terça-feira, 6 de outubro de 2009

MST E A MÍDIA


Falar do Movimento dos Sem Terra é uma coisa delicada e polêmica. É verdade que seus líderes acabam partidarizando o movimento e agindo visando interesses politiqueiros, mas os manifestantes sem-terra, como todos manifestantes em protestos sócio-políticos, são na verdade um balaio onde se misturam pessoas bem intencionadas e outras picaretas, que só querem fazer desordem.

Não se sabe claramente onde estão os sem-terra honestos e os desonestos, vendo assim através da mídia. A grande mídia, no entanto, trata o MST como vilão de forma generalizada, e o coro é engrossado até mesmo na "mídia fofa", que é aquela mídia grande mais contida, que às vezes parece "esquerdista" aos olhos dos incautos. Pois quando o assunto é MST, toda a grande mídia é contra, podendo ser Globo, Veja, Folha e Estadão, podendo ser Rádio Metrópole de Salvador e RBS no Sul do país, Rede Transamérica, Jovem Pan, Bandeirantes, Isto É.

Neste caso, a imprensa esquerdista (Carta Capital, Caros Amigos) se isola na solidariedade ao MST. José Arbex Jr. cita, no seu livro Jornalismo Canalha, que critica a grande mídia, que o MST conta com um projeto educacional para o povo rural, com moldes semelhantes ao do método Paulo Freire de educação, tão esquecido numa época em que a Rede Globo consegue enganar as pessoas confundindo Educação com Esporte.

Nesse circo todo, normalmente os chamados "líderes de opinião" adotam uma postura de abstenção em relação ao MST. Dentro da média entre a "mídia fofa" e a mídia de esquerda, o chamado "líder de opinião" não pode adotar uma postura reacionária, e neste caso prefere se calar.

Independente dos prós e contras das lideranças dos sem-terra, os ataques que a mídia gorda e a mídia gordinha fazem contra o MST reflete a fúria da imprensa burguesa contra os movimentos sociais. E mostra o quanto deve ser, na ótica dos poderosos, o comportamento do povo pobre.

Dessa forma, a grande mídia fica feliz quando o povo pobre balança o rabinho feito macaquinho de realejo, através de ritmos grotescos como o "funk carioca" e o porno-pagode baiano. A mídia tenta dar a falsa idéia de que o povo, dessa maneira, está "fazendo seu papel de cidadão através da cultura". Por trás desse discurso, no entanto, há o conformismo social dos pobres que, manipulados, se tornam uma massa passiva, o que não representa risco para os privilégios dos poderosos.

Mas quando o povo pobre grita sua voz de fúria contra a opressão, fazendo passeatas, barricadas, invasões de terrenos ociosos ou improdutivos, a mídia, assustada, parte para a fúria. Chamam os pobres de desordeiros, marginais, arruaceiros. Como o pobre aqui não faz o papel de macaquinho de realejo que a indústria popularesca impõe para ele, a mídia despeja todo o seu preconceito moralista, a ponto de enfatizar alianças espúrias por trás dos sem-terra.

Assim é fácil. Mas por que a mídia não dá a mesma ênfase diante das alianças espúrias do "funk carioca"? Porque a mídia fica feliz quando, nos "bailes funk", pessoas "balançam o popozão", porque é um povo domesticado, abobalhado pela mídia grande, que está ali num universo de libertinagem que, com todos os abusos feitos, não incomoda as elites que dormem sossegadas em seus latifúndios, mansões e apês.

Infelizmente, o povo pobre, para a grande mídia, é como se fosse animal irracional.

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