sábado, 10 de outubro de 2009

Fórmula "anti-rádio" da 89 FM emulava Estácio e Fluminense FM


A 89 FM foi mitificada por sua experiência feita entre 1985 e 1987. Talvez até superestimada pela crítica e pelo público.

Tida como "revolucionária", a fórmula "anti-rádio" da emissora paulista, no entanto, não era mais do que uma imitação, a partir dos fins de 1985, das experiências que a Fluminense FM de Niterói e a Estácio FM, do Rio de Janeiro, haviam feito em 1984 e 1985.

A 89 FM, nessa fase, tinha até uma programação criativa, com suas inegáveis virtudes e façanhas, mas estava dentro da média que as rádios norte-americanas menos ousadas faziam. Além disso, sua linguagem era mais pop do que a das duas rádios fluminenses, com clara influência da MTV matriz (não havia MTV no Brasil, na época).

Mas a maior virtude da 89 FM foi ter juntado um departamento comercial saudável - falha maior das rádios de rock originais - e uma programação mais próxima possível das emissoras alternativas.

Claro que era mito que a 89 FM tocava Violeta de Outono, Frank Zappa e Killing Joke o tempo todo. O grosso da programação era Titãs, Kid Abelha, Billy Idol, U2, Eurythmics. A turma alternativa, tida como o "prato principal", na verdade eram guarnições de complemento, quando não eram a sobremesa.

A experiência da 89 foi mais curta do que se imaginava. Já em 1987, a 89 não tocava mais as bandas do selo independente Baratos Afins. A presença de locutores vindos da Rádio Cidade foi germe de um mal que arrasou a rádio, que foi a locução pop, primeiro com os locutores da escola da Rádio Cidade 1977-1982, depois com locutores das escolas da Transamérica e Jovem Pan 2. Numa reportagem do programa Matéria Prima, que Serginho Groisman apresentava em 1990 na TV Cultura, sobre a rádio 89 FM, apareceu um locutor bem naquela linha do Fernando Mansur da Rádio Cidade de 1977, um estilo incompatível com o segmento rock autêntico, sendo mais apropriado para o perfil pop convencional.

Apesar disso, a mídia tentou a todo custo reencontrar a 89 FM de 1985 durante cerca de 20 anos, sem saber que tal experiência se perdeu (sim, a 89, como rádio-rock, morreu antes que as emissoras originais; a "rádio rock" que se seguiu foi uma farsa que enganou quase todo mundo).

MAGLIOCCA COPIOU DISCURSO DE LAM? - O que se observa no livro de Luiz Antônio Mello e na citação do primeiro coordenador da 89, Luiz Fernando Magliocca, é uma possível semelhança de uma frase deste com a de LAM.

Vejamos o que Luiz Antônio Mello, primeiro coordenador da Fluminense, escreveu no seu livro A Onda Maldita:

"Não sou profissional de Rock e sim de Comunicação. Já trabalhei, e trabalho, em emissoras de rádio e TV com os mais variados formatos."

Numa outra passagem, Luiz Antônio Mello fala de um convite para desenvolver uma rádio tipo town & country, e em outra passagem afirma que trabalhou também em AM popular.

Agora vejamos o que Luiz Fernando Magliocca disse, em depoimento ao jornalista Ricardo Alexandre no livro Dias de Luta:

"Ouço rock, mas não sou profissional do rock. Sou profissional do rádio. Se eu tivesse que cuidar de uma rádio sertaneja (sic) ou popularesca, iria cuidar do mesmo jeito."

Será que Magliocca leu o livro de LAM antes de dar seu depoimento?

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