sexta-feira, 16 de outubro de 2009

É ASSIM QUE TEM QUE SER


Quem tem uma esposa bem mais nova paga seu preço de ter que se adaptar ao estilo de vida e aos referenciais dela. Sobretudo para quem nasceu na década de 1950, num Brasil pré-moderno, e aos 20 anos aprendeu todo um estilo de comportamento e vestuário adultos que hoje terá que abandonar completa e radicalmente.

Depois que criticamos o uso de sapatos do diretor de elenco da Rede Record, Eduardo Menga, eis que ele apareceu de camisa colorida e tênis ao lado da atriz Bianca Rinaldi, sua esposa e, junto a ele, mãe de duas gêmeas. É até um avanço homens como ele usarem tênis não apenas nas caminhadas na orla ou em passeios turísticos, pois nesta foto ele estava no Festival do Rio, um evento sobre cinema. A foto foi publicada na revista Caras.

É evidente que a natureza não dá saltos e os homens mais maduros ainda mantém certas frescuras, como não pintar os cabelos nem fazer lipoaspiração. Aí, tudo bem, apesar da caretice visual. Mas o jeito é adaptar o visual com roupas mais joviais, com caminhadas que pelo menos façam reduzir em parte a barriga, e moderar na alimentação. Pelo menos Lulu Santos - que tem a mesma idade do Eduardo Menga - adapta seu perfil grisalho com um estilo de vida que foi sempre jovial.

A adaptação jovial dos cinquentões - que, sobretudo os que se casam com mulheres mais jovens, NÃO podem se comportar como "coroas puros" - , além de evitar o constrangimento de outras pessoas com o contraste entre um "coroa maduro" e uma moça moderna e jovial, faz com que o cinquentão de hoje não entre em choque com o jovem que ele era há mais de 30 anos. No caso do Eduardo Menga, deve-se inferir que ele, aos 25 anos, tinha o porte físico do humorista Marcelo Adnet, uma das revelações da atualidade.

Eduardo Menga ainda está no começo, sugiro que ele, sem prejuízo para a concorrência televisiva, comece a se entrosar com o apresentador Serginho Groisman, da Rede Globo, que com seus 59 anos sempre manteve a jovialidade em dia.

É bom lembrar que um cinquentão (ou quarentão, sessentão, setentão etc.) ser marido de moças mais jovens causa constrangimento em muitas pessoas da geração dessas moças, e isso pode prejudicar o próprio cinquentão que ainda acredita na velha seriedade (des)comedida, na antiga "superioridade elegante" dos anos 70, do semblante cansado, dos sapatos engraxados, do gosto musical "romântico-orquestral".

Essa superioridade, que causava muito orgulho até uns anos atrás, já não é bem vista sequer pelos colunistas sociais, mesmo os que antes cortejavam pessoas assim. Virou sinônimo de arrogante sisudez, de estilo antiquado, forçado, falso. Em tempos que as colunas sociais são cheias de atores de bermudão e tênis, não dá para os homens maduros adotarem o mesmo figurino "elegante" de 1974. É fazer os colunistas sociais passarem vergonha, com tamanhas cartas criticando a antiga elegância (hoje funcionalmente uma falta de elegância) de ternos, gravatas e sapatos de verniz usados fora de contexto. Até Hildegard Angel hoje está mais pop.

Os tempos mudam e não dá para o cinquentão de hoje se espelhar no quarentão de 35 anos atrás. Se espelhar nos gerentes de hotéis cinco estrelas de seriado norte-americano não dá!! Lançar romance no Programa do Jô vestindo terno preto (pode ser marca Hugo Boss, Casa José Silva, Alfred ou qualquer outra) é indamissível. A não ser que o cinquentão seja casado com uma mulher bem mais velha, aí qualquer sisudez é justificável.

Até agora o publicitário Roberto Justus e o oftalmologista Almir Ghiaroni, também casados com mulheres mais jovens, demonstraram um comportamento mais adequado para maridos de, respectivamente, Hebe Camargo e Lily de Carvalho. Não é hora deles se mexerem também?

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