quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PALHAÇADA: "BALADA" EM IBIZA


Está rolando na MTV um comercial do tal "Balada em Ibiza" em que um cara, com aquela típica voz de playboy enrustido, fala dos prazeres de encontrar mulheres e se divertir na "balada". Até o título de "capital mundial da balada" para a cidade espanhola de Ibiza é evocado. Enfim, todo o ideal clubber é exaltado sob o ponto de vista do clubber brasileiro.

Sim, porque lá fora não existe esse papo de "vou pra balada c'a galera" (sim, com todo o direito ao cacófato mais escatológico). Lá impera o bom "I'm going to the party with my friends". Um dos sucessos do grupo eletrônico Groovy Armada se chama "My friends", que um clubber idiota traduziria como "Minha galera" (nada a ver com o título da música de Manu Chao, que tem um sentido pertinente e apropriado que mistura amigos e futebol).

Mas aqui tem uma juventude retrógrada que quer encher de gírias modernas, para compensar a falta de idéias relevantes, de ideais novos. Por isso preferem virar a língua portuguesa de cabeça para baixo, com a obsessão por gírias que já causa chacota por parte de gente do resto do mundo. Mas essa juventude brasileira, arrogante, brada furiosamente que essas chacotas nada têm a ver, só são de gente invejosa com a "curtição da galera". Então tá.

Pois não dá para entender que as tais "baladas" não têm música lenta e praticamente é proibido um homem dançar romanticamente abraçado a uma mulher - é comum até moças normalmente heterossexuais preferirem beijar as bocas das amigas do que dançarem coladas com os homens - , os abraços se resumem aos "amassos" sexuais ao som do mais monótono "téquino".

Também não dá para entender por que uma gíria tão artificial, fabricada no escritório de empresários da "náite", que é a tal gíria "balada", insiste tanto em permanecer na memória coletiva, quando na verdade atua como uma anti-gíria, paranóica por um lugar no "Aurélio" e por uma longevidade típica do Terceiro Reich.

Uma gíria de verdade não agiria assim, querendo prolongar demais a vida útil feito um ônibus em estado de perecimento adiantado, com motor queimado e ao mesmo tempo cansado. A gíria "balada" parece até um ônibus da empresa carioca Ocidental, que, de tão fajuta e irregular, insiste em permanecer em circulação na sociedade.

Pois fica aqui a minha NOTA ZERO para a MTV, por insistir nessa gíria tão decadente, sem fundo nem serventia social, sem pé nem cabeça, jargão de DJs provincianos de "poperó" e de playboys arrogantes e alienados.

Certamente os DJs estrangeiros devem torcer a cara dos brasileiros, vistos como um bando de caipiras querendo subverter a língua portuguesa, na falta de outra coisa para fazer.

E as tais "baladas" que acontecem no Brasil, no fundo, são apenas as "primas pobres" das raves que outrora marcaram as festas noturnas do Reino Unido de 1988 a 2001. O que prova que, até para ser moderno, o brasileiro continua atrasado.

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