domingo, 20 de setembro de 2009

ATO INSTITUCIONAL DO "FUNK CARIOCA"


Os empresários de "funk" e os parlamentares ligados àqueles anunciam o Ato Institucional do "Funk", o AI-FUNK. Aqui está o texto (o ritmo popularesco aparece sem aspas, porque é do entender de seus defensores):

Entra em vigor, na presente data, o Ato Institucional do Funk, que prevê as seguintes medidas:

Artigo 01. Todo pobre residente no território do Estado do Rio de Janeiro é obrigado a apreciar o funk, tomando-o como seu gosto musical principal.

Parágrafo Único. O pobre que se recusar a gostar de funk sofrerá punições que variam da simples humilhação social a medidas de exceção tomadas por grupos competentes.

Artigo 02. Ao pobre é permitido, dentro da referida unidade federativa, apreciar o samba, desde que não o tome como gosto prioritário nem se aprofunde em tendências ou intérpretes considerados menos badalados e mais sofisticados. As condições de apreciação do samba são as seguintes:

a) O samba pode ser livremente apreciado em ensaios de Escolas de Samba e durante o Carnaval;

b) Estimula-se a apreciação de tendências românticas ou sensuais (*) que fazem sucesso no rádio.

I. Proibe-se a apreciação de sambistas muito mais antigos, senão através de regravações feitas por artistas românticos contemporâneos.

Artigo 03. O pobre é convocado a apoiar qualquer manifestação a favor do funk organizada por DJs ou empresários de equipes de som, de toda e qualquer forma.

Parágrafo Único. É facultativo o comparecimento do povo pobre, como um todo, a essas manifestações, desde que os motivos sejam pertinentes, ainda que sejam apenas problemas financeiros.

Artigo 04. Toda moça pobre terá que adotar a coreografia do funk, em todo evento onde ela tiver que dançar.

Artigo 05. Ao pobre que toca violão e aprecia canções assobiáveis, permite-se a opção do funk melody, se não quiser fazer um rap (**) nem limitar seu som ao "tamborzão", a percussão do funk (***).

Artigo 06. Aos intelectuais que apoiarem o funk, haverá desde gratificações financeiras por cada trabalho feito até mesmo proteção a eles dada pelos empresários do funk, que ajudarão a dar cartaz a esses intelectuais nos veículos da mídia que divulgam o ritmo.

Artigo 07. Podem ser concedidas ajudas de custo para intelectuais que fizerem monografias favoráveis ao ritmo.

Artigo 08. O funqueiro não pode pronunciar a respeito do apoio de grandes veículos da mídia dominante, se omitindo diante de tais acusações.

Artigo 09. Os locais que incluírem bailes funk serão protegidos pelos empresários e políticos relacionados ao gênero.

Artigo 10. Os defensores do funk estão autorizados a infiltrarem-se em páginas na Internet onde haja grupos de pessoas contrários ao ritmo, no intuito de tumultuar o debate.

Parágrafo Único. O funqueiro que assim agir aumenta sua reputação dentro de seu ambiente social.

Artigo 11. Autoriza-se a veiculação de mensagens eróticas para crianças e menores em geral, de forma explícita mas não escancarada, para não despertar suspeita nas autoridades policiais.

I. O erotismo se manifesta com posturas rebolativas ou de glúteos empinados.

II. O nu se reserva somente de acordo com as restrições legalmente estabelecidas à veiculação de mensagens pornográficas.

III. Letras de duplo sentido podem ser veiculadas na presença de crianças e menores em geral, desde que não façam alusões abertas à violência.

Artigo 12. Revogam-se as disposições em contrário.

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(*) Corresponde às diluições do samba, sendo o rótulo "romântico" referente ao sambrega, tipo Alexandre Pires e Exaltasamba, e "sensual" referente ao porno-pagode, tipo É O Tchan e Psirico.

(**) O vocal dos funqueiros, que parodia o andamento das cantigas de roda, é equivocadamente conhecido como "rap" no universo funqueiro.

(***) Na verdade, é uma batida eletrônica que imita batuques de umbanda.

Um comentário:

Anônimo disse...

vou ser sincero o moral do brasil tá em baixo.