terça-feira, 29 de setembro de 2009

SÍLVIO ESSINGER ESTÁ DESINFORMADO


Vejamos as "pérolas" que o jornalista Sílvio Essinger, que eu até admirava - tenho o livro dele sobre o punk rock - até ele lançar outro livro, desta vez sobre o "funk carioca".

Lunático, ele tenta comparar o "funk" com o punk, o que é uma insensatez. O punk rock era contra o establishment. O "funk", não, sempre foi totalmente integrado ao "sistema", só não rolava no Copacabana Palace, que parece ser o referencial de muitos lunáticos a respeito do istabliximente musical.

Para piorar, ele deu esse depoimento para a revista Bravo, veículo da Editora Abril (da horrenda revista Veja) dedicado aos "descolados":

"O funk virou o que é mesmo com a perseguição policial e sofrendo todo tipo de ataque. Hoje ele é uma música original, referência para turistas europeus e americanos, que querem conhecer esse tipo de baile, que não existe em outros lugares do mundo. Não tem funk de laboratório, não tem jabá, não tem manipulação. Não sei o quanto essa lei pode beneficiar uma coisa que funciona tão bem, mas eu acho válido tudo que puder dar uma garantia de trabalho pra quem lida com o gênero".

Ele ainda acrescentou que o "funk carioca" é "genuinamente brasileiro" - espere José Ramos Tinhorão saber disso - e que é feito fora do esquema de rádios e gravadoras.

Em que planeta Sílvio Essinger vive? Ele deve viver no Planeta Mico, onde vive também o fascistão que defende Zezé Di Camargo, Vítor & Léo e quejandos.

Em primeiro lugar:

1. O "funk" não é música original. Ele é uma chupação do miami bass dos EUA. Se adotou o "tamborzão" (batida eletrônica que imita batuques do candomblé), foi um recurso de última hora só para turista ver.

2. Não é referência alguma para turistas estrangeiros, que quando vão conhecer o "funk carioca", é para perceber o quão ridículo e pitoresco é este ritmo.

3. TODO o "funk carioca" é de laboratório. Seus idolos são vassalos dos empresários-DJs, que criam até tipos e estereótipos que esses MC's e suas dançarinas vão explorar. Sem falar que esses ídolos são semi-analfabetos, totalmente ingênuos e desprovidos de senso do ridículo. E são totalmente manipuláveis pelos empresários-DJs que os controlam, às vezes com mãos de ferro.

4. TODO o "funk" trabalhou seu sucesso às custas de muito jabá. Se o miami bass foi famoso pelo violento esquema mafioso de subornos e ameaças a DJs e tudo, imagine seu similar brasileiro, num Estado dominado pelo crime organizado. Se verificarmos os bastidores do "funk", verá que o ritmo nada seria se não fosse o jabaculê.

5. É claro que a lei que transforma o "funk" em "movimento cultural" (sic) tem como maiores beneficiados os empresários-DJs e seus aliados. O povo cai feito trouxa nesse conto do vigário. E a intelectualidade adesista também.

2 comentários:

Lucas Rocha disse...

Como seria, em 2011, a conversão dos funkeiros (cantores e dançarinos do "pancadão") para o estilo orquestral de Ray Conniff? Será que o Sílvio Essinger vai falar que o referido RC foi um "gênio do jazz"?

Marcelo Delfino disse...

Alexandre, dê um jeito de mandar essa entrevista do Silvio Essinger para o Ariano Suassuna.