domingo, 27 de setembro de 2009

FLUMINENSE FM


Dia 01 de outubro próximo fará 15 anos que a Fluminense FM saiu do ar pela primeira vez. Tendo sofrido uma violenta crise de identidade que chegou a fazer a emissora virar pop, em 1990, a rádio perdeu prestígio pelos seus erros, embora tenha que se fazer justiça com a emissora.

Muita gente já sabe, pela Internet e pelo livro escrito pelo ex-gerente artístico da Fluminense, Luiz Antônio Mello, que a Fluminense FM cometeu erros que comprometeram seriamente a rádio. A emissora sofria, desde o início, sérios problemas financeiros, mas foi o bairrismo do então superintendente Ephrem Amora, que chegou a vetar até a criação de uma revista pela editora do jornal O Fluminense, impediu a emissora de crescer e virar referência em todo o país.

O resultado foi que, no final dos anos 80, a Fluminense, não sendo referência de radialismo rock, viu o segmento rock do rádio se espandir de forma mais atrapalhada, caricata, confusa e esquizofrênica, como vimos na série "Crise do Radialismo Rock" publicada neste blog. Radialistas sem a menor intimidade com o rock passaram a controlar o gênero, tomando como referência a fase diluída da 89 FM de 1989, que apenas unia vitrolão roqueiro com locução de rádio pop das mais convencionais. Para sentir o drama, ouvir paródias apatetadas e descerebradas de Fernando Mansur (ex-Rádio Cidade, hoje MPB FM) anunciarem nomes como Ira!, Killing Joke e Violent Femmes como quem anunciasse entrega de geladeira como prêmio de uma dona-de-casa de subúrbio era dose.

A prmeira geração de rádios de rock foi dizimada uma a uma depois do fim da Fluminense FM (que passou seus transmissores para os arrogantes da Jovem Pan Sat e para DJs cariocas que no fundo eram amigos do Rhoodes Dantas). A 97 Rock, da Grande São Paulo, acabou em dezembro de 1994 e virou Energia 97. A Estação Primeira, de Curitiba, deu lugar à CBN FM local. A Ipanema FM, de Porto Alegre, se vendeu para o ecletismo vazio em 1997, antecipando a intragável gororoba da Pop Rock FM de hoje, misturando até pop dançante com o jabaculê das jornadas-transmissões esportivas.

Mas o maior golpe contra o radialismo rock carioca se deu quando a Rádio Cidade, em 1995, passou a se vender como "rádio rock", sendo uma fusão entre a desastrosa experiência da Fluminense FM de 1991-1994 e a Jovem Pan Rio de 1994-1998 (quando era radicalmente poperó). A extrema arrogância dos produtores e ouvintes da Rádio Cidade fez a emissora ficar 11 anos explorando o rock, com duas pequenas interrupções de meses para o pop, o que queimou o segmento, hoje desacreditado no mercado radiofônico. A Rádio Cidade "roqueira" fez muito mais contra o rock do que faria o DOI-CODI nos mais trevosos anos da ditadura militar.

Mas isso só foi compreendido pelo grande público a partir dos últimos cinco anos. A Rádio Cidade, por mais "micos" que pagava, era, equivocadamente, adorada pelos roqueiros mais jovens, que nos anos 80 escutavam a popularesca 98 FM ou simplesmente moravam onde não se dava para sintonizar a "Maldita". Mesmo a mídia, a princípio, resistia a publicar ou fazer críticas contra a Cidade e sua rádio-irmã, a paulista 89 FM.

Só para se ter uma idéia, durante um bom tempo as críticas negativas à Fluminense FM eram superestimadas e, as relativas à Rádio Cidade, subestimadas.

A Fluminense FM de 1986 era crucificada só porque tocava Simply Red, A-ha e Sade, mas sua grande virtude, única, de tocar nomes brilhantes como Fellini e Weather Prophets na programação normal, não era reconhecida. A Fluminense FM, até 1990, tocou mais Fellini e Violeta de Outono do que a 89 FM de São Paulo e tocou mais Camisa de Vênus do que a risível 96 FM de Salvador.

A Rádio Cidade de 1996, que babava o ovo ao Baba Cósmica, Virgulóides e sobretudo Mamonas Assassinas, tratava a morte de Renato Russo com indiferença e não tinha coragem sequer de tocar Beck Hansen, era tratada como "boa rádio" só porque colocava uns parcos hits de bandas australianas ou grupos de metal no monocórdico cardápio musical de 60 músicas tocadas diariamente e só variando de quatro em quatro meses.

Felizmente, meus esforços em difundir informações mais coerentes fizeram com que o radialismo rock fosse visto de maneira mais objetiva, sem aquela visão distorcida dos anos 90 através da dupla poser 89-Rádio Cidade. E eu tive que pagar um preço por isso, ridicularizado, xingado e desqualificado pelos produtores e ouvintes dessas "rádios rock", irritadiços e intolerantes.

Era um pessoal que se dizia "roqueiro até morrer", mas hoje em dia a turma que defendia a 89 FM há dez anos atrás hoje apóia a "música sertaneja" da Nativa FM de São Paulo (dos mesmos donos da 89). E a chamada "nação roqueira" da Rádio Cidade hoje está completamente dedicada ao "funk carioca".

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