quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O "LÍDER DE OPINIÃO" E O "FUNK CARIOCA"


O "líder de opinião" - não confundir com os bons blogueiros e/ou jornalistas que são populares pelo caráter de suas pessoas e pela coerência de suas idéias - tem certos momentos que banca o vira-casaca, afinal ele só segue os ventos da "opinião" oficialmente dominante.

O "funk carioca", por exemplo, mostra o quanto este "líder" mudou drasticamente de opinião no decorrer do tempo. Afinal, ele não cria, ele copia. Quer fazer bonito assumindo uma postura que, na forma aparente, é um "meio-termo" entre a Isto É e a Caros Amigos, mas no conteúdo é uma verdadeira gororoba de "restos" do que a mídia despeja em rádios, TVs, jornais, revistas e Internet.

Em 2001, virou moda falar mal do "funk carioca", não por sua evidente baixíssima qualidade artística, mas porque naquela época a mídia cultural tinha uma autonomia para falar mal do que quiser. A crítica musical gozava de autonomia para exprimir seu senso crítico, apesar de alguns casos de jabaculê a editoria cultural da grande imprensa era o derradeiro terreno da liberdade opinativa e do senso crítico inteligente.

Tinha o "proibidão" do Bonde do Tigrão, SD Boyz e outros fazendo sucesso. Havia refrões como "tá tudo dominado", "vou passar cerol na mão" e "tapinha não dói", com letras exaltando a violência, a criminalidade, a pornografia e a violência machista. E haja intelectual falando mal. Grandes tempos. E o José Arbex Jr., sabiamente, havia escrito um texto contra o "funk carioca", já reproduzido aqui, muitos anos antes da revista Caros Amigos aderir ao jabaculê funkeiro.

Pois o "líder de opinião", antes de existir os chamados blogs, ia para o jornal e para o rádio, com reflexos num jornal virtual da Internet, escrever seus artigos inflamados contra o "funk carioca". "Vergonha para a cidadania, com letras chulas, 'músicas de mau gosto' - isso se chama 'música', afinal? - , que estimulam a violência e a pornografia, exibidos para crianças impunemente, nas salas de jantar com toda a família, com a TV aberta ligada". O público caía em delírio. Parecia que o "líder de opinião" estava competindo para obter uma indicação para o Nobel da Paz.

Oito anos depois, o mesmo "líder de opinião" mudou completamente o discurso. Mudou a "opinião" dominante. Saem os ataques às letras chulas, à pornografia gratuita, à violência exaltada, e entram elogios melífluos à "cultura das favelas". Vamos degustar algumas frases desse verdadeiro palhaço de circo da opinião pública:

"Discriminado pela mídia e por intelectuais caducos, o 'funk' faz sucesso em todo lugar que entra, dos morros às universidades. Sem lugar algum na mídia do entretenimento, o ritmo carioca luta para ter um espaço minguado no Sol da MPB, representando um novo folclore, uma nova rebelião popular, algo que mistura Canudos, Semana de 22, punk rock inglês e Tropicalismo".

Todo mundo já foi tentado a sonhar com essas frases delirantes e dóceis. O "líder de opinião" elogia tudo, e de repente escreveu no seu blog que "os 'proibidões', mal compreendidos, são injustamente classificados de violentos, mas suas letras apenas expressam grupos sociais específicos, chamados preconceituosamente de 'gangues' ou 'quadrilhas', que apenas elevam o tom jocoso de suas letras, sem apelar para o ofensivo (sic)".

Aí, nos comentários anexos ao blog, um internauta falou que sentia saudade do SD Boyz, que tinha 15 anos quando ouviu o Bonde do Tigrão pela primeira vez e aquilo era a felicidade dele. Sabe o que o "líder de opinião" respondeu? Vejam só: "Pois é, meu caro (internauta). Tempos inesquecíveis aqueles, e é muito bom que a galera daquela época seja hoje ouvida e apreciada por muitas pessoas".

Vamos ver o que o "líder de opinião" vai escrever, daqui a uns cinco anos, sobre Ratinho, É O Tchan, Tiririca e Walter Mercado.

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