segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MPB FM ADERE AO "BREGA DE RAIZ"


O vírus da bregalização assombra uma das poucas emissoras de MPB do país, a carioca MPB FM, criando um clima de apreensão para quem sente o parco espaço para a MPB autêntica nas rádios se diminuir cada vez mais.

O lobby de certos medalhões da MPB que, em nome da "visibilidade" da mídia, corteja alguns artistas bregas, sejam os pioneiros Waldick Soriano e Odair José, seja o trio imperialista axé-music/breganejo/"funk carioca", faz surgirem os primeiros frutos daninhos dessa manobra, que segue a mesma perspectiva "revisionista" que fez a Folha de São Paulo (uma das responsáveis, com as Organizações Globo, pelo "renascimento" do "brega de raiz" no Brasil) lançar o termo "ditabranda" para classificar a ditadura militar brasileira como um "regime brando".

Semanas atrás, noticiamos que a MPB FM tocou uma música do Odair José, "Eu Vou Tirar Você Deste Lugar". Hoje uma música do Benito Di Paula apareceu na programação da emissora.

O grande temor, conforme dissemos na nota anterior, é haver um novo revisionismo, partindo deste mesmo lobby artístico, que transforme a MPB FM, se ela continuar existindo, numa nova gororoba musical, ou então nela dar lugar a futuras "rádios de MPB" que na verdade soam como um cruzamento musical de Beat 98, Nativa FM e Rede Aleluia (pasmem! há quem diga que Aline Barros "também é MPB") que joguem a MPB autêntica apenas para o final da noite e madrugada, exílios da música de qualidade na já atrofiada Frequência Modulada.

Já imaginou se os medalhões do brega-popularesco dos anos 90 passam a receber o mesmo tratamento que os bregas dos anos 70? Será horrível, e essa manobra certamente não afeta os medalhões da MPB autêntica, que manterão seu espaço, mas afetará seriamente quem tem talento mas está excluído do circuito comercial das rádios.

Vale lembrar que a música brega NUNCA esteve excluída do circuito comercial, até porque sempre foi movida por interesses meramente comerciais, sem qualquer compromisso com a cultura (no sentido de transmissão de conhecimento e de função social). Brega é só entretenimento, algo como um chiclete de bola para consumo rápido. Não serve para a posteridade.

Por isso temos que tomar cuidado porque esses "revisionistas" estão aí para seduzir e enganar a multidão, sob imagináveis e até inimagináveis alegações.

Um comentário:

O Kylocyclo disse...

Moacir Franco é uma espécie de Fábio Jr. dos anos 60. Mais apresentador e ator do que cantor. Só no comecinho de carreira ele tinha opção de entrar na MPB.

No entanto, ao escolher a carreira das músicas piegas, a exemplo do Fábio Jr., Moacir Franco aderiu fundo à música brega.

Concluindo. Moacir Franco NÃO É MPB. Assim como Fábio Jr., objeto desta comparação, também não.