domingo, 9 de agosto de 2009

SYLVIO BACK LAMENTA QUE O SENSO CRÍTICO NÃO EXISTE NO BRASIL


O cineasta Sylvio Back, cujo documentário "Rádio Auriverde" (1990) vi na TV e gostei muito, escreveu hoje um artigo no jornal O Globo explicando o seu novo documentário, sobre a Guerra do Condestado (1912-1916), ocorrido na região centro-oeste de meu Estado natal, Santa Catarina.

Segundo ele, o conflito fez vingar "as primeiras idéias de que o exército não poderia continuar 'força-tarefa' de 'coronéis'. Dali saiu uma jovem oficialidade, ferrenhos inimidos da liberdade com repulsa ao brasileiro inculto dos sertões e das cidades. Carregados desse ideário de fuzis e baionetas, protagonizaram ambíguas subversões, umas liberalizantes, outras, autoritárias, da década de 20 (Forte de Copacabana, tenentismo, Coluna Prestes e a dita "Revolução de 30"), estendendo-se à ditadura Vargas e ao seu derradeiro vagido, o golpe de 64, tornando o século XX e a cúspide do atual numa permanente ameaça à nossa frágil democracia".

Ele compara a crise atual do Legislativo, sobretudo no Senado, a esse episódio, temendo que uma nova força reacionária nasça na situação. E lamenta que o país não é capaz de exercer seu senso crítico, preferindo assistir passivo à desordem nacional e à crise de valores e instituições.

Em 12 anos de Internet, pude ver o quanto há de internautas reacionários, além de outros internautas passivos, a aceitar qualquer absurdo achando que, por virem de cima, seja da mídia ou de todo aquele que tais pessoas acham de "reconhecida superioridade", é tudo natural.

Há pessoas que reclamam pelas costas, mas não há mobilizações. Ter senso crítico, por outro lado, espanta amigos, irrita aquelas moças simpáticas que queremos conquistar, assusta muita gente. Nós mostramos algo errado e as pessoas, traumatizadas, não querem ouvir. São surdas, cegas e mudas, não por lhes faltarem audição, visão e voz. Mas porque, quando elas existem, negam-se a usá-las nas situações mais delicadas e decisivas da vida. Daí que muitos preferem ir para a micareta, para o "baile funk", para o futebol nos estádios e para a rodada de cerveja de sempre. E depois se sentem ofendidos quando são chamados de alienados.

Vale a pena ler o texto "Contextar: Ato Extinto", de Sylvio Back. O Globo, 09.08.2009, página 14, coluna Logo.

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