domingo, 25 de outubro de 2009

MTV Brasil deveria abandonar a gíria "balada"


Não fica bem uma emissora que é até bacana manter a gíria "balada", uma gíria de laboratório que não combina com a programação inteligente da franquia brasileira.

Embora seja de uma franquia do Grupo Abril, a MTV brasileira possui uma autonomia não só em relação aos franqueadores quanto à matriz estadunidense, que é mais conservadora em muitos casos.

Uma emissora que chega a recomendar para os jovens desligarem a televisão para lerem um livro não pode insistir numa gíria que corre solta em programações imbecilóides de canais como a Rede TV!. Não pode insistir numa gíria de laboratório, sem qualquer serventia nem contexto social, só porque ela é supostamente associada aos jovens de hoje.

É legal ouvir pessoas falando em "festa", "boate", "bar", no sentido de enriquecer o vocabulário, assim como é deprimente ouvir marmanjões dizendo "balada" ou "galera" (outra gíria desgastada).

Naquela linha "se pode complicar, pra quê facilitar?", os jovens viciados na gíria "galera" são obrigados a fazer malabarismos tipo "galera lá de casa", "galera lá da escola", "galera da produção", "galera da televisão", "galera do Orkut", porque é incapaz de usar um vocabulário ao mesmo tempo rico e simples no sentido. Seria mais fácil ele dizer "minha equipe", "meus colegas", "meus amigos", "minha família", em vez de "galera" disso ou daquilo. Como também é mais sensato falar "boate" e "festa" ao invés do preguiçoso e esquizofrênico "balada".

O último recurso do uso da decadente gíria "balada" pela MTV é através de uma promoção com um aparelho de barbear. Ah, os publicitários adoram a gíria "balada", pois são seus co-autores. Antes disso, houve o tal programa "Balada em Ibiza" que foi fogo de palha, não adiantou uns patetas falarem em "balada" porque os gringos logo viram neles um bando de "cucarachas" metidos a inventar palavras à toa.

A gíria "balada" deveria cair em desuso, para o bem da humanidade. Nem possíveis hipóteses de derivação e corruptela linguísticas conseguem explicar com exatidão a palavra. Toda gíria de verdade tem um fundo social e uma vida de micróbio, e a gíria "balada" não tem uma coisa nem outra. Primeiro, por ser uma gíria de proveta, criada por publicitários, radialistas e empresários dos agitos noturnos. Segundo, porque é uma gíria com longevidade artificial, uma gíria que não quer ser gíria, quer entrar no Aurélio e durar milênios.

Mas a verdadeira gíria não é arrogante a querer viver além de suas condições naturais. Se uma gíria morre, ela morre e pronto. A gíria "balada" já deveria ter morrido há uns cinco anos, se ela não fosse tão artificial assim. Só que esta gíria de proveta tem até departamento comercial e esquema de mershandising, por isso a desesperada e calculada sobrevida.

Pessoal da MTV, deixe a gíria "balada" para a Rede TV!, Jovem Pan 2, Caldeirão do Huck, Quem Acontece, portal Ego, revista Caras e outros redutos da alienação cultural. Deixe essa gíria para clubbers desmiolados, playboys reacionários, esportistas grosseiros, fofoqueiros sádicos e outras espécies da fauna midiota.

Uma rede de televisão que produz o excelente Furfles deveria apagar a gíria "balada" do seu dicionário.

Para entender o verdadeiro sentido da gíria "balada" é só trocar, respectivamente, o "l" e o "d" por um segundo "b" e pelo "c".

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