quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PÃO DURO


Infelizmente, é raro encontrar alguma boa padaria em Salvador (Bahia). Ironicamente, a melhor padaria da cidade, a Alimentare, com filiais em Brotas e na Pituba, foram fechadas. A filial da Pituba deu lugar a uma casa noturna pornô. Até outubro de 2008, a filial de Brotas simplesmente estava fechada, com um anúncio de futuras obras.

A maioria das padarias de Salvador produz o mesmo tipo de pão: muito bromatado, mal temperado, incluindo pães de sal sem sal. Os pães são geralmente muito pálidos, ou então são quase queimados. Quase não há padarias que vendem bisnagas - opção de pão para grupos familiares - e, quando há, elas, salvo exceções, não prestam. Uma exceção é uma padaria localizada junto a um supermercado na Rua General Labatut, nos Barris, próxima à Rua do Salete.

A Perini chega a ser um dos casos mais lamentáveis. A rede de lojas na verdade é um complexo de delicatessen com 45 anos de existência. A Perini produz excelentes bolos, sorvetes e outros doces, além de salgados como coxinhas e risoles. Mas, na hora de produzir pão, sobretudo bisnaga, é um desastre.

A bisnaga simplesmente é queimada, mal temperada e sem gosto. O pão não é macio por dentro e nem crocante por fora. É, pura e simplesmente, um pão duro. Não bastasse a Perini cobrar caro por todos os seus produtos, a bisnaga não compensa em coisa alguma o preço cobrado. Qualquer padaria modesta da Baixada Fluminense, ou mesmo a padaria União, em Santa Rosa, Niterói (RJ), faz bisnagas muito melhores que a Perini, tida como sofisticada.

Espera-se que as coisas mudem, que as padarias da capital baiana temperem melhor seus pães, que vendam mais bisnagas junto aos pães franceses, oferecendo assim mais opções de escolha dos fregueses. E que a Perini melhore seus pães, porque não adianta caprichar em doces, bolos e sorvetes, se os pães são um horror. Uma loja de prestígio tem que oferecer qualidade em tudo, até porque se comprometeu para isso.

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