sábado, 12 de setembro de 2009

PEDANTISMO NEO-BREGA APROVEITA ELEMENTOS DA "MPB PASTEURIZADA"


O pedantismo dos ídolos neo-bregas tem dessas manobras. Para esses ídolos serem considerados "verdadeiros artistas populares", tem que apelar para uma pseudo-sofisticação dentro dos padrões da elegância burguesa. Usam de orquestras, de superprodução, de muitos paletós, banho de loja e tecnologia, tudo para dizer que são "música verdadeiramente popular".

É risível quando certos intelectuais vendidos e outras pessoas do gênero falam muito mal da MPB autêntica, porque ela ficou "burguesa", "elitista" e coisa e tal, porque essas pessoas sentem nojo de ver Tom Jobim em Nova Iorque, atribuindo a ele um suposto desprezo ao Brasil, e, por outro lado, aplaudem quando cantores ou grupos de música brega ou neo-brega fazem discos pseudo-sofisticados, que "parecem MPB".

Essa horda ranzinza, inimiga da MPB autêntica, mal sabe que as próprias manobras do mercado em pasteurizar a MPB, reduzindo-a a canções românticas e a um esquema burguês de produção, representam justamente O MESMO MODELO adotado pelos ídolos bregas em busca de uma suposta sofisticação artística.

Cantores como Dalto, Ritchie, Tavito e Biafra foram lançados nessa fase de pressões comerciais sobre a MPB. Foram classificados, erroneamente, como bregas. Mas nomes como José Augusto e Fábio Jr. foram seguir a mesma cartilha da tal "MPB burguesa" e se tornaram "respeitáveis nomes da MPB". Um absurdo!!

Pois vejamos o caso dos ídolos do sambrega, aquela pasteurização do samba que descaraterizava completamente o ritmo carioca em prol de uma imitação barata e sem imaginação de soul music ou do bom pop romântico de nomes como Gino Vanelli (quem ouviu Antena Um sabe quem é ele).

Os ídolos solo de sambrega, Belo e Alexandre Pires, são típicos exemplos de como é o pedantismo dos sambregas. Pretensamente sofisticados, eles pensam que se afastaram da inicial imagem brega que, mesmo merecida e real, eles classificam de "injusta".

Grande engano. Ávidos em regravar sucessos da MPB autêntica, como alunos medíocres copiando textos dos livros didáticos em tarefas de casa, Belo e Alexandre Pires, no repertório autoral, não disseram a que vieram. E, a exemplo de Chitãozinho & Xororó, cujo "maior sucesso" foi uma apropriação de uma antiga música de Ari Barroso e Lamartine Babo, e o breganejo Daniel, que nunca teve sequer um grande sucesso próprio, Belo e Alexandre Pires não vão além de seguir as mesmíssimas lições mercadológicas de Fábio Jr., sua maior e explícita inspiração (Alexandre Pires chegou a duetar com o cantor/autor de "Pai").

Mas como gravar música romântica virou, para a música brasileira, o mesmo que, na política, significa um candidato em campanha distribuir cestas básicas para o povo pobre, antigos breganejos e sambregas recorrem ao rótulo de "românticos" para entrar na festa da MPB pela porta dos fundos. Ou então por alguma condescendência de um grande nome da MPB mais ingênuo.

Mas aí entra a farsa. Os críticos da MPB autêntica, que se enojam de ver nomes como Zizi Possi, Djavan, João Bosco (o autêntico) e até Tom Jobim e Chico Buarque, associados a canções românticas (mas com claros elementos criativos da MPB autêntica; o João Bosco de "Papel Marchê", por exemplo, é fortemente influenciado por Dorival Caymi), mas aplaudem quando Alexandre Pires, Belo, Roberta Miranda, Leonardo, Daniel e Zezé Di Camargo & Luciano gravam canções românticas (estas com forte acento brega), deveriam calar a boca e repensar seu raciocínio falho e seu verdadeiro preconceito, que é aquele que violenta a coerência dos fatos.

A pasteurização da MPB autêntica não agradou seus artistas. Foi uma imposição da indústria fonográfica no final dos anos 70. Fez grandes artistas gravarem LPs não necessariamente ruins, mas inferiores aos que os consagraram. Os abusos foram notados na cantora Simone, que a CBS (atual Sony) queria transformar numa versão feminina do Roberto Carlos (por sua vez amestrado pela Rede Globo, feito Elvis pelo "coronel" Tom Parker). E, quando muitos jovens se irritaram com os abusos da MPB pasteurizada, veio Simone gravando Sullivan & Massadas e José Augusto e ela se apagou anos depois, mudando de gravadora e abandonando os excessos e a pompa.

Só que as regras da MPB pasteurizada que fez os artistas se demitirem das grandes gravadoras são as mesmas que fazem a festa dos ídolos popularescos em busca de algum pedantismo que engane as platéias mais seletas. A esquizofrenia artística acaba se tornando inevitável, pois ver Alexandre Pires virando uma imitação mista de Bobby Brown com Alejandro Sanz e defender isso como se fosse uma suposta fusão de samba com Bossa Nova é muito patético. Tal como é Belo se enchendo de muita pompa, até em excesso para afastar a reputação suspeita que assombra o cantor.

Mas Chitãozinho & Xororó, pioneiros do pedantismo neo-brega, também fizeram cruzamento de mariachis caricatos, boleros fajutos, country estereotipado e botavam elementos de Bee Gees em cima, e vendiam tudo isso como se fosse "a mais genuina moda-de-viola".

O marketing dos neo-bregas engana muita gente ligada à MPB autêntica, corrompida pelo paternalismo burguês (que trata os ídolos bregas como se fossem filhos bastardos mas "simpáticos") e pelos delírios pós-modernos, desses que culturalmente tentam ver bigode em ovo.

Mas, no que se refere ao brega-popularesco, a audição é que importa. A mediocridade está ali, nos CDs, nos DVDs. Nenhuma apologia a eles é justificável. Mesmo no jogo das aparências pseudo-sofisticado dos pedantes neo-bregas. Eles não são MPB autêntica, nem que a vaca tussa. São apenas cantores bregas que, com medo de desaparecerem com o tempo, dão um banho de tecnologia, marketing e de aparato visual para dissimular suas canções inegavelmente fracas, frouxas e tediosas.

Um comentário:

Edilson Trekking disse...

Isso é picaretagem, pô!