, o espectador vê a obra como quer, e junto a ela será colocado um perfil biográfico de cada autor e do movimento a que pertenceu, e aí o espectador lê e interpreta do seu jeito.

- E por que a obra é padronizada com a cor para a arte moderna? Não seria melhor padronizar com a cor da arte cristã, ou, quando muito, renascentista? - pergunta um arquiteto.

- Não. - disse Eduardo Paes. - O fato do Cristo Redentor ter sido esculpido no final dos anos 20 e inaugurado em 1931 dá à obra o status de arte moderna, que é o que estava em vigor na época, segundo os historiadores que trabalharam em nosso projeto.

- Por que o senhor pensa nas obras do mundo inteiro? E por que os títulos em português? - pergunta um estudante.

- Ora, se você quer, a gente bota títulos em inglês. De toda forma, será no mundo inteiro, sim, porque nossos técnicos e engenheiros são dotados de reputação superior o suficiente para interferirem, sim, nas obras artísticas, encerrando aquele ciclo das obras diferentes. Hoje o que teremos são obras com um mesmo visual, um visual padronizado, com a cor relacionada a cada tendência artística. E daremos total liberdade para o espectador interpretar essa obra. Não é o máximo? E teremos em breve novas concepções da Estátua da Liberdade, da Torre Eiffel e até da incômoda Torre de Piza, todos substituídos por plaquetas que orientem o contexto histórico-cultural dessas obras.

- Mexer no Cristo é uma blasfêmia! - disse um padre católico. - Isso é uma ofensa, é um acinte ao nosso grande Jesus, mestre de todos os mestres. Como é que se vai substituir uma escultura que representa a maior figura humana que nós tempos, por uma plaqueta que mais parece pirulito de caramelo?

Eduardo Paes, um tanto acanhado, se recompõe e fala, calmamente:

- Essas polêmicas também foram esperadas. Eu entendo muito a sua visão. Mas coisas novas são sempre assim. Acho que em dez anos o projeto do novo Cristo vai pegar, e todos ficarão acostumados. O senhor também compreenderá. Não há nada de mal rezar para um picolé, pirulito ou o que quer que pareça. Reza-se com a alma, até de olhos fechados, e não para uma escultura. Hoje vivemos o novo, a beleza é isso, e os Cristos, Mona Lisas, Vênus, etc, todos serão recordados permanentemente em fotos, imagens etc. A idéia do novo será através desses novos quadros, que orientam o leitor sobre o movimento cultural e o autor dessa foto. Terá mais funcionalidade, mais interatividade. Já falei com os políticos de Minas Gerais e vamos, sem dúvida alguma, padronizar as obras do mestre Aleijadinho nesse mesmo padrão. O Profeta Daniel, obra do grande mestre mineiro, será substituída por uma plaqueta, de acordo com os nossos padrões técnicos, visualmente padronizados desta forma:


E assim termina mais um evento onde prevaleceu os interesses político-tecnocráticos.

ROBERTO JUSTUS NÃO É DICK FARNEY


O publicitário, empresário e sugar daddy Roberto Justus avisou que vai cantar no especial de fim de ano do SBT.

Como nós não somos bobos - eu, por exemplo, nasci em 1971 mas não posso ficar indiferente ao que aconteceu nos anos 50-60 - , é bom deixar claro que Roberto Justus NÃO é Dick Farney, um dos grandes símbolos de voz grave e repertório sofisticado.

Primeiro porque Justus é apenas um crooner, que grava repertório já previamente gravado por outros, entre os standards de Hollywood e o pop romântico setentista - mas nada que anime os órfãos da Antena Um carioca, por exemplo - e não trabalha com um repertório próprio e inédito, ainda que composto por outrem.


PASMEM VOCÊS, NA OCASIÃO DESTA FOTO O EMPRESÁRIO ROBERTO JUSTUS NÃO ESTAVA A SERVIÇO. PIOR: A JOVEM ESPOSA TICIANE PINHEIRO É QUE FOI ACOMPANHAR O GUARDARROUPA SISUDO E ANTIQUADO DO MARIDO, QUE TEM A MESMA IDADE DOS SOBREVIVENTES DA BANDA INGLESA THE CLASH.

Segundo, porque essa "sofisticação" de Justus tem aquele cheiro mofado do granfinismo vazio e oco, aquela obsessão de ternos, black ties, rigidez na etiqueta e outras coisas que fazem até a revista Caras torcer o nariz de tanta sisudez. Não é por acaso que o oftalmologista aspirante a escritor Almir Ghiaroni sumiu das colunas sociais, já que estas hoje se voltam mais para mostrar Thiago Lacerda, Rodrigo Lombardi e outros de bermudão e tênis.

Justus continua na mídia e em Caras. Afinal é um sucesso no mundo da Administração. Mas dá para perceber que ele e Malcolm Montgomery - este um pouco mais flexível em relação ao padrão sisudo de sua geração, mas nada que o faça ter a natural jovialidade de um Evandro Mesquita - têm que se maneirar, entre a indisposição de assumirem a mesma juventude espiritual de Serginho Groisman e o constrangimento da perda de sentido relevante do padrão de elegância que essa geração de executivos, empresários e profissionais liberais born in the 50's havia aprendido há mais de 35 anos atrás, quando eles eram meros universitários.

A propósito, ainda vou falar noutra oportunidade sobre o cantor Dick Farney, mas adianto que ele era um cantor pré-Bossa Nova, admirado até por Cadão Volpato (do Fellini) e que mesmo com sua postura de cantor romântico entendia muito de jazz e era exímio pianista. Em 1990, em Salvador, eu ouvi um disco instrumental dele de jazz, lançado originalmente em 1962 e então relançado pela RGE, e adorei. Quando puder, vou comprar o disco.

Agora, sobre o clássico bossa-novista "Garota de Ipanema", que Justus dedicará a sogra Helô Pinheiro, ela já foi triturada antes por outro cantor pseudo-sofisticado, Alexandre Pires, em 2003, quando o ex-Só Pra Contrariar se apresentava para imigrantes hispânicos com a presença do então presidente dos EUA George W. Bush. Pelo jeito o ápice da "excelente" carreira estrangeira do cantor de sambrega.

Parte de camarote desaba e fere 50 em show do Chiclete com Banana em SP


O "império romano" da axé-music, um dos ritmos da mediocridade musical brasileira, começa a ruir. Depois do cancelamento do Niterói Folia, mais um golpe desafia a arrogância imperialista dos axezeiros.

Aliás, os ídolos da axé-music tanto falavam em "sair do chão", o "palco vai tremer", "a casa vai cair"? Pois isso é que dá fazer metáfora com catástrofe. Deu no que deu.

Acidente ocorreu em São José dos Campos, a 91 km de São Paulo.
Causas do desabamento ainda estão sendo apuradas.

Do G1, em São Paulo

O Corpo de Bombeiros de São José dos Campos, a 91 km de São Paulo, informou na madrugada deste domingo (22) que cerca de 50 pessoas se feriram após o desabamento parcial de um camarote de estrutura metálica durante um show do grupo baiano Chiclete com Banana na cidade.

Os feridos foram levados para o pronto-socorro do Hospital Industrial e para o Hospital Clínica Sul e, segundo os bombeiros, não há registro de casos graves.

O acidente atingiu o camarote por volta de 0h45, durante o evento "São José Folia", a micareta promovida na Universidade do Vale do Paraíba (Univap), num circuito de rua projetado, segundo site da instituição, para apresentações de trios elétricos.

As causas do desabamento ainda estão sendo apuradas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Arrendamentos: Câmara reprimirá ou vai liberar geral?


Do blog Preserve o Rádio AM - texto editado por Marcelo Delfino

Ontem, o Tudo Rádio saiu com esta notícia:

Arrendamento de rádios será debatido na Câmara

Um requerimento da deputada federal paulista Luiza Erundina (PSB-SP), solicitando audiência pública para debate sobre a prática de subconcessão por empresas de radiodifusão, foi aprovado nesta quarta-feira pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), da Câmara dos Deputados. A prática, que consiste no “arrendamento” da concessão concedida pela União a terceiros, não é permitida por lei.

Segundo o parecer do jurista Fábio Konder Comparato, que preside a Comissão Nacional de Defesa da República e da Democracia da OAB, a prática é ilegal, já que o concessionário não pode, de forma alguma, arrendar ou alienar a terceiro sua posição de delegatário do Poder Público. Comparato encabeça a lista de especialistas que devem ser convidados para debater o assunto.

Além de Comparato, devem fazer parte do debate o procurador da República Domingos Sávio Dresch da Silveira; Bráulio Araújo, representante do Coletivo Intervozes; Guilherme Stoliar, diretor de rede do SBT; Alexandre Raposo, presidente da Rede Record; Evandro Guimarães, vice-presidente das Organizações Globo e conselheiro da Abert; e Flávio Lara Resende, diretor administrativo da Abra. O Ministério das Comunicações também será convidado a enviar um representante para o debate. Mariana Mazza.

Com informações dos sites Tela Viva e Aesp

Por Carlos Massaro

A notícia já foi comentada na comunidade Dial Rio de Janeiro:

Marcelo

Mais uma pizza no forno!

Flávia & Cleiton

Ihh..Tá com cheiro de pizza mesmo!

Só acredito quando o governo tomar atitudes contra essa Feira de Acari do dial!

[]'s
Cleiton :)

Diego

Desde que o governo não tome para si essas concessões e coloque no ar as rádios do próprio governo...

Paulo Becker

Se for de 4 queijos eu como ... se não for tb !!!

Leonardo

O SBT

Como já vinha falando há tempos, promete atacar os arrendamentos, pois embora não tenha nada a ver, o SBT perdeu varias afiliadas para o Valdemiro Santiago da igrejola IMPD. A Globo, através do SGR, deve também atacar, já que esta tendo prejuízos com a dupla transmissão da Tupi no Rio. Cabe a nos também ao invés de ficarmos falando que vai virar pizza lutarmos também contra esta imoralidade mandando emails para os parlamentares responsáveis por esta CPI. Resta saber se o lobby dos concessionários é forte, pois até onde eu sei dos arrendatários é, porém como tem sido as instituições religiosas, sobretudo as pseudo evangélicas as que mais arrendam emissoras no território nacional, poderá haver uma bela queda de braço entre Globo e IURD (uma das maiores arrendatárias de TV e radio do pais). De repente pode ser que nem vire pizza, vide o 0900 que depois de pressão do Ministério da Justiça foi tirado do ar e só voltou mais de 10 anos depois, e após disso não mais deu certo. Sejamos otimistas, pois se abre aí uma oportunidade que até então achávamos dificílimo de ocorrer, portanto aproveitemos com unhas e dentes. Afinal essa é uma das lutas desta comunidade que se refletiu no caso Antena 1.

O mais provável é que venha mais uma pizza por aí, com o agravante de a Abert institucionalizar os arrendamentos, com as bênçãos dos senhores deputados. Mas penso que é hora de pressionarmos esses deputados, para que eles efetivamente trabalhem pelo fim dos arrendamentos. O endereço é www.camara.gov.br. Quem quiser entrar em contato com a deputada Luiza Erundina, para cobrar que ela trabalhe até o fim dos arrendamentos, pode usar estes contatos:

Gabinete 620 - Anexo IV Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes
Brasília - DF
CEP: 70160-900
http://www.luizaerundina.com.br

Telefone: (61) 3215-5620 - Fax: (61) 3215-2620

dep.luizaerundina@camara.gov.br

É bom pressionar os deputados da referida comissão, também. Senão, governistas e oposicionistas se unirão para fazer mais uma fornada de pizza.

DAKOTA FANNING


Já dá para perceber por que as boazudas brasileiras passaram a posar em fotos vestidas de Betty Boop, Bettie Page, Marilyn Monroe, fada madrinha, Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, pastorinha de ovelhas etc etc etc.

É porque elas estão desesperadas diante da surpreendente musa Dakota Fanning, cuja beleza e sensualidade já são bastante evidentes mesmo nos seus 15 anos de idade.

EXEMPLOS DE OBRA DE ARTE "PADRONIZADA"

Vemos no tópico anterior, logo abaixo, a hipotética ideia do prefeito do Rio Eduardo Paes de padronizar visualmente a obra de arte do mundo inteiro (já que ele acha a ideia tão genial que acredita ser implantada em todos os países deste planeta). Foram criados padrões de cores para cada tendência artística. E todas as pinturas seriam substituídas por quadros, enquanto as esculturas seriam substituídas por painéis com formato de pirulito, mas sempre de acordo com o padrão da tendência. As manifestações brasileiras são identificadas por pequeninas faixas verdes e amarelas.

Os museus seriam todos demolidos e substituídos por novos, que optariam entre o padrão neo-colonial e o padrão EPCOT Center (da Disney). Este novo modelo, segundo o projeto de Paes, tende a estimular a interatividade e será dotado de total disciplina por parte das autoridades, favorecendo a segurança e permitindo a substituição da obra caso haja estravio ou incêndio. O objetivo, também, é poupar os futuros artistas de trabalhar nas obras de arte, bastando apenas dizer seu propósito artístico, seu pseudônimo e sua biografia. Ao lado de cada obra, haverá um cartão com dados biográficos do artista.

Aqui estão os exemplos da padronização visual das obras de arte, através de algumas das principais obras:

MONALISA, de LEONARDO DA VINCI



BATALHA DO AVAÍ, de PEDRO AMÉRICO



O GRITO, de EDVARD MUNCH



GUERNICA, de PABLO PICASSO



A BOBA, de ANITA MALFATTI



TROPICÁLIA, de HÉLIO OITICICA

E se a padronização de Dudu Paes invadisse as artes plásticas do mundo?


Vamos imaginar que a intenção do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, de padronizar visualmente o serviço de ônibus da cidade se estendesse para as artes pláticas do mundo inteiro. Sim, do mundo inteiro, já que a "curitibanização" dos ônibus é uma religião que congrega alguns busólogos, onde os tecnocratas do transporte coletivo são divindades, mas até os secretários de transportes são dotados de super-poderes para tornar o complicado mais "simples". Por isso imaginemos a megalomania dessa "doutrina" invadindo o campo das artes do mundo inteiro.

Certamente os museus seriam todos demolidos, optando-se pela construção de novos museus, conforme duas tendências: o neo-colonial, à moda das antigas chácaras do século XVI, ou o futurista, à maneira do EPCOT Center, nos EUA.

As obras de arte, como conhecemos, seriam todas substituídas por um padrão visual organizado, conforme a tendência da arte. As pinturas seriam substituídas por quadros padronizados, onde está apenas o título da obra e o respectivo autor. Já as esculturas seriam substituídas por plaquetas tipo pirulito, com o mesmo padrão de cor adotado para cada tendência.

Entusiasmado, Eduardo Paes fala dessa nova idéia, defendida pelos mais experientes técnicos e engenheiros, que vêm na padronização visual das obras artísticas uma forma de estimular a interatividade do cidadão e de tornar a arte mais prática. Uma entrevista com Paes esclarece todos os pontos. A padronização visa disciplinar e tornar mais didática a arte mundial.

A padronização é definida com as seguintes tendências:

ARTE RUPESTRE



ARTE ANTIGA (EGÍPCIOS, FENÍCIOS ETC)



ARTE ANTIGA GREGA



ARTE ANTIGA ROMANA



ARTE CRISTÃ



ARTE MEDIEVAL



ARTE NEOCLÁSSICA / RENASCIMENTO



ARTE BARROCA / ARCADISMO (INCLUI ACADEMICISMO)



ARTE ROMÂNTICA / IMPRESSIONISMO




ARTE MODERNA (INCLUI FUTURISMO E CUBISMO)



ARTE CONCRETA / DADAÍSMO / BAUHAUS



ARTE CONTEMPORÂNEA



As obras de arte brasileiras seriam identificadas por duas pequenas faixas, verde e amarela, junto ao nome da obra e seu autor, conforme as duas figuras abaixo:

ARTE BARROCA / ARCADISMO / ACADEMICISMO - BRASIL



ARTE CONTEMPORÂNEA - BRASIL