domingo, 4 de outubro de 2009

MÚSICA QUE PERMANECE


Parte da juventude até tentou desqualificar estes dois grandes grupos de rock.

A "galera toda da balada" (ugh, que gírias horríveis!!) tentou fingir que os Beatles nunca existiram ou são coisas de "velhos". Alguns engraçadinh0s até perguntaram se havia um DJ nos Beatles para ver se o grupo tinha realmente importância.

Já os fãs, fanáticos e intolerantes, do "engajado" Charlie Brown Jr., tentaram desqualificar a Legião Urbana, num esforço vão de mandar o grupo brasiliense para o poço do esquecimento. Usaram como pretexto o fato de Renato Russo ter gravado música italiana e disseram que a poesia dele era melosa e antiquada. Na última hora, porém, o grupo do Chorão teve que regravar "Baader-Meinhof Blues" para fazer sua parte entre os caronistas dos anos 80 (esses da febre "Ploc 80", que não enxergam diferença entre Ira! e Absyntho e acham que aquele desenho do Gato Félix de 1958-1960 é "puro anos 80").

Mas os cinquentões granfinos ou semi-granfinos, sobretudo a safra 1950-1955, que estão casados com moças da safra 1970-1977, também tentaram desqualificar os dois citados grupos:

Esses senhores, a princípio, tinham o maior medo de ouvir Beatles, assim como Elvis Presley, por esses coroas de primeira viagem (que ouviram Led Zeppelin aos 18 anos mas hoje juram que Glenn Miller Orchestra é o "som de sua geração") acharem que tais intérpretes faziam roquinho infantil. Em última hora tiveram que aceitar Elvis Presley, mas só baladas - música lenta, hein, "galera da náite"? - tipo "It's Now or Never" e "Love Me Tender" ('Jailhouse Rock", nem pensar, e "Marie's The Name" foi tocada pelos Smiths). Aliás "It's Now or Never" é versão da música italiana "O sole mio", de Giovanni Capurro e Eduardo di Capua. E tudo que é italiano interessa a esses coroas, que na sua obsessão pelo antigo - apesar de suas esposas jovens - tratam o centro histórico de Roma como se fosse sua Disneylândia.

Aliás, esses mesmos senhores menosprezaram durante muito tempo a Legião Urbana, achando que era roquinho de adolescente. Yuppies quando a banda lançou seus primeiros sucessos, os hoje coroas granfinos só minimizaram seu desprezo à Legião Urbana quando seus colegas de faculdade mais modernos elogiaram Renato Russo. Aí tiveram que engolir "Andrea Doria" e "Angra dos Reis", quando Renato, no final da vida, já gravou canções italianas (mas nada que faça esses coroas sonharem com Fred Bongusto, Domenico Mondugno e Pepino Di Capri cantando no "Copa"). Em todo caso, Renato Russo, se não é admirado por esses sugar daddies, pelo menos ficou menos desprezado.

O JULGAMENTO DO TEMPO

Além desses contratempos, houve nos anos 90 a tentativa da mídia - da crítica musical aos editores de revistas de celebridades - em "diminuir" (para não dizer anular) o valor dos Beatles e da Legião Urbana. Quem não leu a Showbizz na sua fase mais trevosa (1995-1998) esculhambando a gravação de "Free as a Bird", enquanto babava o ovo nos Mamonas Assassinas (que nunca foram mais do que uma resposta musical ao Pânico da Pan)? E quem não testemunhou, entre 2000 e 2004, os xiitas fãs de Charlie Brown Jr., sob influência das patéticas rádios-roque, dizerem que a banda de Chorão é "mil vezes melhor" que a de Renato Russo?

No entanto, a História mostra que nem sempre aquilo que é badalado no calor do momento dura para sempre. Não é por acaso que funqueiros e breganejos partem para o ataque, com medo que seus ídolos, artistas medíocres, sejam tragados pelo lamaçal do esquecimento.

Claro que também há pessoas que foram badaladas no calor do momento e que duram para sempre. É esse o caso da Legião e dos Beatles. Suas músicas romperam o limite do universo roqueiro, sua linguagem musical foi rica e sua mensagem forte, e seu talento não precisava ter defensores raivosos e chantagistas. Isso porque sua música falava por si só.

O que dói em muitos jovens hoje em dia é que passam os Mamonas Assassinas e Charlie Brown Jr. e passarão os ídolos da axé-music, do breganejo, do "funk", fosse como fosse a raiva desses jovens diante desse destino inevitável.

Isso dói porque a mediocridade musical regada a muito marketing não consegue se manter de pé diante dos grandes artistas, cujos talentos ninguém, nem mesmo a mídia, precisa dizer que existe. Os grandes artistas são talentosos porque esse talento flui naturalmente.

2 comentários:

Leonardo Ivo disse...

Alexandre,sobre estes coroas ue cito dois que fogem esta regrea: Lulu Santos e um ex-jogador de voley que é casa com uma mulher lindissima. Veja como o Lulu santos se veste.

O Kylocyclo disse...

É isso aí, Leonardo. Eu mesmo sei disso. Quando eu critico coroas como Roberto Justus, Almir Ghiaroni e Malcolm Montgomery, sempre que posso chamo a atenção para o fato de que os três e outros similares deveriam se espelhar em Evandro Mesquita, Serginho Groisman e sobretudo em Lulu Santos, gente da geração dos outros, mas com uma mente muito mais jovem. Lulu não exige que pessoas como Gabriel O Pensador lhe dirijam a palavra com formalidade, Gabriel fala com ele como se fosse um colega de escola.

Eu mesmo escrevi um texto lembrando disso:

http://okylocyclo.blogspot.com/2009/06/eles-nao-quiseram-saber-de-ferris.html