sexta-feira, 21 de agosto de 2009

RECORD COMPRA DIREITOS DE 'MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE'


No conflito gerado pelo crescimento comercial da Rede Record e das denúncias das Organizações Globo contra o dono da rede, o "bispo" da IURD Edir Macedo, a Record criou mais um episódio da batalha midiática comprando os direitos de transmissão do documentário inglês Beyond the Citizen Kane, dirigido por Simon Hartog, que morreu antes de finalizar a produção, tarefa deixada para seus assistentes.

O documentário - rigorosamente traduzido como "Muito Além do Cidadão Kane" - foi lançado em 1993. Vi o filme pela primeira vez em fita VHS exibida pelo meu então professor na Faculdade de Comunicação na UFBA, Jonicael Cedraz. Recentemente fiz download do filme pelo eMule.

O documentário se baseia na trajetória do empresário Roberto Marinho frente à Rede Globo de Televisão. É um complemento para o livro A história secreta da Rede Globo, de Daniel Herz (Editora Tchê, 1987), para entender as artimanhas da "Vênus Platinada". Além de citar os episódios sombrios da Rede Globo, como a participação ilegal da Time-Life junto às Organizações Globo para instalar a rede televisiva, além do apoio da Rede Globo à ditadura militar que a fez até ficar surda aos movimentos pela democratização do país, tanto o documentário quanto o livro - que não estão tecnicamente relacionados um com o outro - mostram um pouco da história da mídia brasileira.

O documentário inglês dá um relato sobre a história da televisão brasileira, citando até a TV Tupi e a TV Excelsior (mostrando inclusive uma vinheta antiga da emissora, com um desenho animado com duas crianças). Fala até da troca de representação baiana da Rede Globo da TV Aratu para a TV Bahia. O livro do jornalista gaúcho já cita outros casos de empresas de radiodifusão comprometidas com o tendenciosismo político, como o Grupo Abril (que havia se envolvido com parceiros estrangeiros na implantação de uma franquia argentina de uma revista italiana) e o Jornal do Brasil, que havia apoiado à iniciativa da Globo com a Time-Life.

A Rede Globo tentou comprar o documentário para manter engavetado e complicar o uso de direitos de transmissão. Mas, felizmente, não conseguiu adquirir os direitos.

Evidentemente, tanto a Globo quanto a Record têm seus "telhados de vidro" e nenhuma é santa por combater os abusos de outra. Mas a batalha desses dois dinossauros da grande mídia - a "mídia gorda" da Rede Globo contra a "mídia gordinha" da Record - não deixa de ser interessante por mostrar os podres das duas corporações, e muita coisa a mais ainda vai aparecer. É preparar a pipoca, sentar no sofá e esperar novos escândalos nessa novela da vida real.

4 comentários:

O Kylocyclo disse...

Imagino como seria a repercussão se algum documentarista fizesse um equivalente baiano ao "Muito Além do Cidadão Kane", mostrando os podres do Jornal da Bahia, da Rádio Metrópole e de Mário Kertèsz, que sonha em ser o Cidadão Kane baiano, até porque tem o K de Kane. Certamente o documentário se lembrará também das artimanhas do eterno padrinho de MK, Antônio Carlos Magalhães, e a trajetória da Rede Globo será em parte relatada. Tudo a ver.

Marcelo Delfino disse...

Esta novela é boa. Melhor que essas porcarias das próprias Globo e Record, tipo Caminho das Índias e Mutantes.

Devo acrescentar que acredito ser difícil a Record exibir o documentário Beyond Citizen Kane na íntegra. O problema é que a Globo embargou sua exibição alegando que o filme usa imagens da programação da própria Globo. Mas a TV dos Marinho não conseguiu embargar a exibição do restante do documentário. Então, a TV Record o exibirá os pedaços não embargados, ao longo de seus programas. Mesmo assim, já é bastante coisa, principalmente as entrevistas.

O documentário também já foi exibido em igrejas evangélicas e em redutos da Igreja Católica ligados à Teologia da Libertação ou à Renovação Carismática.

Leonardo Ivo disse...

Ela ja está exibindo em programação da IUrd na madrugada.

Marcelo Delfino disse...

Se a Record só exibir o Beyond Citizen Kane nos programas da IURD, está perdendo tempo e dinheiro. A manada que pertence a aquele curral eleitoral já rejeita a Globo naturalmente. Mercadologicamente, seria mais interessante para a Record exibir o documentário nos programas de interesse geral.