segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DIA DA PÁTRIA


Brasil, tão sofrido Brasil, cantado por Ari Barroso, Renato Russo, Cazuza, Clemente (Inocentes) e outros, abatido pela corrupção do Congresso Nacional, pelo reacionarismo dos mercadores da "cultura brega", pela prepotência dos grandes veículos de rádio, jornal, revista e TV, pela desordem de valores.

Brasil, você não é Pasárgada. Não sou amigo do "rei". E, na vida amorosa, só posso ter a mulher que eu não quero na cama que me escolherem. Vida de faquir.

Tenho que perder o "preconceito" de tudo, desde que mantenha o preconceito contra o meu prazer. O que eu quero e necessito pouco importa. Não posso crescer como um ser humano. Só posso ter curtições fúteis, vícios, vulgaridades.

A impunidade é tão grande que certos impunes já são adorados. O que dizer dos machistas que exterminam suas namoradas e esposas e passam a rasteira nos homens de bem na hora de conquistar novas namoradas? O que dizer daquele político corrupto que se travestiu de radiojornalista e é considerado "honesto" até por quem diz odiar os corruptos? E dos jovens pseudo-esquerdistas, direitistas nos neurônios, que pregam o fechamento do Congresso Nacional para "limpar o país" mas, em cada eleição, sempre recomendam a "galera" para votar nos mesmos corruptos que usurpam o poder na nação?

A ditadura militar quis salvar-lhe, Brasil. Mas lhe fez ficar cansado. Envelhecido em anos, apesar da idade jovem de pouco mais de 500 anos, você, Brasil, voltou a ter aquele fedor mofado de República Velha, apenas modificado por aparatos cibernéticos. Fizeram de você uma República Velha mais pop, com a mesma política de café-com-leite agora empurrando funqueiros, duplas breganejas, axezeiros e outros fisiológicos musicais, apoiados claramente pelos fisiológicos da mídia e da política.

Queria morar noutro país, Brasil. Não, não, não me decepcionei com você. Você é legal, tem uma bela paisagem, um belo clima, que já se altera graças aos latifundiários que massacram suas florestas.

Eles, os latifundiários, se acham donos de tudo, com direito de destruir aquilo que têm. Destroem a floresta amazônica, acabam com a fauna e a flora, exterminam seringueiros acreanos, missionárias estrangeiras, e querem destruir até a Música Popular Brasileira, mandando seus pupilos espinafrarem blogs como o meu, na maior arrogância.

Por isso estou triste. Saber que, se fosse mais idiota, conformista e aceitasse qualquer porcaria que está na moda, estaria feliz. Mas, se os reacionários de plantão me apoiariam neste caso, as demais pessoas me desprezariam.

Será que estar com os "mais fortes" é bom? Ir para o trio elétrico, ou para uma vaquejada ou "baile funk", me casar com a ex-dançarina de "funk" ou pagode só para ter os glúteos dela no meu colo, será que isso é a fórmula da felicidade? Eu, com a máxima segurança, sei que não.

Prefiro lutar pelos injustiçados. Os reacionários continuarão a não gostar. Vão me botar adjetivos que não tenho: "invejoso", "preconceituoso", "perturbado", "bitolado", "ressentido" e outros mais.

Prefiro lutar por você, Brasil, que eu sei bem que não foi o vitorioso do jogo do último sábado. Você, Brasil, não é o país dos ricos corrompidos, do espetáculo alienante do futebol, da música idiotizada e caricata. Você, Brasil, é um país rico e mal-compreendido. Preso na camisa-de-força da cafonice, da alienação, do conformismo. Os fantasmas da ditadura militar ainda rondam seu território, seduzem jovens que nasceram até depois do fim do AI-5, que passam a defender "novos AI-5" para permitir a libertinagem deles em detrimento da liberdade nossa.

Por isso, Brasil, você sofre, sente dor, padece. Sua dor não está na mídia, não está na voz dos privilegiados, não ecoa entre os "líderes de opinião", nem nas elites e oligarquias que lhe controlam e lhe tomam suas riquezas. Sua dor, no entanto, é um grito que a mídia grande não pode sufocar. E que os reacionários de plantão não podem abafar.

Brasil, você já mostrou sua cara e sua dor. Você já nos disse que país é você. Já optou pelo povo nas ruas. Mas, infelizmente, ainda querem lhe fazer uma caricatura.

Brasil, você é grande. Reaja contra aqueles que pensam pequeno mas querem dominá-lo.

Estou com você, Brasil.

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