segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Funk" pode "apunhalar" a esquerda a qualquer momento


A julgar pela mensagem de um defensor do "funk carioca", pouco preocupado em defender a esquerda brasileira, e feliz porque está do lado de "conservadores inteligentes", a tendência que o ritmo carioca terá a qualquer momento está em consonância com a tendência da grande mídia, mesmo a "mídia fofa", que se unirá a uma frente ampla direitista, preparando as campanhas para 2010.

Quando lhe convinha, o "funk carioca" usou a esquerda para vender a imagem de "movimento social", para seduzir desde políticos esquerdistas até intelectuais e artistas mais engajados. Obtida essa vantagem, o "funk carioca" poderá, daqui a pouco tempo, dispensar o apoio esquerdista, uma vez que seu acesso na grande mídia é agora totalmente garantido. Mais ou menos como o direitista dublê de radiojornalista Mário Kertèsz fez em Salvador, tentando atrair o apoio da esquerda baiana para obter vantagens e depois traindo violentamente os esquerdistas baianos que, sem ter a fibra crítica dos gaúchos, ainda indagam o porquê da Rádio Metrópole e seu astro-rei se voltar contra eles.

Se a "mídia fofa", a facção "boazinha" da mídia grande, já está com apetite direitista (o Canal Livre da TV Bandeirantes entrevistou uma vez o Cabo Anselmo, antigo pivô do Golpe de 1964, para ver se despertava no público o mesmo sentimento direitista que os avós de Johnny Saad, dono do Grupo Bandeirantes, despertaram na população há 45 anos com as marchas Deus e Liberdade), imagine então todos aqueles que se envolvem de alguma forma com eventos de entretenimento e informação ligados às elites que cercam a grande mídia como um todo.

Além disso, o "funk" se prepara para sobreviver a um Brasil "tucano", vendo que a mídia toda quer um pessedebista novamente no Planalto. Os empresários do brega-popularesco, todos eles, também querem, até porque foram favorecidos politicamente pelos dois governos de Fernando Henrique Cardoso e pelos políticos direitistas que respaldavam o governo.

Aliás, toda a história da música brega, de Waldick Soriano ao MC Créu, passando por axezeiros, breganejos, sambregas etc, envolve sempre o apoio das forças políticas mais conservadoras, as mesmas que apoiaram a ditadura militar e reprimiram os mais diversos movimentos sociais.

Aliás, tanto faz para os funqueiros se aliarem hoje às forças que condenam os movimentos sociais (dos sem-terra, dos operários, dos estudantes e outros realmente oprimidos). Até porque o único movimento social que os defensores do "funk" enxergam é o deles mesmos.

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Eu também estou pensando neste assunto da aliança da esquerda com os funqueiros. Pode ser tema da minha série Por quê não gosto de funk carioca.

Também penso num assunto intrigante, que pouca gente comenta: o problema maior nem é a eleição de um novo presidente tucanalha, e sim SE Lula e as luletes entregarão a Presidência. Pode rolar um movimento neoqueremista pró-PT, um autogolpe ou coisa parecida.