domingo, 6 de setembro de 2009

NÃO VOU PASSAR A FALAR BEM DA "MÚSICA SERTANEJA"


Cena de um rodeio, reduto maior dos ídolos breganejos, arena dos latifundiários de todo o país.

Não vou aqui ceder à vontade de determinado(s) reacionário(s) que queriam que eu "respeitasse" os ídolos "sertanejos". Ele que deixe de ler O Kylocyclo e fique em casa gostando de seus ídolos. Isso se ele for realmente um fã e não um funcionário a serviço da mídia ou desses ídolos.

Eu, que sou jornalista e procuro conhecer melhor as coisas, sei muito bem a diferença entre a verdadeira música caipira, que corre o risco de desaparecer completamente, e a música pseudo-caipira, com elementos estereotipados de country, mariachis e boleros, adotados não para somar às influências nacionais, mas pura e simplesmente por ação mercadológica.

Por isso a culpa não é minha se Zezé Di Camargo fala muita bobagem, se Daniel canta como se fosse o Barney Rubble, se Chitãozinho & Xororó são patéticos e se é risível haver uma dupla com nome de João Bosco & Vinícius.

Se o tal do Olavo Bruno não gostou, ele que deixe de ler O Kylocyclo e fique na sua. Senão ele vai dar a idéia de que é um desocupado encrenqueiro, e isso vai trazer problemas até para os ídolos que defende. Daí para as fãs de Vítor & Léo e João Bosco & Vinícius acreditarem que os adeptos dessas duplas se comportam que nem nazi-punks, é um pulo, de vaqueiro rápido e rasteiro. Por isso que esses carinhas não banquem os jagunços virtuais. Se gostam de breganejo, se preocupem em gostar deles e não amolem quem não gosta.

A culpa não é minha da mediocridade do breganejo. Não tenho inveja, não me sinto incomodado pessoalmente, mas fico preocupado com o fato de que o breganejo, como os outros estilos popularescos, querem invadir espaços que não são os seus.

Hoje o brega-popularesco não quer só a TV aberta e as FMs popularescas que tanto lhe produziram sucesso. Querem invadir redutos ocupados pela MPB autêntica, redutos mais intelectualizados, não porque esse brega-popularesco seja realmente uma cultura séria, mas apenas em caráter expansionista. Como todo fenômeno capitalista, que quer invadir terrenos como os velhos bandeirantes derrubavam florestas e exterminavam grupos indígenas.

Do Chitãozinho & Xororó ao Vítor & Léo, TODO o breganejo é sempre fake. No fundo são apenas filhotes do Waldick Soriano posando de "Novo Clube da Esquina". Tudo falso, forçado, pedante. Por isso é que eles já tem seus espaços, as rádios, TVs, bares, boates, galpões, vaquejadas, rodeios, toda a arena e todos os redutos onde o "sertanejo" mais brega tem e onde ele deve ser aplaudido por seus fãs e pelos "coronéis" que apoiam este tipo de música.

Mas aí eu digo que isso NÃO É MPB e recebo declarações caluniosas, difamatórias, de gente que ataca também a MPB autêntica, covardemente.

É difícil, muito difícil, defender a cultura de qualidade neste país, porque os adeptos da Música de Cabresto Brasileira, que mamaram nos valores difundidos pela ditadura militar e do latifúndio de sua região, querem a hegemonia absoluta dos seus ídolos. Eles não estão satisfeitos em gostar deles, lutam pela unanimidade impossível. Lutam pela supremacia, tal qual os latifundiários - agora conhecidos pelo nome dócil de "ruralistas" - lutam por sua supremacia na economia de nosso país.

Assim como os "coronéis" latifundiários se acham "donos" do território brasileiro, "proprietários" indiscutíveis de nossa democracia, o universo breganejo também se acha "dono" da cultura brasileira, e quer ser "proprietário" da Música Popular Brasileira. Nem que seja preciso difamar os verdadeiros artistas da MPB mais autêntica.

2 comentários:

Marcelo Delfino disse...

A manada não nos fará parar, Alexandre. A não ser que nos ponham no paredón ou nas celas dos quartéis ou do DOPS.

Edilson Trekking disse...

Realmente, o Brasil é um país de tolos!