sábado, 31 de outubro de 2009

SINAL DOS TEMPOS


Notaram que a grande mídia, nos últimos meses, passou a tratar o senador José Sarney com o maior carinho e respeito?

Ele deve distribuir diretorias para gente da imprensa gorda. Só pode ser.

OBRAS DE HÉLIO OITICICA PODEM SER RECUPERADAS


Técnicos do Ministério da Cultura constataram que 70% das obras atingidas pelo incêndio podem ser recuperadas. Além disso, boa parte do acervo que estava na casa do irmão do falecido artista Hélio Oiticica não foi atingida pelo fogo.

Algumas obras foram atingidas pela água usada para combater o incêndio e só precisaram ser postas para secar. Outras obras atingidas pelo incêndio podem ser recuperadas ou reconstituídas, incluindo alguns parangolés (tipo de vestimenta criado por Hélio Oiticica).

Depois da recuperação, as obras serão guardadas em lugar seguro para serem expostas em 2010 num evento em homenagem ao artista, que fará trinta anos de falecimento no próximo ano.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

MPB DEIXADA PARA TRÁS


No cartaz publicitário de uma das principais redes de supermercados do Rio de Janeiro, aparecem quatro cantores cujo posicionamento sugere uma linguagem que dê prioridade aos ídolos popularescos.

São quatro cantores, posicionados da esquerda para a direita: a Garota Gigantinha (cantora de axé-music baiana, apesar de nascida em São Gonçalo-RJ), os breganejos Leonardo e Daniel, e o sambista Zeca Pagodinho.

Destes, Zeca Pagodinho é o único que realmente representa a MPB autêntica. Os demais são expoentes do brega-popularesco que nada têm a ver com a verdadeira MPB, apesar do pretensiosismo.

Nota-se que, no cartaz, publicado em outdoors, encartes de jornais e transdoors, Zeca Pagodinho é posicionado para trás, como se fosse o "nome menor" entre os quatro citados. O que mostra o quanto os verdadeiros artistas da Música Popular Brasileira autêntica, mesmo com algum espaço na mídia, são sempre deixados em planos subalternos.

Não é preciso dizer que os empresários de redes de supermercados estão entre os maiores patrocinadores da Música de Cabresto Brasileira.

JAIME LERNER NÃO É DEUS


Deu no jornal A Tribuna, de Niterói.

Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, propôs às autoridades niteroienses que haja redução em 50% das frotas de ônibus de Niterói.

Se isso acontecer, será um dos MAIORES DESASTRES para o transporte niteroiense. Vale lembrar que parte da ruindade do transporte coletivo de Salvador (Bahia), por exemplo, se deve às reduzidas frotas de ônibus na capital baiana.

Jaime Lerner não é Deus. Ele é um tecnocrata do transporte coletivo. Apesar de algumas virtudes, ele nem sempre vê o transporte pelo ponto de vista dos passageiros, e adota soluções mirabolantes para o transporte.

Mas veio o hype de Curitiba e nos anos 90 várias idéias-engodo passaram a ser defendidas pelos tecnocratas e politiqueiros de plantão: "pool" nas linhas de ônibus, sistema "integrado" (que reduz a fonte de renda dos empresários de ônibus em benefício do mercado turístico e força as empresas de ônibus a pressionarem politicamente as autoridades, em troco das "mesadas" recebidas dos prefeitos), bancos de plástico nos ônibus, pintura padronizada, tudo maravilhoso no discurso, mas sem qualquer benefício prático efetivo para os passageiros.

É bom lembrar que essa proposta de reduzir as frotas de ônibus em 50% foi a principal idéia do ridículo projeto "Rio Bus", da COPPE/UFRJ, elaborado e defendido por tecnocratas vaidosos, que achavam o projeto "genial e revolucionário". Queriam vê-lo implantado em 1998, mas a vontade de Deus, pensando nos passageiros, prevaleceu, porque o "Rio Bus" faria, com a certeza absoluta, decuplicar os engarrafamentos na cidade do Rio de Janeiro de tal forma que teria reflexos até no trânsito de São Paulo, transformando a Via Dutra num gigantesco estacionamento 24 horas.

A idéia infeliz do dr. Lerner - que imagina não haver tantos automóveis nas ruas - provocará um engarrafamento três vezes maior, entupindo as ruas do centro niteroiense de forma dramática.

Recentemente, as frotas de ônibus de Niterói e adjacências (São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Rio Bonito) sofreram um aumento devido à redução do número de vans.

XÔ, NEURA!!


"A vida política brasileira está um lodo. Os petralhas estão acabando com o país! Tem que ter golpe militar!" (Diogo Mainardi)


"Dexa disso, neura!! Vá embora" (Veja Multi-uso)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

EXIBIR O CORPO TEM LIMITES


Os valores estão mudando, não para uma liberalização total, mas para um equilíbrio futuro entre liberdade e disciplina.

O ato da mulher usar roupas "provocantes", antes vista como sinônimo de liberdade, agora se associa ao mau gosto. Daí que as musas vulgares hoje não podem mais escolher homens, e, insatisfeitas e negligentes com os pretendentes que possuem, amargam a solidão e o desconsolo. Porque nem nerds nem losers querem saber dessas moças "liberadas".



Pois na semana passada, dia 22 passado, na Uniban, Universidade Bandeirante de São Paulo, filial de São Bernardo do Campo, ABC paulista, uma moça vestindo uma roupa colante e uma minissaia que mostrava as coxas, foi vaiada por uma multidão de estudantes ao entrar na Faculdade de Turismo. Ela teve que se esconder numa sala e sair de lá coberta por um jaleco e escoltada pela polícia, sob xingações dos colegas. É chamada de "puta", conforme se vê no vídeo.

Embora a revolta dos alunos contra ela seja exagerada, devemos observar os dois lados da questão. Se a raiva dos universitários tem um quê de cruel, a estudante também escolheu a roupa errada para ir à Universidade.

Ela tem que perceber o quanto andam em baixa, hoje, mulheres que mostram demais o corpo, e isso não é um argumento moralista. De jeito nenhum. É questão do grotesco mesmo, do mau gosto. Mesmo quem achou a reação dos estudantes exagerada, não iria também aprovar totalmente a vestimenta da moça, salvo certamente alguns alunos mais "liberais".

Mostrar as formas corporais assim de forma exibicionista não faz a mulher ser atraente. Pelo contrário, em certos casos torna-se repulsivo pela quase pornografia que isso pode insinuar, mesmo sem propósito. E mostra o quanto as Priscila Pires, Nana Gouveia e as dançarinas de pagode e "funk" estão erradas quando apelam para esse exibicionismo corporal.

A jornalista da Rede Globo, Michelle Loreto, também tem um corpo escultural e volumoso, mas não precisa provar essa formosura a toda hora com roupas grudadas no corpo quase sem cobrir as coxas. Pelo contrário, a bela Michelle usa roupas mais discretas, mesmo usando calças justas, e se torna muito mais sexy e gostosa do que todas as pretensas musas do popularesco juntas. Estas, de tanto exibir seus corpos, acabam sendo vistas como "carne de rua", mostram tanto que perdem a graça.

A conclusão que faço é esta. A reação furiosa dos estudantes pode ter sido exagerada e cruel, mas reflete a reação da sociedade com a vulgaridade feminina. Coisa que nenhum pretexto de "preconceito" consegue amenizar nem anular. Até porque, antes de certas mulheres defenderem seus direitos, elas devem primeiro respeitar a si próprias.

ASSOCIE AS IMAGENS AO DISCURSO ABAIXO


Enquanto você vê essas duas fotos, compare-as com o discurso de um típico intelectualóide defensor do "funk" sobre a abordagem da mulher pelo ritmo carioca:

"O funk é a voz do povo. E, como não podia deixar de ser, é a voz da mulher. Com o funk, a mulher busca dignidade, clama por mais direitos, com o funk, a mulher pobre e brasileira mostra sua beleza, seu poder, sua decência. Com graça e ternura, mas também com energia para enfrentar os preconceitos, a mulher funkeira bota a boca no trombone, sem medo. A mulher quer sua vez e tem sua voz. Por isso o funk também tem seu lado feminista, valoriza a mulher mais do que qualquer outra manifestação, é um poderoso instrumento de libertação da mulher da opressão social daqueles que injustamente condenam um dos ritmos mais populares do país e do mundo".

Agora é sério: sapatos de couro e verniz perderão status "social"


Sem brincadeira, agora é sério. Os chamados "sapatos sociais" estão com sua aposentadoria anunciada.

Os sapatos de couro e verniz, juntamente com suas meias de nylon, estão perdendo o seu lugar no lazer social das classes abastadas. Símbolo de um comportamento mais formal de profissionais de status - como empresários e profissionais liberais - , esses tipos de calçados, embora continuem comumente utilizados em ocasiões de lazer, no futuro só serão admitidos em eventos extremamente formais ou ao cotidiano profissional de empresários, executivos e profissionais liberais.

Com as transformações dos valores da sociedade, o uso de sapatos de couro e verniz nas ocasiões de lazer, além de não ser confortável (os calços são incômodos), dá a impressão de que o homem que usa tais calçados passa uma idéia de sisudo, de alguém com pretensão de provar forçadamente alguma coisa, de alguém que não está à vontade nos momentos de lazer.

Entre os mais jovens, o uso excessivo desses sapatos está associado a uma pretensão apressada de ascensão social. Entre os mais maduros, tal uso é associado a valores de maturidade e elegância que estavam em alta há mais de 25 anos, mas que hoje soam antiquados e ineficazes.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

MATERIAL EDUCATIVO FOI JOGADO NO LIXO



Milhares de livros foram encontrados no lixo próximo à escola Eugênia Vilhena, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Boa parte do material ainda não havia sido utilizada pelos alunos, havendo até livros ainda embalados. A diretora e vice-diretora da escola foram afastadas por decisão da Secretaria de Educação de São Paulo.

Triste situação, essa. Desperdício de material educativo é crime contra o patrimônio.

Mas deve haver idiotas que adoram. A turma do mal, de clubbers compulsivos e hackers caipiras, infiltrada nos "cantos escuros" das comunidades mais populares do Orkut, deve dizer assim:

"Naum vj nd mau nisso galera. Eh soh reciclar o papel pra coisas mais importantes cm panfleto de baile funk. Vai ser déis galera."

Já os militantes do "funk", já que este ritmo foi citado na tal frase, devem também comemorar:

"Livro é desnecessário. É só ensinar a criançada um funk que ninguém precisa ler. Só precisa assinar o nome. O resto o funk resolve".

Tem louco para tudo.

TCHÊ-MUSIC: BREGA ÀS PAMPAS


Já havia me alertado ao ver o programa televisivo Central da Periferia falar em tchê-music. Pelo nome, derivativo de axé-music e oxente-music, a desconfiança era inevitável. Além disso, o próprio deslumbramento do antropólogo Hermano Vianna é sintomático: ele anda gostando de muita porcaria rotulada de "popular", do Oiapoque ao Chuí.

A tchê-music é um estilo que tenta combinar a "atitude" dos axezeiros baianos com o som e a roupagem dos breganejos e do forró-brega. No plano nacional, deve pegar carona com o breganejo, mas por enquanto é um estilo com repercussão apenas local, no seu Estado de origem, o Rio Grande do Sul, com reflexos apenas em Santa Caratina, Paraná e, talvez, no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul e sul de Minas Gerais, isso se ultrapassar as fronteiras sulinas. O apelo da tchê-music se aproxima do tal "sertanejo universitário" que ludibria os jovens de todo o Brasil. Não por acaso, já existe também o "bailão universitário", outra enganação que seduz os sulistas. Coitados dos meus conterrâneos de Floripa, tão empurrados a consumir tanta porcaria...

Segue aqui uma mensagem oportuna de um rapaz creditado como André R. J., que fez um comentário sobre o ritmo gaúcho da Música de Cabresto Brasileira. Agradeço ao André por esta mensagem. Aqui vai:

"Já fiz um comentário parecido no blog Planeta Laranja. Aqui no Rio Grande do Sul, também há tentáculos do brega-popularesco: a 'tchê-music', com forte influência do 'sertanejo de asfalto', o gênero dito gauchesco, com ritmo mais tradicional, mas com letras de uma grosseria e "chuleza" sem igual, e o 'bailão universitário', que vem tomando o lugar da tradicional música de bandas, oriunda da imigração alemã. Ou seja, a tendência brega é hoje algo universal dentro da música brasileira." (André R. J.)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

FALTA HOMEM MESMO?


Situação 01 - EMPATE TÉCNICO ou VEM MAIS HOMENS POR AÍ

Os dados do Censo afirmam que a maior parte dos Estados brasileiros apresenta equilíbrio entre homens e mulheres na população, apesar da aparente maioria feminina. São, em média, 92 homens para 100 mulheres, segundo os dados oficiais.

Mas a julgar pela ausência tanto de homens de classes abastadas (sobretudo executivos, que viajam muito) e de homens pobres (que, sem condições de vida, vivem clandestinamente), o número de homens na população brasileira pode ser bem maior.

Na vida amorosa, dá para perceber o quanto é grande a quantidade de homens. Até as mulheres que se dizem sozinhas possuem, pelo menos, três pretendentes. Se eles agradam ou não elas, problema delas.

O que se sabe é que está cada vez mais difícil encontrar mulher disponível neste país.

Situação 02 - MUITOS HOMENS NÃO VÃO PASSAR A NOITE NOS BARES

É muito comum, nas boates, as mulheres reclamarem: "Está faltando homem, está faltando homem!!". O galo canta na esquina e todo mundo pensa que só está sobrando mulher neste país (cá para nós, o que eu vou fazer com uma mulher bebum, por mais bonita que ela seja?).

Elas têm que saber que boa parte dos homens trabalha na manhã seguinte e por isso tem que ir para casa dormir. Até mesmo comerciantes que trabalham nas manhãs de fins de semana e feriados.

Mas, mesmo sem considerar esta tese, já se nota, nas comunidades do Orkut, nos blogs e outras expressões na Internet, que os homens a cada dia perdem o interesse em passar as noites sentados no sedentarismo alcoólico dos bares e boates.

HÉLIO COSTA DISSE QUE FERNANDO COLLOR É "INJUSTIÇADO"


Em entrevista ao jornalista da Folha de São Paulo, Kennedy Alencar, o ministro das Comunicações Hélio Costa, ao responder a idéia sucinta sobre cada presidente da República, disse que Fernando Collor é um "injustiçado". Segue o que o jornalista perguntou e o que o entrevistado respondeu:

K. A. - Fernando Collor de Mello.

H. C. - É... Um injustiçado.

K. A. - Injustiçado?

H. C. - É. Um injustiçado.

Não houve porquês nem outras delongas. Mas sabemos o claro equívoco do ministro, até porque, no âmbito das Comunicações, Collor deu sequência à farra de ACM e Sarney com rádios e TVs. Durante o governo Collor, começou-se a degradação geral da programação radiofônica e televisiva, sobretudo através do crescimento das atrações jornalísticas, humorísticas e musicais ligadas ao brega-popularesco.

Nem precisamos dizer sobre o que Collor fez na política. Todos que sabem de política sabem muito bem.

PERGUNTAS, PERGUNTAS, E RESPOSTA, NENHUMA!1


Qual é a facilidade das mulheres de beleza expressiva e personalidade interessante de se tornarem comprometidas? Por que quase não sobram mulheres assim disponíveis?

ISSO É QUE DÁ APOIAR O "FUNK CARIOCA"...


"Brasil! Bunda! Bunda! Bunda! Bundas redondas de primeira linha! Por todos os lados! É um tsunami de bundas!"

É o que comenta, de uma forma machista e grosseiramente entusiasmada, o rapper Diddy, que outrora era P-Diddy e Purry Daddy e que no cotidiano atende pelo nome de Sean Combs.

Ele falou das mulheres que ele viu nas praias cariocas, certamente, mas muito desse entusiasmo calipígio é favorecido pelo "funk carioca", que tão equivocadamente quer passar a imagem de "movimento cultural" a todo preço. Pois Diddy havia ido a um "baile funk" da cidade e se EN-TU-SI-AS-MOU com tudo aquilo.

Isso é que dá apoiar o "funk carioca". Acaba promovendo a imagem do Brasil no exterior como um país de bundões.

DILUIÇÃO DO SAMBA, NO PLANO NACIONAL, NÃO POSSUI MERCADO HEGEMÔNICO PRÓPRIO


Os dois ritmos que diluem o samba brasileiro, o sambrega do Sudeste e o porno-pagode da Bahia, evidentemente, são dois fortes mercados regionais do brega-popularesco. Possuem ampla penetração na mídia, possuem um lobby fortíssimo e as revistas e sites de celebridades dão um enorme espaço para seus ídolos ou para personalidades relacionadas.

No entanto, os dois fenômenos são apenas fortes mercados regionais. O sambrega - de Alexandre Pires, Belo, Exaltasamba, Grupo Revelação, Raça Negra, Pixote, Grupo Molejo, Katinguelê e outros - e o porno-pagode - de É O Tchan, Harmonia do Samba (*), Psirico, Pagodart, Parangolé, Saiddy Bamba, Guig Guetto, Nossa Juventude e, mais recentemente, O Troco - não possuem um mercado hegemônico próprio, no plano nacional, apesar de serem ritmos de destaque na Música de Cabresto Brasileira.

No plano nacional, três tendências popularescas é que seguem mercados hegemônicos. Primeiro é a axé-music, por sua fortuna astronômica, favorecida tanto pelas altas taxas dos blocos carnavalescos baianos quanto pelo lobby político do falecido Antônio Carlos Magalhães. Segundo é o breganejo, ou a dita "música sertaneja", que é diretamente patrocinado tanto pelas tradicionais oligarquias rurais, os grandes latifundiários, quanto pelos empresários neoliberais do agronegócio. Em terceiro, há o "funk carioca", que, embora não seja hegemônico no Brasil, possui um lobby que trabalha para associar o "funk" ao mercado turístico nacional.

Por isso, nesses três mercados hegemônicos, as demais tendências bregas e neo-bregas têm que se apoiar em um dos três maiores mercados popularescos. O esquemão breganejo é famoso por abrigar, em seu mercado, tanto os primeiros ídolos bregas (Waldick Soriano, Odair José etc.), quanto o forró-brega (mercadologicamente tratado como um "breganejo dançante").

Por isso mesmo, a opção para o sambrega e para o porno-pagode é embarcar noutros mercados para sobreviver. Normalmente, o sambrega se apoia no breganejo, até porque ídolos como Raça Negra, Só Pra Contrariar e outros se apoiaram nos fenômenos comerciais Leandro & Leonardo e Chitãozinho & Xororó, em 1990. A apresentação de Alexandre Pires no festival de Barretos, neste ano, é um sintoma disso, assim como a penetração do sambrega em eventos de agronegócio e de festas juninas e julinas.

Já o porno-pagode, normalmente, sobrevive como um sub-produto da axé-music. Isso apesar de grupos como É O Tchan e Companhia do Pagode emprestarem seus referenciais ao "funk carioca". Mas normalmente o "funk" e o porno-pagode não se misturam, para evitar comparações.

Há rumores de um acordo mercadológico entre funqueiros e os empresários de axé-music que impede o porno-pagode de Psirico, Pagodart e Parangolé façam sucesso nacional para não atrapalhar os projetos hegemônicos do "funk", já que ambos os ritmos, que apostam na imbecilização cultural, também possuem alto teor grotesco-pornográfico.

(*) O grupo do cantor Xanddy havia aderido há um bom tempo ao sambrega, apesar de ser baiano e atuar no esquema do carnaval baiano.

PROVÁVEL DESPEDIDA


Um conhecido dirigente do "funk carioca", em edição deste mês de um veículo da mídia de esquerda, escreveu um artigo que soa como despedida de sua coluna na publicação.

Ele descreveu a vitória de sua causa funqueira, bajulou a mídia alternativa e agradeceu a todos aqueles que apoiaram ele.

Embora nada tenha sido anunciado, o artigo soa como uma carta de despedida, já que, nos bastidores do "funk carioca", seus defensores, empresários e militantes, agora que tomaram o establishment da mídia grande, não precisam mais fazer proselitismo funqueiro na mídia esquerdista.

Além disso, os dirigentes e empresários funqueiros se preparam para 2010, antevendo a grande mobilização direitista que já começa a se esboçar no âmbito político e midiático.

As oligarquias funqueiras querem se aliar aos poderosos.

TRANSPORTE DESGOVERNADO


No Paraná, na região de Cascavel (PR) - na foto, um ônibus de Céu Azul, município da região - , ônibus escolares são usados para transportar pacientes para os hospitais.

Na Bahia, ônibus destinados para transportar pacientes do interior para hospitais em Salvador simplesmente levam os moradores das cidades interioranas para morarem na capital baiana, entregues à própria sorte.

Enquanto isso, na fauna popularesca...


Outra Priscila, só que ligada a um universo vulgar de badalações compulsivas e ocas, ficou solteira.

Mal começou a namorar um empresário filho de um bicheiro carioca, ela terminou com ele.

Trata-se da insossa Priscila Pires, ex-Big Brother Brasil, que apesar de ser jornalista tem o QI de uma ex-dançarina de pagode.

Ou seja, uma pretensa musa tão vulgar, apesar de meio pedante, que não tem a menor graça. Eu, namorar ela? Nem morto!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Acabou-se o que era doce


Como as mulheres REALMENTE INTERESSANTES não existem aos montes no Brasil, significa que o mercado anda mesmo apertado. E as poucas solteiras que haviam já arrumaram namorado. Cynthia Benini, Bruna di Tulio, Maria Rita Mariano, Paola Oliveira, Juliana Didone, só para citar algumas mais recentes, eram solteiras que de repente passaram a ser comprometidas.

Agora mais uma se torna comprometida, depois de um bom tempo de solteirice: Priscila Fantin, que agora arrumou novo namorado.

Enquanto isso, ex-dançarinas de pagode, dançarinas de "funk" e as ex-BBB, se têm namorado, dissolvem a relação com muita facilidade. Como disse o meu irmão no blog Planeta Laranja, essas musas de araque "insistem em permanecer disponíveis sabe-se lá pra quem". Acham que vão ganhar o Nobel da Paz porque recusaram pedido de noivado de empresários, jogadores de futebol e pagodeiros. Argh! Eu é que não estou a fim dessas musas popularescas.

Para a mídia, "Anos Dourados" foram a Era Geisel


A julgar pelo comportamento que toda a grande mídia - a "mídia gorda" e a "mídia fofa" - exerce no âmbito sócio-cultural do Brasil, a conclusão que se tem é que, segundo seus executivos e gerentes, a Era Geisel representou, para eles, os "verdadeiros Anos Dourados" do país.

Nem de longe os elementos relacionados aos "Anos Dourados" oficiais - a Era Kubitschek - são defendidos ou revalorizados pela mídia. Empregadas domésticas ouvindo samba de gafieira? Para a mídia, nem pensar!

É só notar o âmbito da cultura e do entretenimento trabalhado pelos diversos veículos da grande mídia que se verá que o quadro sócio-cultural da Era Geisel é tomado como referencial.

Naquela época, passado o impacto do Tropicalismo e quando até mesmo a geração mais recente da MPB (Ivan Lins, Novos Baianos, Belchior, Gonzaguinha) se tornou relativamente rotineira no mercado fonográfico, o contexto político-econômico prometia uma democracia relativa, onde as elites e os detentores de poder teriam privilégio no quadro decisório e na prevalência de valores e interesses.

Nessa época, enquanto a MPB autêntica, que já não dialogava com a sociedade por causa da linguagem metafórica - que no entanto era uma necessidade natural de expressão de seus artistas - , tornou-se praticamente um patrimônio da classe média, a música brega, lançada pelo poder latifundiário dominante em rádios e redes de atacado e varejo, crescia no gosto popular.

Nessa época (1974-1979), as elites que, uma década antes, faziam passeatas religiosas para pedir a deposição do presidente João Goulart, permitiram que o chamado "povão" consumisse mensagens de conteúdo malicioso no chamado entretenimento brega. É a partir dessa época que o humorismo televisivo "popular" juntava os velhos clichês radiofônicos com referenciais pornográficos ou depreciativos. Ou era isso ou eram os camponeses invadindo Brasília e ameaçando os privilégios dos grandes proprietários de terras.

Por isso mesmo é que a música brega, assim como todos os seus derivativos atuais, se propagou por causa do patrocínio explícito, embora não assumido no discurso, dos grandes proprietários de terras e de todos os empresários aliados, das redes de supermercados às redes de televisão.

Entre o êxito dos ídolos cafonas do "milagre brasileiro" - Dom & Ravel, Benito di Paula e os já então veteranos Odair José e Waldick Soriano - e a ascensão de ídolos emergentes do período Geisel - Gretchen, Sidney Magal, Nahim, Sílvio Brito, Sérgio Mallandro - , a música cafona tornou-se, para as elites, um ótimo mercado, que permite aos detentores do poder baixo investimento em "artistas" submissos e de talento duvidoso, mas com forte apelo popular. E, sobretudo, que garantam enriquecimento maior para os investidores desse universo musical.

Por isso mesmo é que, desde a Era Collor, a grande mídia atual, mesmo em aparente contexto democrático, continua empurrando a música brega nas suas variantes. É porque, durante a Era Geisel, os empresários e investidores diretos e indiretos da música brega faturaram muito. Muitos até hoje estão no poderio político-econômico, e por isso mesmo não interessa a eles permitir que o povo tenha uma cultura musical de qualidade.

Por isso mesmo é que hoje o contexto da MPB autêntica contra o brega-popularesco é o mesmo de 35 anos atrás. Enquanto a classe média tem pleno acesso à MPB autêntica, o grande público - e isso inclui também a classe média baixa - é obrigado a consumir os ídolos popularescos que aparecem na mídia. Com muito marketing e muita persuasão, as elites conseguem êxito nessa manobra.

Atualmente, a situação é até pior do que hoje, quando a MPB autêntica começa a desaparecer das rádios e o marketing obsessivo dos ídolos popularescos começa a invadir redutos de público outrora qualificado, como as universidades, as rádios e TVs educativas e alguns eventos considerados de vanguarda cultural.

É o massacre cultural sem precedentes de que nos falou Mauro Dias há 10 anos.

Procura por curso de jornalismo cai em faculdades



Relação candidato por vaga diminui na USP, Unesp e Federal do Paraná; uma das possíveis causas é o fim da obrigatoriedade do diploma

Luciana Sarmento e Rafael Sampaio, do R7

O número de candidatos ao curso de jornalismo caiu na USP, Unesp (Universidade Estadual Paulista) e UFPR (Universidade Federal do Paraná). Outras faculdades como PUC-SP, Cáper Líbero e Mackenzie estão na expectativa, já que as inscrições para seus vestibulares ainda estão abertas. Uma das possíveis causas da diminuição da busca dos vestibulandos pelo curso é o fim da obrigatoriedade do diploma.

Este ano, a USP teve uma queda de 12% na procura pelo curso de jornalismo. Foi a primeira vez em dez anos que menos de 2 mil vestibulandos se candidataram a uma das 60 vagas da graduação. O número de candidatos passou de de 2.197, na edição da prova do ano passado, para 1.941 no vestibular deste ano.

Para José Coelho Sobrinho, professor do curso de jornalismo da USP, dois fatores influenciaram a queda. Um deles, possivelmente, é a decisão do Supremo Tribunal Federal de abolir o diploma de jornalismo como uma obrigação para exercer a profissão.

- O jornalismo esteve na berlinda este ano. [O fim do diploma] Pode ter feito algumas pessoas pensarem: “Por que eu vou fazer este curso?”.

Outra razão é a queda do número de candidatos na própria Fuvest. O vestibular teve 128 mil inscritos em 2009 ante 138 mil no ano passado. Segundo Coelho, a queda foi influenciada por fatores como o aumento de vagas nas universidades federais paulistas e o aumento da adesão dos alunos ao ProUni.

Na Unesp, o número de candidatos ao curso de jornalismo caiu 10% de 2008 para 2009 (de 1.513 candidatos para 1.365). Já a Federal do Paraná registrou queda de 20% (de 591 inscritos para 474).

Para o coordenador do curso de jornalismo da Unesp, Pedro Celso Campos, a mudança em relação ao diploma ainda não foi assimilada pelos jovens que prestam vestibular.

- Algumas pessoas acharam que a queda poderia ser maior. O importante é que a faculdade melhore o curso e tenha um currículo atualizado. Ficará difícil para as particulares que não têm um bom programa.

domingo, 25 de outubro de 2009

KATY PERRY FAZ ANIVERSÁRIO


Embora ela faça sucesso ao lado de bobagens como Britney Spears e Lady Gaga, Katy Perry, que faz 25 anos hoje, além de ser essa beleza fascinante de mulheraça, é uma moça diferente do que se pode parecer.

Sua atitude aparentemente "tola" tem algo de satírico, coisa que muitos atribuem erroneamente à Lady Gaga, que é idiotice pura e gratuita.

Katy Perry, não. Por trás das aparentes bobagens que faz, com a ressalva de que algumas de suas músicas são realmente boas, ela é excelente cantora e compositora, e ainda por cima toca guitarra.

Linda até depois de dizer chega, Katy Perry adota um visual inspirado na falecida atriz Bettie Page, e num vídeoclipe, da música "Thinking of You" ela apareceu vestida à moda dos anos 40, já que a historinha do clipe passa durante a Segunda Guerra Mundial.

Por isso Katy Perry é lindíssima, talentosa e despretensiosa. Não fica fazendo dance baba sob o pretexto de criar uma revolução estético-comportamental feito a Lady Gaga. Katy Perry sabe que usa muito de humor satírico em sua música, não quer mudar o mundo com isso, mas também faz uma crítica ao pretensiosismo oco dos atuais ídolos pop.

Neste sentido, Katy Perry percorre o caminho inverso da Nelly Furtado, antes uma artista arrojada e hoje, sob o pretexto de ter "mais atitude", sucumbiu ao superficial estilo do hip hop contemporâneo. Katy, supostamente fazendo bobagens pop, na verdade faz uma crítica não muito generosa a esse mundo do descartável, do escandaloso e do fútil.

Katy Perry, como a maioria esmagadora das mulheres lindíssimas e interessantes, atualmente está namorando, o felizardo é Russell Brand.

Em todo o caso, desejamos aqui os parabéns e tudo de bom para essa maravilhosa gata. Feliz Aniversário, Katy!!!

MTV Brasil deveria abandonar a gíria "balada"


Não fica bem uma emissora que é até bacana manter a gíria "balada", uma gíria de laboratório que não combina com a programação inteligente da franquia brasileira.

Embora seja de uma franquia do Grupo Abril, a MTV brasileira possui uma autonomia não só em relação aos franqueadores quanto à matriz estadunidense, que é mais conservadora em muitos casos.

Uma emissora que chega a recomendar para os jovens desligarem a televisão para lerem um livro não pode insistir numa gíria que corre solta em programações imbecilóides de canais como a Rede TV!. Não pode insistir numa gíria de laboratório, sem qualquer serventia nem contexto social, só porque ela é supostamente associada aos jovens de hoje.

É legal ouvir pessoas falando em "festa", "boate", "bar", no sentido de enriquecer o vocabulário, assim como é deprimente ouvir marmanjões dizendo "balada" ou "galera" (outra gíria desgastada).

Naquela linha "se pode complicar, pra quê facilitar?", os jovens viciados na gíria "galera" são obrigados a fazer malabarismos tipo "galera lá de casa", "galera lá da escola", "galera da produção", "galera da televisão", "galera do Orkut", porque é incapaz de usar um vocabulário ao mesmo tempo rico e simples no sentido. Seria mais fácil ele dizer "minha equipe", "meus colegas", "meus amigos", "minha família", em vez de "galera" disso ou daquilo. Como também é mais sensato falar "boate" e "festa" ao invés do preguiçoso e esquizofrênico "balada".

O último recurso do uso da decadente gíria "balada" pela MTV é através de uma promoção com um aparelho de barbear. Ah, os publicitários adoram a gíria "balada", pois são seus co-autores. Antes disso, houve o tal programa "Balada em Ibiza" que foi fogo de palha, não adiantou uns patetas falarem em "balada" porque os gringos logo viram neles um bando de "cucarachas" metidos a inventar palavras à toa.

A gíria "balada" deveria cair em desuso, para o bem da humanidade. Nem possíveis hipóteses de derivação e corruptela linguísticas conseguem explicar com exatidão a palavra. Toda gíria de verdade tem um fundo social e uma vida de micróbio, e a gíria "balada" não tem uma coisa nem outra. Primeiro, por ser uma gíria de proveta, criada por publicitários, radialistas e empresários dos agitos noturnos. Segundo, porque é uma gíria com longevidade artificial, uma gíria que não quer ser gíria, quer entrar no Aurélio e durar milênios.

Mas a verdadeira gíria não é arrogante a querer viver além de suas condições naturais. Se uma gíria morre, ela morre e pronto. A gíria "balada" já deveria ter morrido há uns cinco anos, se ela não fosse tão artificial assim. Só que esta gíria de proveta tem até departamento comercial e esquema de mershandising, por isso a desesperada e calculada sobrevida.

Pessoal da MTV, deixe a gíria "balada" para a Rede TV!, Jovem Pan 2, Caldeirão do Huck, Quem Acontece, portal Ego, revista Caras e outros redutos da alienação cultural. Deixe essa gíria para clubbers desmiolados, playboys reacionários, esportistas grosseiros, fofoqueiros sádicos e outras espécies da fauna midiota.

Uma rede de televisão que produz o excelente Furfles deveria apagar a gíria "balada" do seu dicionário.

Para entender o verdadeiro sentido da gíria "balada" é só trocar, respectivamente, o "l" e o "d" por um segundo "b" e pelo "c".

MORRISSEY COM PROBLEMAS DE SAÚDE



Algo está errado com a saúde do grande cantor Stephen Morrissey, que havia sido famoso na década de 80 através da banda The Smiths.

Aliás foi justamente após interpretar "This Charming Man", um dos clássicos do antigo grupo, Morrissey sentiu problemas respiratórios e desmaiou, durante uma apresentação na cidade inglesa de Swindon, no sul daquele país.

Os técnicos desligaram a iluminação do palco enquanto Morrissey era socorrido imediatamente, levado para o hospital Great Western, daquela cidade.

Morrissey havia cancelado outras apresentações alegando problema de saúde. O que será que aconteceu? Sou fã do cantor e de sua antiga banda, e fico chateado com isso, porque Morrissey passou por uma má fase pessoal, na segunda metade da década de 90, e recentemente deu a volta por cima. Tem uma sólida carreira-solo, com uma banda competente e esforçada e, apesar de não ter o carisma dos ex-parceiros dos Smiths, faz um trabalho de excelente qualidade.

O meu palpite é que Morrissey, vegetariano, deve sofrer de carência de proteínas existentes nas carnes mas que podem ser encontradas em vegetais. Não seria hora do cantor fazer consulta com o nutricionista? Além disso, Morrissey, que era magro, andou ganhando bastante peso.

Em todo caso, esperamos todos nós que Morrissey recupere toda a saúde, tenha uma vida bastante longa e possa manter seu exemplo digno de pessoa e artista.

MENSAGENS SUBLIMINARES I - "FUNK CARIOCA"


Iniciamos a série para mostrar alguns comentários reacionários contra mim e a mensagem oculta que está por trás.

Desta vez começamos com o "funk", devido à sua ambição imperialista de dominar o mercado popularesco nacional, e usaremos o comentário do tal defensor do ritmo, que se preocupou mais em questionar meu esquerdismo do que em defender a esquerda a qual ele precisa para empurrar um discurso "militante" mais convincente.

A idéia é reproduzir a mensagem original e depois escrever um discurso que estaria oculto por trás dessa mensagem, considerando as intenções e o contexto em que ela foi produzida e enviada.

MENSAGEM ORIGINAL

"Nossa senhora mãe do céu! Além de apresentar fatos fictícios, seu texto é completamente contraditório. Afinal de contas, MV Bill também esteve no Faustão mais de uma vez! O que fica claro é o seu preconceito descarado contra o funk, uma manifestação cultural legítima e maravilhosa. É o som das favelas cariocas, goste você ou não. Ou seja, além de incoerente e contraditório, você é extremamente preconceituoso. Ah! Com relação ao seu "esquerdismo", já dizia o meu avô: "Prefiro mil vezes um conservador inteligente do que cem esquerdistas estúpidos. Pelo menos eles sabem defender suas idéias e o fazem com coerência". Sábias palavras as do vovô!!! Viva o funk!!! (Em off, sei que não vai aprovar a publicação no blog, mas o recado é para você mesmo!) (Anônimo)"

MENSAGEM SUBLIMINAR

Nossa senhora mãe do céu! Além de duvidar dos mitos promovidos por nós, funqueiros, e pela grande mídia que o apoia, seu texto vai contra o discurso oficial dominante. Afinal de contas, eu quero estar no mesmo lugar do MV Bill, quero copiar o discurso dele e aparecer no Faustão mais de uma vez! O que fica claro é que você odeia o "funk" carioca, quer derrubar os mitos que a gente promove e defende e quer fazer com que o "funk" perca a popularidade e prejudique o faturamento que nós, dirigentes e empresários, lutamos tanto para manter e crescer, até de forma desonesta. Goste ou não, o "funk" carioca é o modismo do momento, nós vamos enriquecer às custas dos otários das favelas de qualquer jeito! Ah! Em relação ao seu esquerdismo ameaçador, já dizia o meu avõ: "Prefiro mil vezes um golpista que permita o desenvolvimento capitalista seguro com povo submisso do que mil esquerdistas raivosos que ameacem desde o 'funk' à UDR". Pelo menos os golpistas têm um projeto de "equilíbrio social" que mantenha o povo submisso e a livre iniciativa das empresas. Sábias palavras do vovô. Viva o "funk"!! (Em off, sei que meu comentário é muito covarde para ser publicado sem que você me conteste)

sábado, 24 de outubro de 2009

Empregadas domésticas já curtiram som de qualidade


O sambista Jorge Veiga, sucesso no começo da década de 1960.

É um grande erro, favorecido pelo establishment midiático da ditadura militar, associar as empregadas domésticas a um gosto musical cafona. Foi algo determinado por emissoras de rádio e televisão tidos como "populares" e que apoiaram, com gosto, o regime dos generais, apesar da música brega ser oficiosamente creditada como "subversiva" devido ao sucesso das teses conspiratórias de Paulo César Araújo, um bravateiro que já tem reservado seu lugar no esquecimento literário da posteridade.

Pois o que as empregadas domésticas escutavam, entre 1958 e 1964, eram sambas autênticos, baiões, quando muito sambas canções e serestas que hoje são tido como "bregas" mas na verdade são tendências respeitáveis (bregas são os primeiros ídolos cafonas que faziam caricatura de serestas).

Indo para os idos de 1960, veremos que o que as domésticas do eixo Rio-São Paulo, por exemplo, ouviam, era o samba autêntico, de nomes como Roberto Silva e Jorge Veiga, que fez muito sucesso na época, além de veteranos como Ataulfo Alves e Pixinguinha. É desse ano o lançamento do primeiro LP de Elza Soares, que foi doméstica, babá e lavadeira e logo nos primeiros discos mostrava ter muita informação musical.

A fama de que empregada doméstica só consome música cafona se deu, portanto, a partir de 1968, quando rádios e TVs que respaldaram a ditadura militar divulgavam os ídolos cafonas, alguns retardatários da Jovem Guarda (ou seja, faziam JG depois que este movimento havia acabado).

Antes que alguém dê razão às persuasões de PC Araújo, é melhor essa pessoa pesquisar melhor a realidade das emissoras de rádio e TV durante a ditadura militar. Certamente, suas pesquisas irão confirmar a tese de que as rádios que tocavam música brega foram as que mais apoiaram não somente a ditadura militar como a estrutura coronelista e urbano-entreguista de nosso país. Os então futuros mecenas da música brega estavam alegres vendo as passeatas Deus e Liberdade pedindo a instauração da ditadura militar. São os mesmos que depois passaram a apoiar Sarney, Collor, FHC e o esquema fisiológico do governo Lula.

ANTIGUIDADES NOS ANOS 80 - AGENTE 86


Na televisão brasileira dos anos 80, um seriado foi transmitido e cujo nome certamente confundiu muitos garotões de hoje, que atribuíram a produção à referida década.

Pois Agente 86 não era uma série dos anos 80, mas dos anos 60, mais precisamente entre 1965 e 1970. É uma paródia dos filmes de espionagem, cujo personagem principal se chamava Maxwell Smart (vivido por Dom Adams, falecido em 2005). Por isso o título original do filme alude a este agente e faz um trocadilho com a frase "Get Smart" ("Fique esperto"). Smart se comunicava com o chefe da agência C.O.N.T.R.O.L.E. através de um sapato-fone. Ele tinha ainda uma namorada, depois esposa, chamada Agente 99 (vivida por Barbara Feldon, ex-modelo). A agência C.O.N.T.R.O.L.E. era comandada pelo "Chefe" (vivido por Edward Platt, falecido em 1974), cuja missão era combater as atividades da K.A.O.S., uma organização criminosa. O seriado teve como um de seus criadores o comediante Mel Brooks.

A série fez muito sucesso na TV americana da época, mas com o tempo a série se desgastou. No entanto, suas reprises se tornaram bastante cultuadas. Eu assisti a esta série pela primeira vez na infância, lá pelos idos de 1974 e 1975. Portanto, antes dos anos 80.

ALGO FOI PRODUZIDO NOS ANOS 80? - Sim. Um filme de 1980, intitulado The Nude Bomb, e um telefilme de 1989 foram produzidos. Uma nova fase da série, com Don Adams e Barbara Feldon mais o comediante e ex-apresentador da MTV, Andy Dick, tentou ser produzida em 1995, tendo poucos episódios, que chegaram a ser exibidos na TV brasileira. Em 2007, dois anos após o falecimento de Don Adams, foi feita um longa baseado na série, com Steve Carell (do seriado The Office) como Smart e Anne Hathaway como 99, além de Alan Arkin (que participou do filme O que é Isso, Companheiro? como o embaixador sequestrado Charles Elbrick) como o "Chefe".

ASSIM ESTÁ BOM


Wagner Pontes, o atual marido de Patrícia França, aqui está bem mais descansado e alegre. Felizmente largou aquela cara de sentinela aflito, e está usando tênis.

Ele não está casado com qualquer mulher. Está casado com uma das mais belas atrizes do país. O que não combina com o comportamento sisudo de antes. Privilégio é responsabilidade.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Como são vistos os DJs que criaram a gíria "balada"?


Os próprios DJs e empresários da "náite" que criaram a gíria "balada" se vêem como "pretensos gênios".



Agora assim é como vêem os DJs estrangeiros quando encontram os criadores da gíria "balada": verdadeiros matutos.

Não é preciso dizer que o mundo clubber do primeiro mundo ainda aposta no bom e velho termo party, para festas noturnas, e nightclubs para os ambientes dessas festas. Nada de ballad, que para eles é sinônimo de música lenta ou história triste.

ÔNIBUS EM NITERÓI E SALVADOR


Niterói (RJ) e cidades adjacentes receberão mais de 550 ônibus novos, com o objetivo não só de renovar as frotas, mas também de aumentá-las e substituir micro-ônibus por ônibus médios e grandes.


Já Salvador (BA) continua com ritmo lerdo de renovação de frotas (duas vezes por ano, já que houve reajuste nas tarifas). Além disso, suas frotas são muito pequenas para tantas linhas e, em várias linhas, os ônibus grandes foram substituídos por micro-ônibus.

Vale lembrar que, enquanto a Grande Niterói terá bem mais do que os anunciados 550 carros, no prazo de um ano, Salvador terá menos de 300 carros novos em dois anos.

Niterói promete muito e cumpre muito mais. Salvador promete demais e cumpre bem menos.

Como se vê, dois pesos e duas medidas. Aí alguém fala mal do transporte de Salvador e os baianos não gostam.

OPERAÇÃO MATEMÁTICA


Tudo a ver. É o resultado da soma da música brega com "rock de arena".

"ROCK" DO BON JOVI É FROUXO, SEM GRAÇA E...BREGA!!


Quem lê este blog sabe muito bem que o poser metal anda sendo visto por certos incautos que se acham "entendedores" de rock como se fosse o novo "rock clássico". Grande lerolero, grande lorota que certamente não convence quem procura um rock de verdade, um rock que não seja pose, não seja rótulo, não seja embalagem, nem badalação da mídia e de alguns fãs idiotas.

Nos anos 80, o poser metal era considerado tão ridículo e risível que as rádios de rock autênticas não se davam tempo a divulgar mais de três semanas as músicas de trabalho dessas bandas. Além disso, a reputação das bandas poser não era muito diferente da reputação do Menudo, por exemplo.

Isso quer dizer que, no caso de bandas como Bon Jovi, um roqueiro se considerar fã desta banda era o mesmo que ser maricas. No caso de outros grupos como Poison e Mötley Crüe, se declarar fã deles era o mesmo que curtir palhaçadas como Absyntho e Dr. Silvana & Cia..

Só que veio os anos 90 no Brasil e as rádios de rock autênticas desapareceram, dando lugar àquelas terríveis, arrogantes e temperamentais "rádios rock". E aí a cultura rock virou o "poperó do boiola doido", e nomes como Bon Jovi, Guns N'Roses e Mötley Crüe passaram a serem vistos como "coisa séria". Tinha playboy que ouvia essas porcarias e gritava para os amigos, entusiasmados: "ROOOQUEEEEENROOOOOOLLLLL!!! U-HUUUUUU!".

E no Orkut tinha roqueirinho de butique, mas metidão a sério, desbocado, arrogante e preparado para xingar quem não concordasse com ele, exaltando esse com que poderíamos chamar pejorativamente de metalnejo. Além disso, havia roqueirinho de butique que estava atento quanto ao vírus da temporada para copiar o código fonte dele e presenteá-lo no e-mail de algum discordante.

As revistas sérias de rock pesado, como Rock Brigade e Roadie Crew, tinham que falar também dessas bandas, até para aumentar a vendagem. É evidente que, nas redações, o pessoal que conhece de Black Sabbath a Dimmu Borgir, passando por AC/DC, Van Halen e Yngwie Malmsteen, não vai levar a sério patetas como Jon Bon Jovi, Richie Sambora (que competia com o Tommy Lee o título de "Kekeilson" do metal farofa) e Axl Rose. Aliás, citei o Tommy Lee entre parêntesis e ele também é outro exemplo patético. E foi casado com a atual mocréia Pamela Anderson.

O Bon Jovi é o mais meloso dos grupos de metal farofa. Os restantes ainda fazem roquinho, algo como Amado Batista pensando ser o Ozzy Osbourne. Se bem que o "mestre" Alice Cooper já antecipava, e muito, as aventuras poser de seus pupilos.

Há, aliás, uma polarização entre as duas bandas de maior sucesso do metal farofa, Bon Jovi e Guns N'Roses.

O Bon Jovi é o mais meloso - ouçam "Always" e me digam depois se a música não é cafona - dos grupos de metal farofa.

Por outro lado, o Guns N'Roses é o mais verossímil, já que o marketing que a grande mídia faz de bandeja à banda de Axl Rose fez muito garotão acreditar que o Guns N'Roses era "rock de verdade". Estava assim de garotão achando que Guns N'Roses era "classic rock", gente que nasceu ontem, escreve muito mal e não tem visão aberta e crítica do mundo, mas se autoproclama "inteligente" e se julga capaz de julgar até aquilo que não sabe. Como os roqueirinhos arrogantes que ouviam a Rádio Cidade dos anos 90.

Mas como este assunto é o Bon Jovi, é de pasmar que haja também gente que ache que Bon Jovi é "rockão". Pelo amor de Deus. Bon Jovi, "rock de verdade"? Isso é ideia de jerico. Se o metal farofa, como um todo, é uma baboseira só, o Bon Jovi chega a ser brega com todas aquelas baladinhas e toda aquela postura de concorrente do Ricky Martin que o quarentão Bon Jovi tenta manter.

Mas como O Kylocyclo prima pela boa informação, sem temer cara feia de reacionário, dissemos que o "rock" (entre aspas, mesmo) do Bon Jovi é muito frouxo, totalmente sem graça e, acima de tudo, é SIMPLESMENTE BREGA.

REDUTO DE PESSOAS HIPÓCRITAS NO ORKUT


A comunidade EU ODEIO HIPOCRISIA.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

KING CRIMSON HOMENAGEOU MOVIMENTO BEAT


A banda King Crimson lançou uma trilogia de álbuns com a superformação que a consagrou nos anos 80.

Sabemos que o King Crimson era um grupo de rock progressivo liderado pelo guitarrista Robert Fripp, e que lançou seu primeiro álbum em 1969, In The Court Of Crimson King. Noutra oportunidade falarei mais dessa banda.

Pois entre 1981 e 1984 o grupo tinha uma outra formação que, apesar da liderança de Fripp, desenvolveu um verdadeiro espírito de banda. Claro, eram três outros músicos juntos a ele. Adrian Belew, guitarrista e vocalista, era músico de David Bowie na fase "alemã" do cantor inglês. Tony Levin foi baixista da banda de Peter Gabriel e considerado um dos melhores músicos deste instrumento. Bill Bruford foi o super baterista do Yes.

Sem demorar muito neste tópico, a trilogia (padronizada com capas com uma cor e textos em outra) se chamava Three of a Perfect Pair e teve três álbuns: Discipline (1981), Beat (1982) e Three of a Perfect Pair (1984). Todos grandes álbuns.

Beat
homenageou o movimento beat. Todas as faixas são alusões a referências deste movimento. Algumas referências de algumas faixas do disco:

"Neal and Jack and me" se refere a uma relação de amizade e talvez um caso de amor homossexual entre Jack Kerouac e Neal Cassady, outro expoente beat.

"Heartbeat" é o nome do livro que a esposa de Neal, Carolyn Cassady, escreveu sobre sua vida entre os beatniks.

"Sartori in Tangier" é relacionada ao livro de Kerouac, Sartori in Paris, e a cidade de Tangier, em Marrocos, onde vários escritores beat chegaram a ter residências.

"Neurotica" é o nome de uma revista do movimento beat.

"The Howler" é alusão ao poema de outro escritor beat, Allen Ginsberg, chamado "Howl", bastante lido pelos militantes da Contracultura dos anos 60.

Para os brasileiros que ouvem rádio, uma informação:

Um trecho instrumental de "Neurotica" serviu de fundo musical para o programa Patrulha da Cidade, da antiga Super Rádio Tupi (hoje Infra Rádio Tupi).

JACK KEROUAC


Outro nome cujo falecimento foi lembrado ontem foi o do escritor norte-americano Jack Kerouac. São 40 anos de sua morte, ocorrida aos 47 anos. Kerouac foi o principal escritor da geração beat e sua vida e suas obras - que em si já tinham um sabor autobiográfico, com personagens de seu círculo social camuflados em pseudônimos - influenciaram todo o estado de espírito juvenil dos anos 50 e 60, embora essa mentalidade libertária, na verdade, Kerouac pegou da vida movimentada dos jovens de 1947-1949.

On The Road, seu maior livro, e que durante décadas se reduziu a uma versão "família" lançada em 1957 nos EUA, é um típico relato dessa experiência, desse estado de espírito. Recentemente foi lançada a versão manuscrita, a que Kerouac finalizou em 1949 e que a quase todas as editoras rejeitaram. Foi aliás a editora que topou publicar o livro que cortou as partes "escandalosas" e "picantes" da obra original. Mesmo assim, deu para assimilar o libertário estado de espírito beatnik de Jack Kerouac, afinal não dava para descaraterizar a obra, porque o público sairia estranhando e o livro seria um grande fracasso e uma fraude mais escandalosa que as partes cortadas do livro.

Apesar do sucesso do livro, Kerouac continuava amargurado. De personalidade difícil, ele não gostava das pressões sobre sua obra, que o sucesso de On The Road causava. Ele lançou vários outros livros, que não tiveram o mesmo sucesso do famoso livro.

A editora gaúcha L&PM é responsável pela publicação da obra de Kerouac no Brasil.

TUDO POR DINHEIRO


Se é para arrecadar dinheiro para projetos sociais, tudo bem, deixa-se passar. Mas não deve se levar a sério, culturalmente falando, o espetáculo do maestro João Carlos Martins com a dupla breganeja Chitãozinho & Xororó. A dupla paranaense, antes um risível expoente da música brega, agora um suposto grande nome da música caipira, quer passar a falsa imagem de "sofisticada" num universo dominado por Van Damme & Stallone, quer dizer, Bruno & Marrone.

Por isso mesmo o evento só servirá para o marketing pessoal da dupla breganeja, assim como o dueto de Zezé Di Camargo & Luciano com o Chico Buarque não teve serventia alguma para o lado do cantor carioca e seus fãs.

João Carlos Martins não manchará seu nome com esse evento, mas ele será apenas uma casualidade diante de tantas apresentações deste prestigiado maestro da música erudita brasileira.

FRANÇOIS TRUFFAUT


Ontem foi a lembrança dos 25 anos de falecimento do diretor, roteirista, produtor e ator francês François Truffaut, um dos fundadores do movimento novelle vague, famoso por vários filmes. Já vi dois deles, Jules e Jim, A Noite Americana e A Mulher do Lado.

Como ator, atuou em alguns desses filmes - em A Noite Americana, ele fez o papel de um cineasta - e atuou até em filme comercial, como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg.

PAUL ANKA E OS BREGAS BRASILEIROS


Paul Anka (E), cantor de pop romântico do final dos anos 50 que voltou à cena com uma parceria não-creditada com Michael Jackson, e Benito di Paula, um de seus similares no Brasil.

Quando se critica o brega-popularesco, algumas pessoas, temerosas, passam a defender parte dos artistas bregas mais antigos, como se eles não estivessem ligados ao universo musical criticado.

São geralmente nomes ligados ao "brega de raiz", uns até com músicas gravadas por medalhões de MPB, que aos poucos tentam se infiltrar nos redutos reservados à MPB autêntica. É aquele papo que esteve muito em moda nos anos 90: "não é aquela maravilha, mas é melhor do que nada".

Benito di Paula, Odair José, Moacir Franco, Luís Ayrão, Wando e até Michael Sullivan & Paulo Massadas são alguns desses nomes. E tem também o Amado Batista, que agora trabalha a falsa imagem de "discriminado", como se nunca tivesse feito sucesso algum na vida.

Só que esses cantores equivalem, na música brasileira, àqueles cantores melosos que vieram na cola de Elvis Presley: Pat Boone, Ricky Nelson, Bobby Darin, Neil Sedaka, Paul Anka e, anos mais tarde, Johnny Rivers. Todos fazendo uma pasteurização do rock de Elvis bem ao estilo comercial-romântico.

O que faz confundir muita gente é que os citados cantores brasileiros, na verdade, correspondem ao que se tornaram Paul Anka e Neil Sedaka, que mudaram de rumo, passada a onda dos imitadores de Elvis, seja com o surgimento de cantores galãs que faziam rock de verdade (Del Shannon, Dion Di Mucci, Bobby Vee e Ronnie James Dio - sim, ele mesmo, que depois foi fazer rock pesado), seja com as bandas de guitar instrumental (Ventures, Surfaris, Dick Dale & The Del Tones), seja com a "invasão britânica" puxada pelos Beatles.

Dessa forma, Paul Anka e Neil Sedaka se tornaram compositores pop, fazendo canções românticas que se tornaram sucesso. Viraram artesões do hit parade. Uma música de Paul Anka, 'My Way", versão de uma música francesa, foi gravada por Frank Sinatra já não mais no auge da carreira deste, em 1969. Neil Sedaka teve canções gravadas pelos Carpenters. No fundo esses compositores passaram a competir com os verdadeiros artistas da composição, como Burt Bacharach e Carole King.

Pois foi justamente nessa época, quando o pop comportadinho voltou às paradas diante da crise mundial da Contracultura, em 1968, que os cantores bregas "sofisticados" entraram em ascensão. Hoje eles trabalham a imagem de "injustiçados", mas eles se acomodaram muito bem no establishment musical na época mais dura da ditadura militar. E não vale Paulo César Araújo dizer que isso foi por antídoto, afinal o sucesso desses cantores se dá não como reação do povo à ditadura, mas como forma de controle social das rádios que apoiaram o regime militar e que fizeram propagar, com gosto, os primeiros sucessos do que a partir de 1972 se conheceria como música brega.

Esses cantores apenas cumprem as regras de composição musical, criando melodias fáceis, letras de amor convencionais, para garantir grande sucesso entre o público. Por boa fé, artistas de MPB ou mesmo ex-integrantes da Jovem Guarda também gravaram esses compositores, o que fez muita gente acreditar, diante da avalanche de Créu, Tchan etc, que Benito di Paula, por exemplo, era "genial". Mas o que ele fazia na verdade era imitar o som do Wilson Simonal mas dentro de uma perspectiva brega da linha de Odair José.

O maior perigo que hoje vivemos, com a "reabilitação" dos primeiros ídolos bregas, é o que vai acontecer daqui a alguns anos, quando a terceira geração da música brega (Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Belo, Zezé Di Camargo & Luciano, Daniel, Leonardo) gozar dessa mesma "reabilitação". Aí vai ser desesperador.

A MPB autêntica já perde muitos espaços, seja na mídia, seja no mercado, seja nos espaços culturais. Quando muito, só entra como figurante ou coadjuvante de terceiro grau. Até os medalhões da MPB autêntica já não têm novos hits, e isso não é por falta de produção musical (Milton Nascimento e Djavan continuam fazendo e lançando novas músicas), mas porque a mídia gorda já começa a dar ordem de despejo a eles.

Agora, a MPB autêntica sofre a pior das ameaças: a de perder os poucos espaços que ainda têm, que começam a ser invadidos pelos ídolos mais antigos do brega-popularesco.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

TROQUE O "SERTANEJO" PELO CLUBE DA ESQUINA - II


Continuando nossa série para aconselhar os interessados em boa poesia e boa música para deixar de procurar agulha no palheiro - ou seja, procurar boa música no "sertanejo" - , vamos dar sequência a nossa série de valorização do Clube da Esquina, o famoso movimento mineiro da MPB autêntica.

Pois o Clube da Esquina oferece TODOS os elementos melodiosos e poéticos, com todo o lirismo possível, que o público médio acredita existir na dita "música sertaneja" e, na verdade, não existe. Além disso, como é que cantores, duplas e grupos que deturpam a música caipira e apoiam rodeios vão falar de natureza com a mesma sinceridade dos mineiros? Não há como.

Gravar covers de Clube da Esquina também não enobrece em coisa alguma os breganejos, que aqui se comportam como meros aluninhos que, quando vão fazer trabalho de História, copidescam os livros dos mestres para disfarçar sua mediocridade evidente.

Pois no Clube da Esquina é que existe música de verdade. E o exemplo agora é menos acessível na mídia, o instrumentista e eventual cantor/letrista Toninho Horta. Mesmo sem a penetração de mídia de Milton Nascimento, Flávio Venturini e Beto Guedes, Toninho Horta tem o mesmo prestígio deles, já que todo mundo do clube mineiro é talentoso.

Aqui mostramos Toninho Horta numa música ao vivo, "Beijo Partido", gravada por Milton Nascimento e também por Nana Caymmi, no link do You Tube. Segue, antes, a letra da referida canção.

BEIJO PARTIDO
(Toninho Horta)

Sabe, eu não faço fé nessa minha loucura
E digo eu não gosto de quem me arruína em pedaços
E Deus é quem sabe de ti
E eu não mereço um beijo partido
Hoje não passa de um dia perdido no tempo
E fico longe de tudo o que sei
Não se fala mais nisso
Eu sei, eu serei pra você o que não me importa saber
Hoje não passo de um vaso quebrado no peito
E grito olha o beijo partido
Onde estará a rainha
Que a lucidez escondeu, escondeu ...


Pela semiologia, "funk carioca" seria uma aberração


Em Comunicação, existe uma disciplina chamada Semiologia, que no âmbito da linguagem é conhecida como Semiótica. Nela, há uma relação entre signo e objeto, intermediada pelo interpretante. Numa outra abordagem desse processo, o objeto é considerado significante e seu sentido seria o significado.

O "funk carioca", se associarmos todo o discurso de defesa do ritmo ao que ele é na realidade, através dos CDs e das apresentações ao vivo - incluindo os "bailes funk" como um todo, até a platéia - , veremos que há um violento ruído de Comunicação. Ruído de Comunicação é quando há algo que perturba o sentido eficaz de uma mensagem comunicativa.

É um grande contraste, em proporções estratosféricas, entre o "funk carioca" como significante, como a coisa em si, com o objeto atuante numa realidade, e o "funk carioca" como significado, no sentido de todo um discurso lindo que aposta em milhares de apologias favoráveis ao ritmo.

Pois o discurso lindo (significado) não casa com o objeto "funk" (significante). Musicalmente, o "funk" se resume a uma batida eletrônica e um zé mané parodiando cantiga de roda com letras chulas. É tudo igual, seja o dito "funk de raiz", seja o "funk do bem" ou o "proibidão". Não há a menor riqueza sonora, poética nem musical. No máximo, apenas ritmo, batida, "batidão". Nada que justifique toda a retórica em defesa do ritmo carioca.

Daí o "funk carioca" ser uma das piores aberrações de todo o Brasil, um dos primeiros fenômenos de mídia em que o discurso fala uma coisa, e a prática fala outra completamente diferente. Onde a retórica é maravilhosa, e a realidade é um horror.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

APEDREJARAM A VIDRAÇA DO ROCK E FUGIRAM



Nos anos 90, o segmento rock no Brasil passou por uma violenta diluição e deturpação, reflexo da porralouquice semelhante vivida nos EUA nos anos 80.

Dessa forma, revistas musicais e rádios passaram a explorar a cultura rock de forma caricata, numa época em que o mainstream roqueiro era monopolizado pelo pós-grunge - o grunge original, de Seattle, já havia passado, dando lugar a seus sub-produtos - e pelo poser metal.

A Bizz, que não era revista de rock, mas dava amplo espaço ao segmento, passou da fase inteligente e informativa de 1985-1990 - até a estonteante Lorena Calábria integrava a equipe - para uma fase niilista comandada pelo editor André Forastieri, que permitiu até que a revista espinafrasse os Smiths, cujo disco Meat is Murder (1985) foi classificado pela Bizz dos anos 90 como um dos piores discos de todos os tempos.

Junto a isso, havia também a diluição do radialismo rock pela paulista 89 FM, que não foi da primeira geração de rádios de rock mas já em 1994 posava de "dona" do segmento no país. Dizem rumores que o fim de várias rádios de rock originais (Fluminense FM-RJ, Estação Primeira-PR e 97 FM-SP) teria se dado por indicação de produtores da 89 para rádios não-roqueiras (no caso da 97, em tese concorrente da 89, seria indicação para um ex-radialista da antiga Nova Record FM). Essas rádios teriam arrendado as rádios roqueiras originais.

A diluição do radialismo rock foi capitaneada pela linguagem "poperó", por um tipo de locução típico de rádios de pop dançante, além de um repertório musical que não ia além dos limites comerciais de limitar o cardápio musical (60 músicas só renováveis de quatro em quatro meses) e nos critérios de divulgação de bandas (fitas demo caseiras passaram a ser abolidas, dando lugar a CDs demo semi-profissionais, gravados mediante pagamento em estúdios de gravação profissionais). Isso significa que o repertório roqueiro se reduziria a artistas manjados, quando autênticos, ou a sucessos comerciais nas paradas nacionais e estrangeiras.

A 89 FM gerou uma discípula carioca, a ultra-reacionária Rádio Cidade (espécie de Comando de Caça aos Comunistas em relação às rádios alternativas), que havia surgido em 1977 como uma despretensiosa e simpática rádio pop.

Juntando a arrogância niilista da Bizz/Showbizz - e da General, revista de curta duração que, seguindo a onda "alternativa" do grunge, soava como um pseudo-zine - , o reacionarismo pavio-curtíssimo da 89 FM/Rádio Cidade (cujos produtores se enfureciam à mais branda crítica a seu trabalho) e o oba-oba do mercado pópiroque que endeusava gente como Tatola e Carlos Eduardo Miranda, a cultura rock foi massacrada e reduziu-se a quase nada.

Já nessa época o rock nem era mais o ritmo dominante entre a juventude - que no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e cidades interioranas em geral passou a curtir brega-popularesco desde os anos 90, acompanhada da juventude pobre do Rio de Janeiro, cujos ritmos brega-popularescos curtidos já eram o "funk" e o sambrega - , mas a arrogância da 89 FM tentou prorrogar a supremacia roqueira no Sul/Sudeste pasteurizando o estilo.

Foi pavimentado o caminho para bandas emo brasileiras que, em 2006, representaram o réquiem das duas supostas "rádios rock", 89 e Cidade, que, contrariando a pretensão de serem "rádios rock" até o fim dos tempos, abandonaram o rock friamente, pois as equipes das duas rádios têm pavio curto, mas têm sangue de barata. Hoje são duas rádios de pop eclético, a Cidade tendo virado OI FM, que, descontando o chatíssimo Rock Bola ("Aemão de FM" enrustido), dá um banho de criatividade e inteligência na nervosinha "rádio rock" de outrora, ainda que a OI não seja perfeita.

Passado o tempo, os antigos jornalistas e radialistas de rock sumiram do segmento, como moleques que atiraram pedras nos vidros das casas dos vizinhos e fugiram. Nenhum deles está envolvido com a causa rock hoje em dia, depois de transformar o segmento numa colméia de emos e de fanáticos grunge-posers.

ANDRÉ FORASTIERI - Jornalista e empresário. Na Bizz, comprava briga tanto com Léo Jaime quanto com Herbert Vianna e Nazi (ex-Ira!). Nazi chegou a desafiá-lo para uma luta, a exemplo do que fez com Pepe Escobar (espécie de David Nasser pop, no sentido de "plantar" reportagens). Espinafrava as bandas de rock de qualidade, mas escreveu até artigo elogiando uma apresentação chinfrim da então dublê-de-cantora Angélica (a mesma sra. Luciano Huck de hoje em dia). Na General, parecia mais "contido", porque a revista forjava uma filosofia pseudo-udigrudi (era a moda grunge, toda a mídia queria posar de "alternativa", havia até parada "indie" no Estadão). Mas não convenceu. Virou empresário de uma editora e se especializou em quadrinhos.
ATUALMENTE: André Forastieri é colunista do portal R7, da Rede Record.

CARLOS EDUARDO MIRANDA - Produtor, jornalista e músico gaúcho, Miranda, que tinha as iniciais C.E.M. em várias resenhas de discos na Bizz, aparentemente estava junto com a boa geração da revista. Mas nos anos 90 passou a espinafrar bandas alternativas autênticas e, como produtor, passou a esboçar um padrão roqueiro que absorvesse as lições do grunge e do poppy punk com pitadas de humor popular televisivo. Miranda, por ter forjado um arremedo de "cultura indie", até com gravadora pseudo-independente (a Banguela Discos foi subsidiária da Warner), foi endeusado pela crítica musical no meio dos anos 90, não bastasse o visual dele na época, com barbão e cabelos compridos, fizesse parecer um Jesus Cristo meio grunge, meio fashion. Mas, na prática, ele foi o precursor da "filosofia emo" no Brasil. É uma espécie de "mestre" para o produtor Rick Bonadio, que faz o mesmo estilo de produção de Miranda, só que com maior apelo comercial.
ATUALMENTE: Carlos Eduardo Miranda, no fundo uma espécie de Carlos Imperial dos anos 90, é jurado de programas do SBT: já participou nos programas Ídolos, Astros e agora participa em Qual È O Seu Talento?.

MONIKA VENERABILE - Ex-locutora da rádio niteroiense Fluminense AM, Monika era até uma excelente locutora, tendo integrado a fase áurea da Fluminense FM, para a qual foi transferida depois de ameaçada de demissão. Mas, em sua carreira paulista, o ranço da experiência na Jovem Pan 2 a fez virar caricatura de si mesma, virando a principal estrela da fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade carioca, formatando um perfil alienado, arrogante e reacionário do jovem roqueiro, que no cinema só via filmes de terror, pancadaria e esportes radicais e odiava ler livros. "Queimando" sua imagem, Monika deixou o rock para suas audições pessoais, virando locutora e comentarista de fofocas na popularesca 98 FM.
ATUALMENTE: Monika Venerabile é locutora da popularesca Nativa FM, dos mesmos donos da 89 FM mas com franquia carioca dos Diários Associados.

RHOODES DANTAS - Locutor que faz o perfil "marombeiro engraçadinho", ele trabalhou na fase decadente da Fluminense FM, nos anos 90, apresentando programas de rock mas dizendo que odiava o gênero. Contribuiu para derrubar a ex-Maldita e abrir espaço para a franquia da Jovem Pan 2, chamando DJs como Orelhinha, Marcelo Arar e Mário Bittencourt (provavelmente amigos do Rhoodes) para as transmissões locais da Jovem Pan Rio. Em 1995, Rhoodes passou a ser um dos astros da fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade, fazendo a mesma má conduta da Fluminense FM, mas com um suporte financeiro maior e uma horda de ouvintes fanáticos maior ainda.
ATUALMENTE: Rhoodes Dantas é ligado ao "funk carioca" e é radialista da 98 FM (conhecida como Beat 98).

PAULO BECKER - Colega de Rhoodes Dantas na fase pseudo-roqueira da Rádio Cidade.
ATUALMENTE: Envolvido com "funk carioca", Becker integra também a equipe da Beat 98. No Orkut, se envolveu numa séria polêmica com o blogueiro Marcelo Delfino, de Brasíl Um País de Tolos, pelos comentários deste contra o "funk".

TATOLA - Produtor, radialista e músico, ele era parceiro de Carlos Eduardo Miranda no programa A Vez do Brasil, da 89 FM, sobretudo na fase pseudo-universitária da emissora, em 1994 (também seguindo a moda grunge). Também formatou a "filosofia emo", através das bandas que dava espaço, que combinavam mentalidade grunge com humorismo popular. Foi vocalista do grupo Não Religião, espécie de grupo proto-emo que queria ter ao mesmo tempo o prestígio da Plebe Rude e do Ira! mais a postura indie dos Ratos do Porão (nenhuma das três pretensões foram conseguidas, obviamente).
ATUALMENTE: Ele deu um sumiço. Na busca do Google, as informações mais recentes ainda se referem ao seu então retorno à 89 FM em 2005.

ZÉ LUÍS - Radialista, estranhava a classe roqueira não apenas pelo fato da 89 FM ser uma emissora caricata, mas pelo fato de que Zé Luís, dividido entre o SBT e a 89, queria mesmo assim ser considerado "radialista roqueiro sério". Já foi repórter do Celso Portiolli, da Adriane Galisteu, e já fazia comerciais das Casas Bahia. Zé Luís tem um estilo tipicamente Jovem Pan 2, o que fazia os ouvintes da 89 FM que diziam odiar a JP2 engolirem seco quando alguém alertava isso.
ATUALMENTE: Zé Luís prossegue fazendo comerciais das Casas Bahia.

BAHIA JÁ TEVE O SEU "RHOODES DANTAS" BEM ANTES


Anos antes da Rádio Cidade carioca posar de "roqueira", uma rádio pop de Salvador (Bahia) teve semelhante experiência. Foi a 96 FM, que nasceu como afiliada operacional (não havia retransmissão em rede) da 98 FM carioca, mas que, em 1989, virou uma confusa caricatura de rádio de rock, numa gororoba que misturava Silencers com New Kids On The Block (!).

Pois um dos astros da 96 FM, também conhecida como Rádio Aratu, foi o locutor Thiago Mastroianni, que tem aquele estilo claramente de pop convencional, na escola da Transamérica dos anos 80. A risível 96, que tocava Ave-Maria às 18 horas - nada contra a bela oração nem à crença católica, mas um ato desses não combina com uma rádio envolvida com rock - , logo depois tinha Thiago na primeira parte do horário nobre, antes do programa A Voz do Brasil. Locução mauriçola que tentava embarcar até em certos programas "alternativos" transmitidos no horário, às vezes exibindo pedantismo (como uma vez Thiago, ouvindo o comentário de um outro locutor - ligado a uma loja de discos de rock - sobre Joy Division, dando falsa impressão de que conhecia o grupo inglês), Thiago, mesmo de uma forma mais contida que a do carioca Rhoodes, antecipou para os baianos aquilo que os ouvintes de rádio do Grande Rio passariam a suportar anos depois.

A 96 FM abandonou o segmento rock em 1993, e desde 1995 é afiliada da Rede Aleluia. Seus produtores, incluindo Léo Fera, antigo coordenador da 96, estão hoje envolvidos com axé-music (era notável a semelhança de estilo dos locutores da 96 com a da Piatã FM, de perfil popularesco).

Há um bom tempo Thiago Mastroianni é apresentador e reporter de esportes na TV Bahia, afiliada da Rede Globo em Salvador.