quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pela semiologia, "funk carioca" seria uma aberração


Em Comunicação, existe uma disciplina chamada Semiologia, que no âmbito da linguagem é conhecida como Semiótica. Nela, há uma relação entre signo e objeto, intermediada pelo interpretante. Numa outra abordagem desse processo, o objeto é considerado significante e seu sentido seria o significado.

O "funk carioca", se associarmos todo o discurso de defesa do ritmo ao que ele é na realidade, através dos CDs e das apresentações ao vivo - incluindo os "bailes funk" como um todo, até a platéia - , veremos que há um violento ruído de Comunicação. Ruído de Comunicação é quando há algo que perturba o sentido eficaz de uma mensagem comunicativa.

É um grande contraste, em proporções estratosféricas, entre o "funk carioca" como significante, como a coisa em si, com o objeto atuante numa realidade, e o "funk carioca" como significado, no sentido de todo um discurso lindo que aposta em milhares de apologias favoráveis ao ritmo.

Pois o discurso lindo (significado) não casa com o objeto "funk" (significante). Musicalmente, o "funk" se resume a uma batida eletrônica e um zé mané parodiando cantiga de roda com letras chulas. É tudo igual, seja o dito "funk de raiz", seja o "funk do bem" ou o "proibidão". Não há a menor riqueza sonora, poética nem musical. No máximo, apenas ritmo, batida, "batidão". Nada que justifique toda a retórica em defesa do ritmo carioca.

Daí o "funk carioca" ser uma das piores aberrações de todo o Brasil, um dos primeiros fenômenos de mídia em que o discurso fala uma coisa, e a prática fala outra completamente diferente. Onde a retórica é maravilhosa, e a realidade é um horror.

Nenhum comentário: