sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Cabo Anselmo" dos anos 90 lança novo disco


Charlie Brown Jr., banda de pop-rock de Santos (SP), queridinha das rádios pseudo-roqueiras da virada dos anos 90 para os 00, tornou-se sucesso por uma questão de acaso, quando um conflito interno nos Raimundos, líder do filão "punk paras as massas" (espécie de poppy punk à brasileira), tirou o grupo das paradas de sucesso. Rodolfo Abrantes, o vocalista, abandonou o grupo e tornou-se, desde então, militante e hoje pastor evangélico.

Charlie Brown Jr., desse modo, ocupou o filão dos Raimundos, com uma postura e um discurso, da parte do vocalista Chorão, que, com 35 anos de diferença, se assemelhavam justamente ao discurso que o sargento José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, havia feito durante a Revolta dos Marinheiros, em março de 1964.

Era aquele discurso de "rebeldia" que não era muito claro. Não havia um ideal de vida, nem um questionamento real dos problemas da sociedade, fora aquelas coisas clichês. O discurso do Cabo Anselmo e de Chorão apenas dizia o seguinte: "O país está perdido, você tem que ficar atento, tem que tomar cuidado". E só.

Não sou eu que digo, são os fatos que assim mostram. Afinal, é só comparar nomes do rock brasileiro dos anos 80, como Clemente, Renato Russo ou mesmo Cazuza, para perceber que eles de fato questionavam os problemas sociais, enquanto Chorão soava muito vago. Tal comparação se assemelha à entre o discurso vago do Cabo Anselmo e os questionamentos concretos da turma da União Nacional dos Estudantes, naquele ano de 1964.

Os próprios jornalistas também diziam coisa semelhante. Ricardo Alexandre, que havia tentado ressuscitar a ótima revista Bizz, fez nela uma resenha de um disco do Charlie Brown Jr. dizendo que o grupo adotava uma postura direitista com retórica de "esquerda". A mesma coisa que Cabo Anselmo, que, oficialmente, se declara um "esquerdista traído".

Chorão só não teve a crueldade de Cabo Anselmo, que era agente da CIA (Central Information Agency) dos EUA, e depois se tornou um dos mais perigosos dedos-duros da ditadura militar, entregando seus próprios colegas para os órgãos de repressão.

Chorão, pelo menos, se limitou a ser "colaborador" da grande mídia, aparecendo até nos programas da Xuxa e do Faustão. No entanto, Charlie Brown Jr. tornou-se banda famosa pelos defensores fanáticos, que, intolerantes, não suportam que alguém comente sequer uma tosse do Chorão.

Musicalmente, apesar dos esforços melódicos nos discos mais recentes, o Charlie Brown Jr. é musicalmente medíocre. Por isso, é covardia colocar o grupo santista no mesmo patamar da Legião Urbana. Neste sentido, o Charlie Brown Jr. é equivalente brasileiro dos Guns N'Roses, no pretensiosismo roqueiro e no fanatismo de seus fãs (neste caso são fãs mesmo, porque o contexto permite).

2 comentários:

wilson disse...

Alexandre, tenho a seguinte opinião se começa a aparecer muito na Globo pode ter certeza que já perdeu a personalidade e rock é atitude e personalidade. Quanto ao Charlie Brow Jr. prá mim é a mesma coisa que Fresno e NxZero. tem um monte de banda de rock falsas por aí querendo agradar o patrão. Aliás hoje a maioria dos artistas querem agradar a "Senhora de todos os destinos do país" : REde Globo. Quase todos querem aparecer no Faustão . Me lembro que A legião nunca fez questão de aparecer na Globo . Eles foram o que foram naturalmente sem forçar a barra. De jabá vive o brega

Edilson Trekking disse...

Eu gosto muito de algumas bandas dos 80 porque peitaram o sistema, mesmo os seus integrantes sendo da classe média ou rica agora tem umas bestas do brega que saem la de baixo e ficam na deles.Uma das bandas era Legião Urbana respeitada até por teólogos protestantes(de esquerda). Eles falam que a Legião foi mais importante para a abertura e depois a democracia do que muitos religiosos, pois mostraram as mazelas do Brasil.Foi num acampamento Metodista que eu conheci a Legião "amor a primeira ouvida".