sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O GOLPISMO ATRAVÉS DA CULTURA


Forças anti-populares sustentam rádios "populares". A chamada cultura brega na verdade foi um movimento da direita brasileira, a partir do poder latifundiário, de transformar o povo brasileiro num estereótipo ao mesmo tempo patético e conformista. Desta forma, transformando o povo num "coitado" subordinado ao poder coronelista, o poder cria uma "cultura popular" dentro desses valores inferiorizados e explora, de maneira hipócrita, a própria imagem de vítima do povo para fabricar uma cultura com aroma artificial de "povo".

O coronelismo, com a música brega e seus derivados - não podemos dizer que aqui incluem também a axé-music e o "funk carioca", que muitos ainda não enxergam como derivados da música brega (mas, se ouvirmos com atenção, Asa de Águia e Chiclete Com Banana têm muito de Odair José e Gretchen é uma espécie de "vovó das mulheres-frutas") - , não mediu tempo para neutralizar a influência dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes, acabando assim com a força da tradição folclórica popular.

Não por acaso, os principais estilos do brega-popularesco, seja o brega original, seja a axé-music ou a dita "música sertaneja" (caricatura americanizada da música caipira brasileira), contam com defensores ultra-reacionários. Isso é porque esses defensores estão longe de serem simples fãs de ídolos como Vítor & Léo e Asa de Águia, são pessoas ligadas a empresários diversos que investem neste tipo de música.

O golpe de 1964, do contrário que diz Paulo César Araújo (que, na prática, tornou-se o "Cabo Anselmo" da historiografia da MPB), beneficiou muito a música brega. Os latifundiários são os primeiros a patrocinar os ídolos bregas e neo-bregas, e assim o foram na época da ditadura. Alguns ídolos bregas foram censurados, mas eles sempre tiveram espaço nas rádios apoiadas pelo coronelismo e que apoiaram a ditadura militar. É necessário haver uma investigação jornalística neste sentido, mas tudo indica que será apenas para comprovar esta hipótese.

A ideologia brega entregou o povo ao subemprego, à prostituição, ao alcoolismo, ao conformismo, e isso a mídia - mesmo num paternalismo hipócrita - quer manter essa "tradição popular" desenvolvendo uma visão "romântica" desse povo domesticado.

Os patrocinadores da cultura brega ("cultura" no sentido de "cultivo") fazem, na verdade, o que tentam atribuir aos Centros Populares de Cultura e a toda uma intelectualidade que defende uma cultura popular de qualidade: a "idealização" do povo, dentro dos moldes do poder dominante. Por isso é ótimo para o poder dominante exaltar uma figura estereotipada como Waldick Soriano, que nunca passou de uma paródia caricata de Vicente Celestino (que não era brega, até porque sua música tinha qualidade e refletia aqueles tempos de serestas orquestradas e canto operístico).

Quando alguém escreve um texto na Internet contestando o sucesso de ídolos popularescos, sempre surge algum reacionário mandando mensagem grosseira contra quem contestou. Isso existe tanto nos fóruns, e-mails e até em comunidades contra ídolos popularescos no Orkut, que sempre tem membros defendendo tais ídolos, fazendo "patrulha" para impedir que a contestação seja bem-sucedida.

Por isso mesmo, numa época em que a MPB autêntica tenta recuperar seu espaço, defensores de breganejo, axé-music, do brega setentista e outras vertentes não deixam. Eles partem para xingar nomes respeitáveis da MPB, como Maria Rita (xingam até a mãe dela!!), Djavan e Marisa Monte, enquanto partem para frases provocativas como "Vítor & Léo são 'os caras'", "Chiclete Com Banana é o furacão da Bahia" e "Waldick Soriano ficará para sempre". E se acham no maior direito de fazer isso, não conseguindo disfarçar o teor golpista e reacionário de suas defesas.

Esses defensores são pessoas irritadiças, que cometem o cinismo de chamar nosso questionamento de "textos de mau gosto" quando de mau gosto são mesmo os textos que eles escrevem em prol de seus ídolos da mass culture.

Por trás disso tudo, está o medo paranóico das elites dominantes do país de que a MPB autêntica (que não é só classe média, não - Ataulfo Alves e Luís Gonzaga provaram que o povo sabia fazer música popular de excelente qualidade) abra os olhos do povo e lhe faça reagir contra o poder coronelista que há muitas décadas domina o país, sobretudo o interior. Uma triste realidade que nem o verniz pseudo-esquerdista de certos defensores de axé-music, "funk" e breganejo consegue disfarçar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Caro Alexandre , parabéns pelo artigo que mostra de maneira clara como um grupo de "dominadores desse mundo tenebroso" se articula, vamos dizer assim... o "modus -operandi" desse grupo que através da grande midia engana muito bem,principalmente ás classes menos favorecidas e compram alguns intelectuais prá falar bem deles. Eles ridicularizam a cultura popular.Abafaram o rock e a mpb que geralmente cantam canções que reprovam os atos dos politiqueiros da extrema direita(que são os defensores desses "coronéis) .Eu não entendo muito de politica. O Zé Sarney é coronér do Maranhão?
Postei anonimo . Esse tipo de gente é perigosa. Sabe-se lá como é que essa gente consegue tanto poder e dinheiro assim. Trabalhando é que não é! Eu trabalho desde os 11 consegui comprar minha casinha depois de 30 anos de trabalho e o terreno é bem pequenino.Mais sou honesto!

Aqui no estado onde moro um politico ("coronel") virou motivo de piada. Ele teve a cara-de-pau de dizer que as terra que tem conseguiu trabalhando.Quem compra 24.000 hectarea trabalhando?