quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Deve-se dar troféu a quem merece


O Jornal Nacional, como principal atração jornalística da Rede Globo, é o símbolo maior do tendenciosismo e do poderio midiático representado pela rede televisiva das Organizações Globo. A Rede Globo, sem dúvida alguma, é o maior exemplo do que se conhece como "mídia gorda", sendo aliás considerada "a mais gorda da mídia gorda".

Mas devemos reconhecer que seu apresentador, William Bonner, tem suas qualidades evidentes. É claro que ele está a serviço de um projeto ideológico, de um ideal de poder midiático que a Rede Globo persegue desde antes de existir, através dos acordos com o grupo ianque Time-Life, em 1962. Ideal este que foi consolidado pela ditadura militar e defendido pela "Vênus Platinada" de Jacarepaguá (antes era só no Jardim Botânico, mas o grosso da corporação "global" se mudou lá para a Zona Oeste).

Todavia, William Bonner, além de ser um excelente locutor e um profissional equilibrado, tem uma vantagem que o coloca até acima de gente como a cúpula de jornalismo do Grupo Bandeirantes.

É claro que o Grupo Bandeirantes ganha da Rede Globo em abordagem e profissionalismo jornalísticos, embora a empresa da família Saad não seja tão maravilhosa e nem tão ousada quanto alardeavam os mais exaltados "líderes de opinião". Em um ponto e outro, o "jornalismo completo" das emissoras do Grupo Bandeirantes - mitificada por contratar intelectuais de esquerda durante a ditadura - sucumbe a um direitismo que não a faz muito diferente das Organizações Globo.

Mas Bonner ganha da cúpula jornalística da Band por uma virtude bem simples: a modéstia, a simplicidade, o despretensiosismo. Enquanto os diretores de jornalismo do Grupo Bandeirantes falam como se quisessem, através do tele ou do radiojornalismo, fazer a "Revolução Francesa" no Brasil, com pretenso heroísmo e com pose de "combatentes da notícia", postura que, independente de ser ou não verdadeira, soa por demais presunçosa, William Bonner não promete mudar o mundo. Ele não é estrela, é bem humorado, ele é simples. Não faz pose de combatente, não posa de "revolucionário", nem faz falsos esquerdismos.

Por isso mesmo, ainda que dentro dos limites e até dos erros cometidos pelo jornalismo da Rede Globo, William Bonner se destaca por suas virtudes pessoais e pelo seu talento inegável de apresentador e jornalista.

Neste caso, devemos dar troféu a quem merece. E isso não nos impede de contestar o perfil das Organizações Globo no conjunto de sua obra. Apenas se faz justiça a um profissional por suas qualidades pessoais.

Nenhum comentário: