segunda-feira, 5 de outubro de 2009

BELO PENSA QUE É SAMBISTA


O cantor de neobrega Belo, em entrevista recente ao Terra Diversão, afirmou que aposta na linha "romântica" que é, segundo o cantor, que mais dá certo para ele desde que ele saiu da banda de sambrega Soweto.

No entanto, Belo aproveitou a deixa para fazer marketing da rejeição, afirmando que nos anos 90 sofria "muito preconceito" com sua banda. Pura desculpa essa do "preconceito", feita por todo o brega-popularesco, dos antigos bregas aos funqueiros atuais, para levar vantagem na sua mediocridade musical.

Além disso, Belo pegou carona na revalorização do samba e tentou se nivelar ao lado de nomes autênticos como Diogo Nogueira e Arlindo Cruz, para se autopromover.

Sabemos, no entanto, que o som do Belo quase nada tem a ver com o verdadeiro samba. Da mesma forma que o Alexandre Pires, Waguinho, Rodriguinho, Netinho de Paula e outros similares.

Todos eles, na verdade, fazem o mesmo que os breganejos Leonardo e Daniel, todos naquela linha brega-romântica de Fábio Jr., Wando e José Augusto, e, indo mais para trás, de Fernando Mendes, Gilliard e Odair José. Apenas há um disfarce "regional", o que significa que Leonardo e Daniel fazem música brega disfarçada de "música caipira", e Belo e Alexandre Pires fazem música brega disfarçada de "samba". É só macaquear o que estrangeiros como Alejandro Sanz, Bobby Brown e Akon fazem e, dependendo da tendência, botar viola caipira ou cavaquinho em cima.

Por outro lado, o samba autêntico se revaloriza por sua força natural, apesar das gozações da mídia ao cantor Zeca Pagodinho ou de ataques reacionários de mau gosto contra simpatizantes do ritmo, como Maria Rita Mariano.

A própria mídia grande impõe dificuldades para a divulgação do samba autêntico, o que mostra que nomes como Diogo Nogueira (filho do também sambista João Nogueira, já falecido) e Arlindo Cruz conseguiram credibilidade com muito esforço e coragem.

A situação do samba, apesar de ser patrimônio cultural autêntico, reconhecido pelo IPHAN, é mais dramática do que se imagina, porque há pouco espaço para o ritmo nas rádios, que não tocam mais de quatro sambistas autênticos por temporada (o que faz com que, por exemplo, para um Arlindo Cruz aparecer nas rádios, Dudu Nobre tem que cair fora).

Não bastasse isso, o samba tem seu carisma usurpado por farsantes, péssimos sambistas, seja o sambrega da região Sudeste, seja o porno-pagode da Bahia, herdeiro da linha pós-Tchan do Harmonia do Samba (hoje convertido para o sambrega).

Por isso que querer separar o joio do trigo nada tem a ver com preconceito. Tem a ver, pelo contrário, por uma consciência crítica que não favorece os ídolos da mediocridade musical.

Nenhum comentário: