domingo, 18 de outubro de 2009

Reportagem deixa vazar comercialismo em forró-brega


A reportagem de Thiago Ney, na Folha de São Paulo, veículo da chamada "mídia gorda" que faz propaganda da música brega-popularesca, aparentemente evoca a atitude "espontânea" do grupo Aviões do Forró em distrubuir CDs gratuitamente.

Antes que defensores do brega-popularesco do "quilate" de Hermano Vianna apareçam na mídia para exaltar a suposta atitude "indie" dos forrozeiros-bregas, temos que lembrar aqui que, num mercado de risco que é o brega-popularesco - que, pela ruindade musical evidente, tem que apelar para tudo, da fúria dos Olavo Brunos da vida à distribuição gratuita de CDs (que, passada a onda, vão direto para os sebos mofar a R$ 3,99 em média) - essa atitude "generosa" dos Aviões do Forró não é mais do que a estratégia de marketing mais recente de um ídolo popularesco.

Por trás disso, porém, Thiago Ney deixa vazar que o Aviões do Forró é cria de uma empresa (A3 Entretenimento). Os músicos são apenas empregados dos empresários da agenda, consistindo, no forró-brega, no fenômeno das "bandas com dono" tão comuns na axé-music e que, de forma implícita, é imitado no "funk carioca" através dos MC's (no fundo, crias sustentadas pelos empresários das equipes de som).

Ou seja, não existe arte alguma. Os músicos podem entrar e sair das bandas que a fórmula é a mesma. É a mesma linha de montagem, ditada sobretudo pelo medalhão da agência, Aviões do Forró.

Não havendo arte, também não existe cultura, e esse forró-brega só serve para entretenimento, como indica o nome da agência, e entretenimento não pode ser confundido com cultura. O entretenimento só visa o tempo presente. A cultura, pelo contrário, visa a posteridade. O entretenimento não produz necessariamente conhecimento (pode produzir, mas não é o caso dos ritmos brega-popularescos de forma alguma), a cultura produz conhecimento.

Em outros tempos, "artistas" dotados de estrutura empresarial poderosa e perfil artístico duvidoso eram conhecidas com a seguinte palavra: ARMAÇÃO. Mas o Brasil não tem jabaculê, não tem armação, José Sarney é o homem mais honesto do mundo e temos a maior imprensa de esquerda do planeta. Pelo menos é o que os reacionários que defendem o brega-popularesco e outros fenômenos da grande mídia querem que a gente pense, sob pena de nos espinafrar sem dó.

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