sábado, 12 de setembro de 2009

PRESSÕES DO MUNDO DA FAMA


Infelizmente o mundo da fama é cruel, muito cruel. Requer sobrecarga de compromissos, superexposição, factóides e muitos sacrifícios. E muito, muito fanatismo, a ponto de haver gente disposta a espinafrar até mesmo as críticas mais construtivas.

Uma cantora baiana cujo nome não podemos pronunciar, para não atrair a ira de fanáticos intolerantes, é famosa por sua megalomania, pelos factóides mais ridículos e até mesmo pelo sacrifício da gravidez. Pois, nem no oitavo mês de gravidez, essa cantora se retirou para descansar, e só recentemente fez sua última apresentação.

A carreira dela requer um ritmo intenso, pois sua atividade envolve muito gasto de energia física e o melhor teria sido a cantora se retirar logo no sexto mês da gravidez. Deveria descansar mais, seja para reciclar sua imagem pública, seja para não sacrificar o bebê. Ao invés disso, ela foi quase até o fim, numa maratona pela visibilidade e pelo sucesso que indica o mesmo drama que já vimos antes, e custou a vida de outras celebridades.

Mal a humanidade se recupera do falecimento de Michael Jackson, parece que o mundo da fama não aprendeu as duras lições que a pressão da fama representa. Tem que manter a agenda pesada de compromissos, não se pode descansar, não se pode retirar para a privacidade, pois a fama não requer descanso sequer de imagem. A fama quer superexposição, a todo preço.

Aí eu critico a superexposição da cantora baiana e os "fãs" (ou funcionários de fãs-clubes ou assessorias?) me chamam de invejoso, preconceituoso, ignorante etc. Eu sugiro para ela ter se retirado antes para garantir uma gravidez mais descansada e segura, e sou chamado de desinformado só porque a lei da licença-maternidade prevê a concessão de licença a partir do oitavo mês de gravidez.

Só que, mesmo que a licença seja oficialmente no oitavo mês, a cantora baiana deveria ter se retirado antes, porque seu trabalho envolve maratona pesada de apresentações e gasto de energia física. Não dá para comparar o trabalho de cantora de axé-music com a de uma secretária ou professora, por exemplo.

Lembremos o que a pressão da fama fez com personalidades diversas como Michael Jackson, Diana Spencer, Kurt Cobain, Elvis Presley, Marilyn Monroe e Carmen Miranda. Todos de alguma forma sofreram as pressões do sucesso, da fama, da vida de celebridades. Seja a ingestão de comprimidos para manter o pique das apresentações com menos horas de sono (que arrasou fisicamente Carmen Miranda e Elvis Presley), os calmantes que Marilyn Monroe e Michael Jackson tinham que tomar, o estresse de Kurt Cobain, a fuga desesperada e mortal de Diana Spencer dos fotógrafos em 1997, tudo isso mostra o mundo cruel da indústria da fama.

Sei que, no caso da cantora baiana, não há relações com uso de comprimidos, perseguição de fotógrafos ou escândalos graves. Mas a própria pressão da fama influi em declarações tolas da cantora - como aquela de que teve que dançar feito maluca em Madri para chamar a atenção das pessoas - e, agora, na sacrificada maratona de apresentações, a pretexto de "agradar os fãs".

A cantora baiana é um ser humano, passível de críticas, mas também necessitada de privacidade quando as circunstâncias determinam. Sua superexposição e o sacrifício de não descansar durante a gravidez, ainda que não provoquem algum dano sério, já indicam algum risco. Não é preciso dizer que esta é a segunda tentativa de gravidez da cantora, que na tentativa anterior perdeu o bebê.

Além disso, para um estilo como a axé-music, que se utiliza de metáforas macabras (como comparar seu sucesso a catástrofes meteorológicas, tipo "a terra tremer", "furacão da Bahia", e usar expressões como "sair do chão", que, num trocadilho subliminar, significa "morrer"), brincar com as limitações físicas não é boa idéia.

Espera-se que a cantora baiana saia-se bem nessa e seu bebê nasça forte e saudável. Mas fica a advertência de não se recomendar a ela todo sacrifício em nome da fama, do sucesso e da visibilidade. Se for necessário, ela terá que se retirar dos holofotes para manter sua privacidade ou reciclar sua imagem pública. É bom lembrar que o mundo da fama não é somente o doce mundo das multidões adorando uma celebridade.

Chega um ponto que essa adoração, na medida em que é explorada pela indústria do entretenimento, pode indicar um sério risco à pessoa famosa, e aí toda cautela é necessária, exigindo moderação na busca de sucesso e visibilidade. É como dirigir um trio elétrico e saber a hora certa de frear, não ir com muita velocidade pela avenida, senão pode dar desastre.

Um comentário:

Edilson Trekking disse...

Uma vez tal cantora foi chamada de "Elizete Zagalo" pelo então personagem Alberto Roberto do Chico Anisio.Na época o Zagalo era técnico da selecion.