terça-feira, 27 de outubro de 2009

DILUIÇÃO DO SAMBA, NO PLANO NACIONAL, NÃO POSSUI MERCADO HEGEMÔNICO PRÓPRIO


Os dois ritmos que diluem o samba brasileiro, o sambrega do Sudeste e o porno-pagode da Bahia, evidentemente, são dois fortes mercados regionais do brega-popularesco. Possuem ampla penetração na mídia, possuem um lobby fortíssimo e as revistas e sites de celebridades dão um enorme espaço para seus ídolos ou para personalidades relacionadas.

No entanto, os dois fenômenos são apenas fortes mercados regionais. O sambrega - de Alexandre Pires, Belo, Exaltasamba, Grupo Revelação, Raça Negra, Pixote, Grupo Molejo, Katinguelê e outros - e o porno-pagode - de É O Tchan, Harmonia do Samba (*), Psirico, Pagodart, Parangolé, Saiddy Bamba, Guig Guetto, Nossa Juventude e, mais recentemente, O Troco - não possuem um mercado hegemônico próprio, no plano nacional, apesar de serem ritmos de destaque na Música de Cabresto Brasileira.

No plano nacional, três tendências popularescas é que seguem mercados hegemônicos. Primeiro é a axé-music, por sua fortuna astronômica, favorecida tanto pelas altas taxas dos blocos carnavalescos baianos quanto pelo lobby político do falecido Antônio Carlos Magalhães. Segundo é o breganejo, ou a dita "música sertaneja", que é diretamente patrocinado tanto pelas tradicionais oligarquias rurais, os grandes latifundiários, quanto pelos empresários neoliberais do agronegócio. Em terceiro, há o "funk carioca", que, embora não seja hegemônico no Brasil, possui um lobby que trabalha para associar o "funk" ao mercado turístico nacional.

Por isso, nesses três mercados hegemônicos, as demais tendências bregas e neo-bregas têm que se apoiar em um dos três maiores mercados popularescos. O esquemão breganejo é famoso por abrigar, em seu mercado, tanto os primeiros ídolos bregas (Waldick Soriano, Odair José etc.), quanto o forró-brega (mercadologicamente tratado como um "breganejo dançante").

Por isso mesmo, a opção para o sambrega e para o porno-pagode é embarcar noutros mercados para sobreviver. Normalmente, o sambrega se apoia no breganejo, até porque ídolos como Raça Negra, Só Pra Contrariar e outros se apoiaram nos fenômenos comerciais Leandro & Leonardo e Chitãozinho & Xororó, em 1990. A apresentação de Alexandre Pires no festival de Barretos, neste ano, é um sintoma disso, assim como a penetração do sambrega em eventos de agronegócio e de festas juninas e julinas.

Já o porno-pagode, normalmente, sobrevive como um sub-produto da axé-music. Isso apesar de grupos como É O Tchan e Companhia do Pagode emprestarem seus referenciais ao "funk carioca". Mas normalmente o "funk" e o porno-pagode não se misturam, para evitar comparações.

Há rumores de um acordo mercadológico entre funqueiros e os empresários de axé-music que impede o porno-pagode de Psirico, Pagodart e Parangolé façam sucesso nacional para não atrapalhar os projetos hegemônicos do "funk", já que ambos os ritmos, que apostam na imbecilização cultural, também possuem alto teor grotesco-pornográfico.

(*) O grupo do cantor Xanddy havia aderido há um bom tempo ao sambrega, apesar de ser baiano e atuar no esquema do carnaval baiano.

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