terça-feira, 1 de setembro de 2009

"FUNK" QUER SER A AXÉ-MUSIC DO RIO DE JANEIRO


Toda a retórica trabalhada pelo "funk carioca" e por todos os seus defensores, que surpreende pela diversidade do discurso falacioso, pronto para as mais delirantes alegações e comparações, só tem um único objetivo: transformar o ritmo carioca em mais uma facção imperialista da Música de Cabresto Brasileira.

É a mesma história que ocorreu, há cerca de dez anos atrás, com a axé-music, hoje o ritmo mais imperialista do brega-popularesco, a se julgar dono do país, dono da cultura brasileira, a se apropriar gratuitamente de áreas e estilos musicais divergentes do universo axezeiro.

Pois a axé-music cresceu usando esse mesmo discurso de "vítima de preconceito", "movimento cultural", "cultura regional" etc, fazendo a mesma ladainha de que era "rejeitado pelo Sul" ("Sul", no caso, é o eixo Rio-São Paulo).

Só que, por trás da "inocente alegria" da axé-music, houve a máquina política de Antônio Carlos Magalhães, mais poderoso político da direita baiana até hoje, mesmo depois de falecido (ninguém até agora o superou). As vezes em que a axé-music fez sucesso nacionalmente coincidem com ações decisivas do "Toninho Malvadeza": na segunda metade dos anos 80, sendo ele Ministro das Comunicações e tendo feito ele e o presidente Sarney as concessões de rádio e TV para políticos e empresários simpatizantes (mesmo os "idôneos" e "apartidários"). Nos anos 90, a axé-music também virou "mania nacional" quando ACM era senador e mandava nos bastidores do governo Fernando Henrique Cardoso.

Nessa época, a axé-music cobrava caro em eventos para jovens abastados, fazendo com que o empresariado envolvido se enriquecesse de forma impressionante. Viraram os "donos" do país, conforme os padrões do poderio econômico brasileiro. O carlismo musical da axé-music, às custas de mensalidades exorbitantes para os ricos, de muito jabaculê na mídia e no apoio do "painho" ACM, fizeram com que este estilo ganhasse mercados nacionais antes nunca sonhados nem cogitados.

A obsessão do "funk" é a mesma, e, apesar das diferenças de contexto e de certos aspectos específicos, o objetivo também é criar um mercado imperialista nacional. Algo como os axezeiros fazem, se os axezeiros bolam uma micareta em Porto Alegre ou em Niterói, por exemplo, não há obstáculo que impeça, salvo exceções (a gripe A inviabilizou a edição 2009 do Niterói Folia).

E o próprio "funk" cria todo um discurso para atrair os mais abastados. E ela paga caro. Uma apresentação de DJ Marlboro em São Paulo teve ingresso caríssimo, mas no momento não me lembro que quantia foi. Mas, certamente, foi preço para gente com alto poder aquisitivo.

Com a aprovação do projeto que supostamente transforma o "funk" em "movimento cultural", o "funk" poderá se tornar a axé-music do Rio de Janeiro, com toda a sua ganância imperialista de invadir tudo quanto é mercado. Onde der lucro, vale tudo. Lamentavelmente.

2 comentários:

Edilson Trekking disse...

"O povo tem o governo que merece"

Sabem porque que o Belchior se retirou para uma cabana no Uruguai?

Resposta: Para fugir do baralho do bundafunk , do bundaxé , do bundanejo e do forró-bunda.

inoacarvalho disse...

A aprovação do funk como "movimento cultural brasileiro" é de lascar mesmo. Só mesmo uma instituição como a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) - que já foi foco de várias denúncias de irregularidades - para tomar uma atitude estúpida como essa. O "funk carioca" é uma verdadeira praga. Acho lamentável que pessoas da esquerda, como os integrantes do PSOL, tenham se rendido ao discurso idiota dos funkeiros. Apoio totalmente a iniciativa desse blog de chamar a atenção para a enganação que é o funk carioca!